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  • Pablo Capistrano
  • 02 de abril de 2005, as 23h23

Demian me manda mensagens sinistras sobre seus rituais, bem nessa época da morte do papa. Significativo.

Acho mesmo que vivemos um momento histórico. Eu tinha quatro anos quando o Papa foi eleito em 1978. Não lembro de nada. lembro quando ele levou o tiro em 1981. estava assistindo TV e a programação foi interrompida. fiquei puto porque acho que estava assistindo túnel do Tempo, ou algum programa a altura. minha avó começou a chorar e a rezar.
Foi aí que eu entendi que a coisa era grave.

Se você parar para pensar vai entender que o Papa é aquele que guarda o espírito do império romano. A igreja retém algo do império romano. Ele é o nosso imperador. A imagem de um mundo que se produziu a uma quantidade muito distante de anos mas que, até hoje, reverbera.

Acho que as reações dele a modernidade (aborto, eutanásia, contraceptivos, pesquisas genéticas) refletem algum tipo de experiência conflitante com a modernidade industrial. Vejam que ele viveu a segunda grande guerra e isso é significativo. Ninguém que viveu, de alguma forma, a segunda grande guerra pasou por ela sem ficar marcado. Acho que Wojtyla acreditava que a hecatombe da humanidade poderia ser produzida pela sociedade industrial. Daí o conservadorismo.

até que, olhando por esse ângulo ele tinha suas razões.
Mas é isso.
Estamos órfãos.

Me sinto um romano hoje.


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2007 ® Pablo Capistrano

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