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	<title>Comentários sobre: Gerra sem gordura trans.</title>
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		<title>Por: Gustavo</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2010/03/10/gerra-sem-gordura-trans/comment-page-1/#comment-217</link>
		<dc:creator>Gustavo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 21:44:00 +0000</pubDate>
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		<description>Bom, vamos lá.  Talvez não adiante nada, mas é sempre bom marcar posição.

David, eu sei de que lado Pablo está. Ele também sabe.  A diferença é que ele não assume. Esta é a nossa diferença.

Vc diz não gosar de rótulos, mas que não consegue “enchergar (sic) democracia, liberdade, ou respeito aos direitos humanos no sistema capitalista, no governo direitista, conservador, no neoliberalismo” etc. etc. Ok, respeito essa sua opinião. Respeito mais ainda sua coragem de dizer isso abertamente, no que vc difere do Pablo. Apenas me diga, então: que país não-capitalista, não-direitista, não-conservador, não-neoliberal (sic) é ou foi um dia, ao mesmo tempo, uma democracia política, com liberdade de expressão e de consciência? Por favor me responda, se puder. 

Não gosta de vendedores?  Eu também não gosto. Gostaria menos ainda se eu não tivesse a liberdade de escolher comprar ou não, e de quem comprar.  Em regimes totalitários, como o comunismo, essa liberdade, assim como todas as outras liberdades individuais, simplesmente não existe.  Acho que vc já ouviu falar na URSS, não?

Mas estou perdendo meu tempo. Nem vou tentar rebater o que diz o David. Quem defende estrovengas totalitárias como a CONFECON – uma clara tentativa de tutelar a imprensa, à moda chavista –, que afirma que o uso legal da força pelo Estado democrático de direito contra grevistas baderneiros é uma “prática necrófila”, que afirma que chamar os criminosos do MST de criminosos é “criminalizar os movimentos sociais” e que admira Cuba como “exemplo de respeito à dignidade humana” (???!!!) não precisa de resposta, precisa de ajuda psiquiátrica.  Mas um mérito pelo menos ele tem: ele não esconde o que pensa sob a capa de uma retórica relativista.  A visão do David é míope, eu diria mesmo cretina e idiota, mas é pelo menos honesta. A sua, Pablo, não tem sequer esse mérito. &lt;strong&gt;Eu sou carne e o David é frango, mas vc prefere ser chester.&lt;/strong&gt; 

&lt;strong&gt;( Intervenção do Pablo: È uma pena Gustavo que você tenha que apelar para esse exediente em uma argumentação. Esse tipo de desqualificação chula empobrece mais ainda seu pensamento)&lt;/strong&gt;


Entendo, Pablo, que vc não queira assumir globalmente nenhuma legenda.  Vc é que não entendeu, ou finge não entender, que minha crítica não é ao fato de vc se declarar um relativista, niilista, heideggeriano etc.: é, sim, ao fato de vc restringir esse relativismo a um lado apenas.  Vou repetir apenas um exemplo que dei.

Falei do Foro de São Paulo, uma entidade real, cuja existência e fins estão amplamente documentados, que foi criada por Lula e Fidel Castro em 1990.  Trata-se de um fato, portanto, algo cuja existência está além da sua ou da minha vontade. Vc disse que o FSP é uma ficção comparável aos “Protocolos dos Sábios de Sião”. Vc disse também que o “PIG” (“partido da imprensa burguesa”) é uma realidade.  Segundo essa sua “interpretação”, seletivamente relativista, o FSP não existe, mas o PIG, sim. Ou seja: um fato não lhe agrada, e vc diz que ele não existe.  Se ele for conveniente a uma certa visão ideológica, que é a sua, mas que vc não ousa dizer, então é verdadeiro.


