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  • Pablo Capistrano
  • 09 de abril de 2020, as 7h07

 

Consegui um tempo para traduzir um poema de Bertold Brecht.

Chama “Os amantes” (Die Liebenden)
OS AMANTES
Vê, aquelas aves negras voando em grandes arcos!
As núvens com as quais elas se misturam
São arrastadas por eles, quando escapam
da minha vida para outra.
Na mesma altura, com a mesma urgência
aparecem ambas, lado a lado.
Que a ave compartilhe com a núvem
o belo céu para o qual eles revoam
que não permaneçam muito tempo por aqui
que nada mais se veja além do pesar
que distintamente ambos sentem pelo vento
por onde flutuam juntos.
É deste modo que o vento os quer, deixando-se capturar pelo nada
Se eles não percebessem e permanecessem
tão duradouramente que não pudessem se tocar
tão duradouramente que se pudesse expulsa-los de qualquer lugar
onde a chuva desaba e tiros ressoam
Então, sob o sol e a lua, pequenos discos distintos
voam além, despadaçando-se completamente
Para onde? – lugar algum; De onde? – todo lugar.
Eles se perguntam, quanto tempo permaneceram unidos?
um curto tempo.
E quando se separarão?
Em breve.
Então
parece que é mesmo o amor
que sustenta os amantes

 

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  • Pablo Capistrano
  • 09 de abril de 2020, as 7h07

 

Terminei o dia animado e com muita esperança apesar de todas as notícias.

Duas delas me encheram de fé – a notícia que circulou em alguns sites de comentários políticos de que Bolsonaro já não seria o presidente de fato, e que o general Braga Neto teria assumido o comando da coordenação da operação de guerra contra a pandemia da Covid-19.
A outra notícia é de que o uso generalizdas de máscaras pode seruma das saídas para um retorno de algo de pareça se aproximar de uma certa normalidade.
Curioso é que, em tempos normais, essas duas notícias (a de um golpe militar branco no governo e do uso de máscaras nas situações do dia a dia) me soaria terrível.
Hoje, dada a situação em que vivemos, parece surpreendentement razoável.
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  • Pablo Capistrano
  • 09 de abril de 2020, as 7h07

Hoje, o grupo Carmin de teatro (do qual sou dramaturgo) teve sua reunião de ensaio da peça nova por uma plataforma digital de reinuões.

Fizemos uma leitura do texto novo (Gente de Classe), que começou a ser escrita por mim e Henrique Fontes ainda no ano de 2o18 e que traz uma estranha antecipação de alguns aspectos do momento em que estamos vivendo.
É espantoso comoem certos sentidos a arte e o teatro, em particular, funcionam como um exercício de antecipação.
Como não imaginar a quantidade de obras distópicas que percorrem as telas dos cinemas e as plataformas de Streaming alguns anos atrás como uma espécie de antecipação desse futuro que hoje se torna presente.
Por isso eu fico pensando sobre o futuro da arte.
Quando todo esse trauma passar, as pessoas ainda terão condições de assistir distopias?
Minha suspeita é que não.
A saturação da realidade vai exigir algo mais do que um simples episódio novo de Black Mirror.
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  • Pablo Capistrano
  • 09 de abril de 2020, as 7h07

Hoje, caminhei um pouco pela rua em frente aqui de casa.

 

A grande conjunção Jupiter, Saturno, Marte (Plutão está na jogada mas não dá pra ver) estará visível hoje de madrugada, mas não sei se terei pique para ficar acordado. Tenho trabalhado um bocado pra dar conta das atividades que ainda tenho no IF, da casa e ainda ajudar Ana nas questões da gelateria.

 

A minha impressão é que as pessoas estão começando a se movimentar mais fora de suas casas. Vai ser muito difícil manter o brasileiro em uma quarentena forçada por muito tempo. Não somos asiáticos, não vivemos em países gelados, não temos essa disciplina coletiva e de enfrentamento do clima em ambientes fechados.

 

 

Só o medo da morte e as pilhas de cadáveres se amontoando nas ruas poderia frear o ímpeto do brasileiro de ganhar a rua.

 

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  • Pablo Capistrano
  • 01 de abril de 2020, as 1h01

Hoje, conversei longamente pelo watsapp com meu amigo de mais de 30 anos que mora em Zurich, Alberto Cabral. Ele viajou pra lá no final dos anos 90.

 

Também estão todos quarentenados. A suíça, apesar de ser quase do tamanho do Rio Grande do Norte, tem uma população idosa muito numerosa. Quase todos os suíços “da gema” ou pelo menos a maior parte deles, nasceu durante, ou pouco depois da segunda guerra. Os jovens no país, em sua maioria, são imigrantes.

 

 

O fato é que, caso a pandemia se espalhasse sem controle poderia casuar uma transformação radical na composição étnica do cantão financeiro da Europa. Hoje eles são um dos países com mais mortos por 100 000 habitantes, apesar do número absoluto ser menor do que o da Itália, Espanha  e dos EUA.

 

 

Mesmo assim, eles se sentem mais seguros lá do que aqui.

 

Alberto veio a Natal após o carnaval e saiu da cidade um dia antes da Suíça fechar as fronteiras.

 

A impressão é como se o mundo estivesse em guerra com todas as fronteiras sendo fechadas uma a uma. A sensação é que eles escaparam de um cenário de caos, momentos antes de uma grande explosão.

 

Acho que essa é a sensação que melhor descreve o que estamos vivendo aqui no Brasil.

 

A impressão de estarmos presos em um continente.

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2007 ® Pablo Capistrano

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