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  • Pablo Capistrano
  • 15 de janeiro de 2010, as 6h06
Natal está entrando em uma era de silêncio político ou é só impressão?
Natal está entrando em uma era de silêncio político ou é só impressão?

O bom de voltar para Natal depois de viajar para uma cidade como Salvador é que você acha o trânsito daqui ótimo, o clima agradável, os shoppings vazios e os níveis de violência urbana interioranos.

 

Natal é uma cidade formada por matutos cosmopolitas, por sertanejos que moram na praia e por pessoas que tem suas origens fincadas em outros lugares. Nossa cidade anda crescendo e se você chegou por aqui esses dias é bom saber que estamos vivendo uma desconcertante metamorfose, muito mais intensa e impactante do que a metamorfose que Salvador ou Recife enfrentaram nos últimos anos. Isso porque Recife e Salvador já eram pólos culturais e econômicos desde a época da colônia e Natal… bem… Natal era aquela fazenda iluminada, habitada por quatro ou cinco famílias, isolada por um sudário de areia.

 

Era! Agora, Natal explodiu em um tempo tão curto, que deixou sem norte uma ou duas gerações que dormiram na aldeia e acordaram na metrópole.

Apesar disso a cidade anda meio silenciosa.

Não falo sobre os motores dos carros, o matraquear das bocas humanas ou zunido infernal das praças de alimentação dos shoppings centers. Não falo do silêncio acústico, tão precioso para aqueles que sabem o real sentido da palavra paz.

Falo do misterioso silêncio político que contaminou nossa urbe em 2009.

Depois de um ano de mandato da prefeita Micarla de Sousa há uma estranha sensação de estagnação no ar, como se alma da cidade, a despeito do crescimento do seu corpo, estivesse em hibernação.

Não sei se você lembra, mas na gestão anterior, Natal e suas demandas entraram na pauta cotidiana dos cidadãos. As construções em Ponta Negra, o transporte público, a presença do turismo estrangeiro, a saúde, a produção artística da cidade… naquele tempo se ouvia sobre Natal nas ruas de Natal.

O ex-prefeito Carlos Eduardo conseguiu (para o bem ou para o mal) em sua gestão, embater-se frontalmente com três dos mais poderosos setores econômicos da cidade, os Hospitais, as empresas de transporte público e as construtoras. Esses embates mobilizaram a opinião pública, ajudando a construir um espaço para se debater publicamente o tipo de cidade que os natalenses gostariam de construir.

A questão da construção de edifícios ao lado do Morro do Careca, o problema do Hotel da BRA na via costeira, as disputas entre a bancada das empresas de ônibus e os vereadores que apoiavam o prefeito no plenário da Câmara Municipal, a eterna crise da secretaria de saúde, as intermináveis discussões nas rodas intelectuais sobre a programação do ENE. Carlos Eduardo foi um prefeito que não tinha medo de tomar posições de confronto.

A suavidade adocicada com que a prefeita Micarla de Sousa trata os setores que monopolizam o capital na cidade nos afasta daquele tempo de discussão e de confronto. A gestão Micarla esse ano que passou, parece ter oscilando entre o vacilo em relação às pressões inevitáveis que qualquer gestor sofre e a covardia política de manter posições firmes. Hoje, a cidade parece vier a anestesia preguiçosa dos conformados.

Micarla é doce, fala macio, mas aparentemente tem dificuldade de impor uma marca de comando sobre o aglomerado discrepante de forças políticas que tomaram conta da sua gestão. Talvez por isso, seu primeiro ano de governo tenha sido assim… tão evanescente, tão indefinido, tão desconcertantemente silencioso.


4 Comentários para “O Silêncio da Cidade”

  1. ANDRELUCIO RIBEIRO15/1/2010 às 17:19

    O seu comentário foi extraído de sua alma, essas palavras foram expelidas e não ditas,ou melhor, escritas. Sinto que esse seu relato não é partidário,longe disso, trata-se de transmitir em algumas frases tudo aquilo que muitos pretendem dizer,mas não possuem essa capacidade desconcertantemente altruísta. Obrigado!O mestre falou por mim! Essa estagnação,que origina a falta de assuntos dicotomicos (produtores de melhorias pra URBS), deixa inerte os senhores que adoram um café,ou um chopp, nas esquinas tradicionais de petropólis, tirol e na av. Princesa Isabel(e hoje em dia na siciliano). Temos a sensação de que o tempo passou, mas para Natal o tempo pàrou, e um lado despótico que não inclui o povo como co-administrador,ou como produtor das soluções de sua cidade, páira no ar. Fica a pergunta: “Incompetência, negligência, incoerência, conivência ou seria “conveniência” elitista (entenda-se empresarial)?” Aristoteles dizia: “O bem da Pólis é o o nosso desejo,é o bem coletivo. Tudo em excesso ou na falta não é uma virtude,não é a medida justa”. Graças à Deus,nobre Pablo, o senhor não é um apolítico.

  2. Artemilson19/1/2010 às 6:15

    Olá, Pablo.
    sua crõnica vai na “Moeleira” ou “Mulêra”. Há, de fato, uma apatia geral atualmente nesta cidade. E para reforçar essa postura etérea tão bem reforçada pela fala mansa (e dissimulada) da prefeita que se quer perfeita, ainda tivemos o fatídico episódio do padre pop star, que veio celebrar a enxurrada de anjinhos grotescos (parece um paradoxo, mas é o que parece), da descoração natalina. Quem viveu viu.
    Parabéns pela categoria.
    abraço
    artemilson


  3. camará, não preciso nem dizer que suas observações beiram a perfeição da percepção… uma hora a ficha cai na província!

  4. carlos nobre24/1/2010 às 17:13

    Natal está parada. A cidade vive um “silêncio burocrático”. Nada funciona. E fica somente o vazio discurso dos gestores. NATAL É UMA CIDADE CAÓTICA, SIMPLESMENTE MEDÍOCRE.

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