Lembro que alguns anos atrás tive com vc um debate interessante sobre Cuba.  Recordo que deixei bem clara minha opinião (“interpretação”, vc diria) sobre o tirano Fidel Castro e como ele arruinou um país e hipnotizou gerações inteiras de idiotas latino-americanos.  Deixei claro que condenar a ditadura castrista era uma obrigação moral de qualquer pessoa decente e humanista. Sua resposta: &quot;não quero dar uma opinião sobre isso&quot; (lembro que vc até comparou o debate sobre Cuba a uma dispura entre vascaínos e flamenguistas...).  Comentei em meu blog sobre a questão, e fiz a pergunta: se fosse Pinochet, e não Fidel, vc diria que a condenação à ditadura é ou não uma obrigação moral?  Até agora não tive resposta.
     
Isso, Pablo, chama-se duplo padrão moral.  Uma atitude &lt;strong&gt;intelectualmente desonesta,&lt;/strong&gt; para dizer o mínimo.

&lt;strong&gt;(Intervenção do Pablo: Acho que aqui também você perdeu um pouco a compostura e me agrediu em um sentido que ultrapassa as ideias. Ao me considerar intelectualmente desonesto você atenta de certa forma contra a minha honra e minha integridade moral. Gostaria de um pedido de desculpas, tendo em vista que eu nunca atentei contra a sua integridade moral em nossas discussões)&lt;/strong&gt;

Em outras palavras: eu condenei e condeno ambos os ditadores, jogo lama, cuspo neles. E vc, pode fazer o mesmo?  E se condena um, por que não condena o outro?

Veja que eu até admito que vc não condene nenhum dos dois, e se feche em copas numa torre de marfim filosófico-relativista. O que não dá pra entender é considerar a condenação de um deles uma obrigação moral (o que de fato é), mas a de outro, um &quot;extremismo de direita&quot;, &quot;resquício da guerra fria&quot; etc.

O mesmo pode ser dito do nazismo e do comunismo. Para mim, são ambas ideologias totalitárias e anti-humanistas.  Condeno-as com igual fervor.  E vc?

Vc diz que concorda com algumas coisas e com outras não, como se a realidade fosse uma espécie de supermercado em que se poderia escolher essa ou aquela posição, ter esse ou aquele ponto de vista, fazer uma salada, e isso não teria nenhuma conseqüência.  Talvez por vc ser filósofo, vc acredita que as idéias podem ser reduzidas a um nível totalmente abstrato de subjetividade, sem qualquer peso na realidade. Acontece que elas têm peso, sim.  Por mais que se tente fugir da realidade, ela sempre termina nos alcançando.

Seus elogios ao governo Lula, em especial à sua política social “melhor do que a de FHC”, demonstram claramente uma preferência ideológica de sua parte. Somente alguém comprometido ideologicamente com um viés estatista e antiliberal poderia criticar um governo por “vender o patrimônio público a preço de banana”, o que é, aliás, uma tremenda balela, e rasgar seda para um governo que transformou o assistencialismo e o coronelismo em políticas oficiais.  Sem falar que, no caso da política externa lulista, o caso do Irã é apenas um entre tantos outros (cito Cuba, Venezuela e Honduras, para ficar nos mais importantes), que seguem um padrão ideológico.
  
Repito: o que não “entendo” é como alguém que se diz relativista só o é para a esquerda, e não para a direita.  

Não é preciso “adotar uma visão de mundo e um conjunto sistemático de crenças” para ter uma opinião minimamente coerente.  Basta ter honestidade intelectual.  Eu, por exemplo, não concordo 100%, talvez nem 50%, com o que dizem pensadores conservadores e de direita em alguns temas (religião, por exemplo). Mas nem por isso deixo de me identificar como liberal-democrata, anti-estatista, anti-comunista, pró-liberdade e direitos humanos.  Isso porque, mais do que as diferenças que me separam desses autores, sou unido a eles por um denominador comum político e moral – a defesa da democracia e da liberdade individual, valores universais.  Adotar uma postura relativista a respeito desses valores, a meu ver, é o mesmo que negá-los.  E isso SIM corresponde a uma visão de mundo – a visão de mundo pró-totalitária.

