26 out
Só o primeiro tempo
- 26 de outubro de 2009, as 16h16

The Haçienda - por causa dela eu sempre simpatizei pelos times de Manchester, mas o Abbey Road me fez torcer pelo Liverpool ontem
Essa rodada foi a rodada dos primeiros tempos.
Por motivos que estão além da minha força de vontade masculina, acabei sendo obrigado a assistir apenas o primeiro tempo dos jogos esse Domingo.
Vi a agonia do Fluminense no primeiro tempo do jogo contra o Goiás.
Assisti o primeiro tempo de Ronaldo Fenômeno contra o Cruzeiro (sim, corintianos, essa é uma provocação)
E vi, pela manhã, o primeiro tempo do clássico mais hype da Europa.
Manchester United versus Liverpool não é, para mim, apenas o mais importante clássico do futebol da Inglaterra por causa da quantidade de títulos em jogo. Esses dois times dominam o campeonato inglês nos últimos trinta anos, o Liverpool arrancando tudo entre os anos de 1970 e 1980, e o Manchester United arrasando o quarteirão nas décadas de 1990 e 2000.
Se eu fosse só um fã de futebol me contentaria com essas estáticas, mas como minha vida gira em torno de outros interesses eu não perco um clássico envolvendo as duas cidades por uma memória musical particular.
Liverpool é a terra dos Beatles e do Echo and the Bunnymen.
Manchester…. bem Manchester provavelmente foi para minha geração o que Liverpool foi para a da minha mãe. Joy Division, Smiths, New Order, Stone Roses… Não havia como ser adolescente na virada dos 80 para os 90 e não pensar em Manchester (chamado nos oitenta de Madchester) como “o lugar no qual eu gostaria de morrer de overdose” e na The Haçienda o lugar aonde qualquer um de nós, que voávamos fora do binômio agroboy forró-vaquejada, gostaria de passar o resto de suas noites.
Por isso o primeiro tempo que eu prestei mais atenção foi mesmo o do clássico inglês.
Um jogo frio como um fog de outono, cerebral, calculado.
O Liverpool está em baixa essa estação. Por enquanto, amarga sua pior temporada inglesa desde os anos cinquenta quando começou sua consolidação no cenário do futebol internacional. O pior era que não estava com Gerard em campo.
Como eu não tenho simpatias muito claras na Inglaterra e não consigo assistir nenhum jogo absolutamente neutro, acabei torcendo pelo Liverpool. Primeiro porque ele está em baixo na tabela e a simpatia pelas vítimas e pelos fracos que construiu as bases da civilização cristã (a tal moral do escravo que Nietzsche tanto falava) que, por motivos culturais mais do que teológicos, de vez em quando interfere nas minhas preferências futebolísticas. Depois porque tenho preferido ouvir estes tempos mais o Abbey Road do que o Closer do Joy Division.
A propósito, quanto saiu mesmo o placar?