03 nov
Hobbes
- 03 de novembro de 2009, as 13h13
Livro: Hobbes
Autor: Richard Tuck
Editora: Edições Loyola.
A primeira vez que ouvi falar seriamente em Thomas Hobbes foi no SBPC de 1998. Me matriculei em um curso ministrado por Renato Janine Ribeiro sobre O Leviatã. Fiquei impressionado pelo contexto de Hobbes. Havia algo de profundamente literalizavel naquela vida.
Imaginei Hobbes impactado pela imagem da decapitação de Carlos I e pela profunda conturbação política que tomou conta da Inglaterra por todo o século XVII. Hobbes me pareceu um homem que sabia responder às demandas de seu tempo da mesma forma que eu, com a razão.
Sabe, existem pessoas que traduzem o mundo em linguagem estética, outras que buscam dominar o mundo com seu trabalho, outras que apenas vivem. Eu tenho uma estranha compulsão por entender o mundo e isso me move, como talvez um dia tenha movido Hobbes.
O fato é que, aliado a brilhante exposição do professor Renato Janine e a frase que eu havia lido em Watchman na década de 1980 (“O Homem é lobo do homem”), meu interesse por Thomas Hobbes só cresceu. O Leviatã acabou se tornando para mim uma espécie de livro de consultas e quando comecei a dar aulas em Cursos de Direito na cidade acabei devorando um outro texto de Hobbes citado por Bobbio em “O Positivismo Jurídico” – o livro chamava-se “Diálogo entre um filósofo e um juridta do comon law da inglaterra” e era o registro da polêmica de Hobbes com Edward Coke, um juiz dos tribunais de Westminster.
Apesar disso eu me debrucei mesmo sobre esse livro do Tuck. Gosto desses livros e dessas coleções que disponibilizam o pensamento de gente como Hobbes em formato de bolso. O texto de Tuck não só é curto e didático como também traz coisas novas sobre Hobbes, publicado em 1989 pela Oxford UP o texto tem o mérito de mapear Hobbes para além da filosofia política, abrindo espaço para discussão sobre as relações dele com Grotius e sua posição religiosa. Sim, o terceiro capítulo traz também um apanhado das leituras críticas às quais Hobbes foi submetido. Hume, Rosseau, Leo Strauss, Watkins e David Gauthier são alguns dos autores que se propuseram a construir uma fortuna crítica a partir da obra de Hobbes e que nem sempre são devidamente posicionados.
Não se engane, nem todo livro fino e curto é desprovido de profundidade.