Não sou “absolutista” (a partir de agora vou adotar o rótulo, pois minha visão sobre liberdade é mesmo absoluta e não admite relativizações) porque eu teria dificuldades em compreender “como alguém pode ter interpretações sem usar um dos dois sistemas de crenças que ele [eu] conhece (direita e esquerda)”.  Parece que aqui vc, Pablo, é que não entendeu o que eu escrevi. Lendo o que vc  diz, fica parecendo que eu não consigo enxergar nada além da dicotomia direita-esquerda.  Não é nada disso.  Tudo que venho dizendo é que é possível, mesmo sem ser “de esquerda”, referendar as posições identificadas com esta corrente ideológica.  Basta relativizar, por exemplo, a realidade de regimes como o cubano, o que vc, Pablo, faz à larga.  (Certamente vc, Pablo, não conhece as expressões “inocente útil” e “companheiro de viagem”.) Sem falar que, se formos adotar as definições clássicas de direita e esquerda, eu estaria à sua esquerda, pois considero o regime teocrático iraniano uma aberração, enquanto vc tem uma “interpretação” diferente e mais condescendente em relação à tirania dos aiatolás.
 
Não Pablo, não acho que vc seja um “esquerdista enrustido”.  Pelo que vc tem escrito, vc não é enrustido: é de esquerda mesmo.  Só que, sabe-se lá por quê, não tem coragem ou disposição de dizê-lo francamente. E se ampara no relativismo para fugir a essa realidade. Só que vc se trai, quando o cacoete esquerdista se manifesta na forma seletiva com que vc trata, com base numa visão relativista, regimes “de esquerda” e “de direita”. Vc já caiu nessa contradição diversas vezes.
   
A diferença entre minha posição e a sua é que eu não me escondo por trás desse palavreado.  E tenho, sim, consciência do mecanismo que me leva a pensar dessa forma.  Já quanto a vc, não tenho certeza.

Não acho nosso debate frustrante. Pelo contrário: acho que está sendo bastante revelador. Pelo menos para mim, está sendo bastante elucidativo.

