29 jan
A longa noite da bola.
- 29 de janeiro de 2010, as 15h15
As vezes eu me pergunto se não seria melhor deixar de torcer por times de futebol.
Talvez fosse esteticamente mais saudável assistir apenas aqueles jogos que pudessem ser classificados tecnicamente como execuções artísticas. Jogos com emoção e beleza que me fizessem pensar durante 90 minutos que a vida fosse algo mais do que esse conjunto pouco coerente de acasos e tediosidades que embalam a vida de um homem perto dos quarenta, em uma metrópole do século XXI.
Mas, não, não é possível! Eu tenho de torcer! Tenho que padecer dessa estranha doença, na maioria das vezes masculina, e que, em alguns casos, pode ser causar sérios riscos a integridade física e a saúde mental dos homens de boa vontade.
Uma das minhas loucuras de torcedor essa semana foi sair com meu filho Uriel, meu pai Franklin Capistrano, Bruno e Dinarte Lopes (torcedor do Sport de Recife) para o Machadão em plena quarta feira de fim de veraneio assistir América e Santa Cruz pelo campeonato estadual.
Apesar de ser professor do IFRN em Santa Cruz e de, por causa disso, assumir nesse caso as cores da cidade em diversos aspectos afetivos e ideológicos, quando o negócio é futebol não consigo deixar de torcer pelo América.
Mas eu vou confessar: caralho! como é difícil assistir um jogo nesse estadual!
Quer dizer… a não ser que você goste de jogos sem técnica, com muito pouca tática, quase nenhuma garra e com o preparo físico dos jogadores com prazo de validade até os 30 do primeiro tempo.
Eu sei que muita gente já explicou… os clubes da capital preferem investir no brasileirão, por isso não armam um plantel vistoso aos olhos mais exigentes para dar conta do campeonato potiguar. Isso pode até atestar matematicamente o fato de que nos últimos anos os times ditos “do interior” andam peitando os tradicionais rivais da capital, ABC e América (o que de certa forma até é bom, para dinamizar um pouco as emoções e imprevisibilidades nos estaduais).
O fato é que eu, que nunca vi um Barcelona e Real Madrid no Santiago Bernabéu tenho que me contentar mesmo é com essa longa noite da bola que alguns chamam de campeonato estadual. Paciência, paciência, paciência…