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  • Pablo Capistrano
  • 15 de dezembro de 2009, as 8h08

Quando Hegel pensou na história ele foi buscar lá no tempo do velho Heráclito de Éfeso a sua ferramenta básica para pensar o tempo e o seu andar. Heráclito disse alguma coisa mais ou menos assim “a guerra de tudo é senhora, de uns faz reis de outros escravos”.

Não era a guerra dos homens que Heráclito deveria estar se referindo, mas uma guerra cosmológica que envolvia tudo aquilo que existe. As coisas se transformam e queimam, metamorfoseando-se, morrendo e renascendo em outras formas. A história é assim, uma sucessão de camadas de agora nas quais as coisas se tornam seus opostos.

Desse modo, a história se movimenta a partir de dicotomias, de confrontos dualistas que são superados para que novos confrontos surjam. Hegel é o pai de Marx justamente porque pensa o movimento da história a partir do confronto de opostos.

Vivemos um tempo de construção de novas dicotomias. Os antigos confrontos gestados a partir da revolução de 1789 não atendem mais as demandas desse século. Se nos últimos 200 anos, as dicotomias políticas giravam em torno da questão da isonomia social, com seus apelos de liberdade e justiça, o século XXI aponta para uma nova demanda que força a humanidade a enfrentar outros desafios.

No século passado a polaridade política girou em torno de um confronto envolvendo o marxismo-leninismo e suas variantes e o liberalismo burguês e suas variantes. Tanto um quanto o outro mantinham pontos de contato: eram modernos (frutos do iluminismo) e antropocêntricos. O ponto pacífico que unia esquerda e direita no século XX girava em torno do lugar do homem nas sociedades industriais. Era o homem em sua solidão antropóide que estava em questão, o homem e seus modelos de sociedade, o homem e seu reinado tecnológico sobre o mundo natural.

Havia um forte pressuposto desenvolvimentista tanto em estados nacionais governados pelos regimes liberais burgueses quanto nos países sob a influência do socialismo real. A ideia de uma sociedade técnica que impunha ao mundo natural a face do homem foi adotada como meta tanto no mundo do mercado, quanto no mundo da planificação estatal.

Hoje, nesse tempo de COP 15 um novo consenso precisa se formar. Um consenso que vai configurar as novas dicotomias a partir das quais direita e esquerda vão construir suas trincheiras ideológicas nas próximas décadas.

A percepção da demanda ambiental desloca o homem do centro das utopias. A retomada de uma aliança ambiental é um elemento que passou ao largo das utopias iluministas mas que precisa ser posto em questão hoje.

Para que essa nova aliança possa ter viabilidade é preciso ultrapassar a noção de Estado-nacional e pensar a política ambiental de forma global, em uma ordem política macro-ecônomica. É preciso abandonar velhas políticas estatais desenvolvimentistas que levaram a desastres naturais de proporções alarmantes no século XX. É fundamental que se pense em uma ordem que não seja regulada exclusivamente por leis de mercado, porque, apesar de suas regras o mercado não oferece o grau de racionalidade e moralidade necessário para se frear um padrão de vida e de consumo que pode detonar o equilíbrio ambiental do planeta.

A demanda ambiental exige um novo consenso planetário, que supere velhas dicotomias e crie novos padrões de confrontamento, não apenas para que a história caminhe, mas fundamentalmente para que a civilização global possa vencer esse século. Parafraseando Kant, em seu texto de fins do século XVIII (Para a paz perpétua) poderíamos dizer hoje, a sustentabilidade ambiental é inevitável, quer seja através de um consenso global transnacional ou no calmo e silencioso cemitério da civilização industrial.


3 Comentários para “A Demanda Ambiental”

  1. Julio Lins5/1/2010 às 7:49

    bicho, tudo bem?

    aí vão uns links úteis

    sobre a farsa do aquecimento global:
    http://www.youtube.com/watch?v=RDzuXPM1W3k

    sobre o marxismo cultural:
    http://www.youtube.com/watch?v=4oG7XoGvleo

    sobre a banda JUMP:
    http://www.palcomp3.com.br/JUMPmp3

    valeu!
    um abraço a todos aí.

    ps:não consegui mandar essa informação pelo CONTATO … deve estar com defeito.

  2. Julio Lins5/1/2010 às 7:49

    http://www.acarajebox/blogspot.com

    meu polêmico e mal escrito blog!

  3. Julio Lins5/1/2010 às 7:51

    http://www.acarajebox.blogspot.com/

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