&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Intervenção do Pablo: Gustavo, você não tem um interesse real de compreender o que eu escrevo. Você lê e distorce o que eu escrevo para encaixar meu texto naquilo que você pensa sobre minhas ideias. Não há interesse real seu em compreender minha posição. Você precisa me reduzir e me simplificar para que eu possa fazer sentido justamente a esse sistema de crenças que você adota. Até ai tudo bem, mas acho que nesse seu comentário você cruzou um limite que eu não gostaria que fosse ultrapassado nesse site. Você me acusou de ser desonesto intelectualmente (isso me ofendeu). O que de certa forma torna nossa discussão inutil, porque se eu sou intelectualmente desonesto não adianta nada que você escreva  aqui nem é interesante que você perca seu tempo me lendo. acho que uma atitude  coerente sua seria assumir que não se pode nem se deve  dialogar com gente intelectualmente desonesta porque um dos pressupostos para uma discussão justa e construtiva é a confiança na honestidade intelectual dos interlocutores. Se isso não acontece é inútil continuar conversando. Uma sugestão seria a de um pedido formal de desculpas ou que você poderia responder a meus textos em seu blog, agindo de modo a desmascarar para seus poucos leitores essa minha &quot;desonestidade intelectual&quot;. Como eu sou filho de sertanejos e aprendi que não se deve onfender os anfitriões em sua própria casa espero que você reveja sua posição em relação a isso. Que a paz te acompanhe e boa sorte na sua cruzada&lt;/strong&gt; </description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bom, vamos lá.  Talvez não adiante nada, mas é sempre bom marcar posição.</p>
<p>David, eu sei de que lado Pablo está. Ele também sabe.  A diferença é que ele não assume. Esta é a nossa diferença.</p>
<p>Vc diz não gosar de rótulos, mas que não consegue “enchergar (sic) democracia, liberdade, ou respeito aos direitos humanos no sistema capitalista, no governo direitista, conservador, no neoliberalismo” etc. etc. Ok, respeito essa sua opinião. Respeito mais ainda sua coragem de dizer isso abertamente, no que vc difere do Pablo. Apenas me diga, então: que país não-capitalista, não-direitista, não-conservador, não-neoliberal (sic) é ou foi um dia, ao mesmo tempo, uma democracia política, com liberdade de expressão e de consciência? Por favor me responda, se puder. </p>
<p>Não gosta de vendedores?  Eu também não gosto. Gostaria menos ainda se eu não tivesse a liberdade de escolher comprar ou não, e de quem comprar.  Em regimes totalitários, como o comunismo, essa liberdade, assim como todas as outras liberdades individuais, simplesmente não existe.  Acho que vc já ouviu falar na URSS, não?</p>
<p>Mas estou perdendo meu tempo. Nem vou tentar rebater o que diz o David. Quem defende estrovengas totalitárias como a CONFECON – uma clara tentativa de tutelar a imprensa, à moda chavista –, que afirma que o uso legal da força pelo Estado democrático de direito contra grevistas baderneiros é uma “prática necrófila”, que afirma que chamar os criminosos do MST de criminosos é “criminalizar os movimentos sociais” e que admira Cuba como “exemplo de respeito à dignidade humana” (???!!!) não precisa de resposta, precisa de ajuda psiquiátrica.  Mas um mérito pelo menos ele tem: ele não esconde o que pensa sob a capa de uma retórica relativista.  A visão do David é míope, eu diria mesmo cretina e idiota, mas é pelo menos honesta. A sua, Pablo, não tem sequer esse mérito. <strong>Eu sou carne e o David é frango, mas vc prefere ser chester.</strong> </p>
<p><strong>( Intervenção do Pablo: È uma pena Gustavo que você tenha que apelar para esse exediente em uma argumentação. Esse tipo de desqualificação chula empobrece mais ainda seu pensamento)</strong></p>
<p>Entendo, Pablo, que vc não queira assumir globalmente nenhuma legenda.  Vc é que não entendeu, ou finge não entender, que minha crítica não é ao fato de vc se declarar um relativista, niilista, heideggeriano etc.: é, sim, ao fato de vc restringir esse relativismo a um lado apenas.  Vou repetir apenas um exemplo que dei.</p>
<p>Falei do Foro de São Paulo, uma entidade real, cuja existência e fins estão amplamente documentados, que foi criada por Lula e Fidel Castro em 1990.  Trata-se de um fato, portanto, algo cuja existência está além da sua ou da minha vontade. Vc disse que o FSP é uma ficção comparável aos “Protocolos dos Sábios de Sião”. Vc disse também que o “PIG” (“partido da imprensa burguesa”) é uma realidade.  Segundo essa sua “interpretação”, seletivamente relativista, o FSP não existe, mas o PIG, sim. Ou seja: um fato não lhe agrada, e vc diz que ele não existe.  Se ele for conveniente a uma certa visão ideológica, que é a sua, mas que vc não ousa dizer, então é verdadeiro.</p>
<p>Lembro que alguns anos atrás tive com vc um debate interessante sobre Cuba.  Recordo que deixei bem clara minha opinião (“interpretação”, vc diria) sobre o tirano Fidel Castro e como ele arruinou um país e hipnotizou gerações inteiras de idiotas latino-americanos.  Deixei claro que condenar a ditadura castrista era uma obrigação moral de qualquer pessoa decente e humanista. Sua resposta: &#8220;não quero dar uma opinião sobre isso&#8221; (lembro que vc até comparou o debate sobre Cuba a uma dispura entre vascaínos e flamenguistas&#8230;).  Comentei em meu blog sobre a questão, e fiz a pergunta: se fosse Pinochet, e não Fidel, vc diria que a condenação à ditadura é ou não uma obrigação moral?  Até agora não tive resposta.</p>
<p>Isso, Pablo, chama-se duplo padrão moral.  Uma atitude <strong>intelectualmente desonesta,</strong> para dizer o mínimo.</p>
<p><strong>(Intervenção do Pablo: Acho que aqui também você perdeu um pouco a compostura e me agrediu em um sentido que ultrapassa as ideias. Ao me considerar intelectualmente desonesto você atenta de certa forma contra a minha honra e minha integridade moral. Gostaria de um pedido de desculpas, tendo em vista que eu nunca atentei contra a sua integridade moral em nossas discussões)</strong></p>
<p>Em outras palavras: eu condenei e condeno ambos os ditadores, jogo lama, cuspo neles. E vc, pode fazer o mesmo?  E se condena um, por que não condena o outro?</p>
<p>Veja que eu até admito que vc não condene nenhum dos dois, e se feche em copas numa torre de marfim filosófico-relativista. O que não dá pra entender é considerar a condenação de um deles uma obrigação moral (o que de fato é), mas a de outro, um &#8220;extremismo de direita&#8221;, &#8220;resquício da guerra fria&#8221; etc.</p>
<p>O mesmo pode ser dito do nazismo e do comunismo. Para mim, são ambas ideologias totalitárias e anti-humanistas.  Condeno-as com igual fervor.  E vc?</p>
<p>Vc diz que concorda com algumas coisas e com outras não, como se a realidade fosse uma espécie de supermercado em que se poderia escolher essa ou aquela posição, ter esse ou aquele ponto de vista, fazer uma salada, e isso não teria nenhuma conseqüência.  Talvez por vc ser filósofo, vc acredita que as idéias podem ser reduzidas a um nível totalmente abstrato de subjetividade, sem qualquer peso na realidade. Acontece que elas têm peso, sim.  Por mais que se tente fugir da realidade, ela sempre termina nos alcançando.</p>
<p>Seus elogios ao governo Lula, em especial à sua política social “melhor do que a de FHC”, demonstram claramente uma preferência ideológica de sua parte. Somente alguém comprometido ideologicamente com um viés estatista e antiliberal poderia criticar um governo por “vender o patrimônio público a preço de banana”, o que é, aliás, uma tremenda balela, e rasgar seda para um governo que transformou o assistencialismo e o coronelismo em políticas oficiais.  Sem falar que, no caso da política externa lulista, o caso do Irã é apenas um entre tantos outros (cito Cuba, Venezuela e Honduras, para ficar nos mais importantes), que seguem um padrão ideológico.</p>
<p>Repito: o que não “entendo” é como alguém que se diz relativista só o é para a esquerda, e não para a direita.  </p>
<p>Não é preciso “adotar uma visão de mundo e um conjunto sistemático de crenças” para ter uma opinião minimamente coerente.  Basta ter honestidade intelectual.  Eu, por exemplo, não concordo 100%, talvez nem 50%, com o que dizem pensadores conservadores e de direita em alguns temas (religião, por exemplo). Mas nem por isso deixo de me identificar como liberal-democrata, anti-estatista, anti-comunista, pró-liberdade e direitos humanos.  Isso porque, mais do que as diferenças que me separam desses autores, sou unido a eles por um denominador comum político e moral – a defesa da democracia e da liberdade individual, valores universais.  Adotar uma postura relativista a respeito desses valores, a meu ver, é o mesmo que negá-los.  E isso SIM corresponde a uma visão de mundo – a visão de mundo pró-totalitária.</p>
<p>Não sou “absolutista” (a partir de agora vou adotar o rótulo, pois minha visão sobre liberdade é mesmo absoluta e não admite relativizações) porque eu teria dificuldades em compreender “como alguém pode ter interpretações sem usar um dos dois sistemas de crenças que ele [eu] conhece (direita e esquerda)”.  Parece que aqui vc, Pablo, é que não entendeu o que eu escrevi. Lendo o que vc  diz, fica parecendo que eu não consigo enxergar nada além da dicotomia direita-esquerda.  Não é nada disso.  Tudo que venho dizendo é que é possível, mesmo sem ser “de esquerda”, referendar as posições identificadas com esta corrente ideológica.  Basta relativizar, por exemplo, a realidade de regimes como o cubano, o que vc, Pablo, faz à larga.  (Certamente vc, Pablo, não conhece as expressões “inocente útil” e “companheiro de viagem”.) Sem falar que, se formos adotar as definições clássicas de direita e esquerda, eu estaria à sua esquerda, pois considero o regime teocrático iraniano uma aberração, enquanto vc tem uma “interpretação” diferente e mais condescendente em relação à tirania dos aiatolás.</p>
<p>Não Pablo, não acho que vc seja um “esquerdista enrustido”.  Pelo que vc tem escrito, vc não é enrustido: é de esquerda mesmo.  Só que, sabe-se lá por quê, não tem coragem ou disposição de dizê-lo francamente. E se ampara no relativismo para fugir a essa realidade. Só que vc se trai, quando o cacoete esquerdista se manifesta na forma seletiva com que vc trata, com base numa visão relativista, regimes “de esquerda” e “de direita”. Vc já caiu nessa contradição diversas vezes.</p>
<p>A diferença entre minha posição e a sua é que eu não me escondo por trás desse palavreado.  E tenho, sim, consciência do mecanismo que me leva a pensar dessa forma.  Já quanto a vc, não tenho certeza.</p>
<p>Não acho nosso debate frustrante. Pelo contrário: acho que está sendo bastante revelador. Pelo menos para mim, está sendo bastante elucidativo.</p>
<p> <strong>Intervenção do Pablo: Gustavo, você não tem um interesse real de compreender o que eu escrevo. Você lê e distorce o que eu escrevo para encaixar meu texto naquilo que você pensa sobre minhas ideias. Não há interesse real seu em compreender minha posição. Você precisa me reduzir e me simplificar para que eu possa fazer sentido justamente a esse sistema de crenças que você adota. Até ai tudo bem, mas acho que nesse seu comentário você cruzou um limite que eu não gostaria que fosse ultrapassado nesse site. Você me acusou de ser desonesto intelectualmente (isso me ofendeu). O que de certa forma torna nossa discussão inutil, porque se eu sou intelectualmente desonesto não adianta nada que você escreva  aqui nem é interesante que você perca seu tempo me lendo. acho que uma atitude  coerente sua seria assumir que não se pode nem se deve  dialogar com gente intelectualmente desonesta porque um dos pressupostos para uma discussão justa e construtiva é a confiança na honestidade intelectual dos interlocutores. Se isso não acontece é inútil continuar conversando. Uma sugestão seria a de um pedido formal de desculpas ou que você poderia responder a meus textos em seu blog, agindo de modo a desmascarar para seus poucos leitores essa minha &#8220;desonestidade intelectual&#8221;. Como eu sou filho de sertanejos e aprendi que não se deve onfender os anfitriões em sua própria casa espero que você reveja sua posição em relação a isso. Que a paz te acompanhe e boa sorte na sua cruzada</strong></p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Pablo Capistrano</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2010/03/10/gerra-sem-gordura-trans/comment-page-1/#comment-212</link>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 14:28:38 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.pablocapistrano.com.br/?p=445#comment-212</guid>
		<description>Não David, não ouvi falar sobre essa pedagogia jurídica emancipatória.
Tem a ver com o Paulo Freire?

Acho que há uma diferença em doutrinar e se posicionar. Acho que quando alguém apresenta um contexto está oferecendo um recorte interpretativo especifico, se você pensa isso como um direcionamento eu concordo com você. Não há como ser neutro, mas é possivel não ser neutro sem ser dogmático. Essa é a grande questão. Não sei se você lembra mas eu geralmente apresentava vários autores quando dava minhas aulas (mais especificamente as de filosofia do Direito). Eu tomava o cuidado de apresentar autores que defendiam posições diferentes sobre temas específicos. Por exemplo, falava sobre Platão e sobre Kelsen e discutia a ideia de justiça dos dois. Quando eu apresentava a aula eu assumia a posição do autor e defendia seu ponto de vista.

Os alunos achavam que eu pensava como Platão, mas ai quando eu dava a aula de Kelsen e assumia sua posição em relação a justiça muitos se assustavam porque achavam que havia alguma contradição. Como eu podia ter apresentado a ideia de Platão sobre a Justiça e depois a de Kelsen? 

O que realmente eu pretendia era permitir confrontasse os dois pontos de vista, que ele percebesse a diferença e tentasse encontrar a semelhança, que ele pudesse pensar e assumir sua posição a partir do que foi posto. Isso é assumir uma postura política da minha parte. Acho que eu agia politicamente ao tentar fazer com que os alunos pudessem emancipar o próprio pensamento. 

Bem, não sei se eu conseguia isso, mas acho que eu não me posicionava de forma neutra.
Acho que o efeito emancipatório da minha ação como professor seria limitado se eu apenas discorresse sobre aquilo que eu penso. Principalmente em uma graduação. Se estivessemos em uma pós, mestrado ou doutorado eu poderia me dar ao luxo de apenas expor minhas ideias e meus posicionamentos.

Mas acho que isso não seria justo em uma turma de graduação, ou mesmo no ensino médio.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não David, não ouvi falar sobre essa pedagogia jurídica emancipatória.<br />
Tem a ver com o Paulo Freire?</p>
<p>Acho que há uma diferença em doutrinar e se posicionar. Acho que quando alguém apresenta um contexto está oferecendo um recorte interpretativo especifico, se você pensa isso como um direcionamento eu concordo com você. Não há como ser neutro, mas é possivel não ser neutro sem ser dogmático. Essa é a grande questão. Não sei se você lembra mas eu geralmente apresentava vários autores quando dava minhas aulas (mais especificamente as de filosofia do Direito). Eu tomava o cuidado de apresentar autores que defendiam posições diferentes sobre temas específicos. Por exemplo, falava sobre Platão e sobre Kelsen e discutia a ideia de justiça dos dois. Quando eu apresentava a aula eu assumia a posição do autor e defendia seu ponto de vista.</p>
<p>Os alunos achavam que eu pensava como Platão, mas ai quando eu dava a aula de Kelsen e assumia sua posição em relação a justiça muitos se assustavam porque achavam que havia alguma contradição. Como eu podia ter apresentado a ideia de Platão sobre a Justiça e depois a de Kelsen? </p>
<p>O que realmente eu pretendia era permitir confrontasse os dois pontos de vista, que ele percebesse a diferença e tentasse encontrar a semelhança, que ele pudesse pensar e assumir sua posição a partir do que foi posto. Isso é assumir uma postura política da minha parte. Acho que eu agia politicamente ao tentar fazer com que os alunos pudessem emancipar o próprio pensamento. </p>
<p>Bem, não sei se eu conseguia isso, mas acho que eu não me posicionava de forma neutra.<br />
Acho que o efeito emancipatório da minha ação como professor seria limitado se eu apenas discorresse sobre aquilo que eu penso. Principalmente em uma graduação. Se estivessemos em uma pós, mestrado ou doutorado eu poderia me dar ao luxo de apenas expor minhas ideias e meus posicionamentos.</p>
<p>Mas acho que isso não seria justo em uma turma de graduação, ou mesmo no ensino médio.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: David Fonseca</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2010/03/10/gerra-sem-gordura-trans/comment-page-1/#comment-211</link>
		<dc:creator>David Fonseca</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 13:24:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.pablocapistrano.com.br/?p=445#comment-211</guid>
		<description>“A pedagogia neoliberal é uma pedagogia de exclusão justamente porque reduz o 
pedagógico ao estritamente pedagógico, buscando retirar da pedagogia a sua essência 
política.” (Paulo Freire). 

Entendo sua posição em sala de aula. 
Te considero o melhor professor que já tive; se tornou uma lenda para os 
estudantes que tiveram o prazer de assistir uma de suas aulas; e te digo que 
só continuo no curso de Direito por uma frase dita por você, algo mais ou menos assim 
&quot;Mesmo que um dia você perca a esperança em mudar o Direito, nunca perca a consciência 
de que ele pode ser mudado&quot;. Mas isso não deixa de ser doutrina meu caro, e você doutrinou
muita gente. 
O que me incomoda em alguns professores maravilhosos como você, é que justamente por 
serem bons 
resolvem se manter neutros, deixando o caminho aberto para que os alunos &quot;possam tomar 
livrimente suas posições&quot;. Sabe qual é o problema Pablo? É que os péssimos professores 
não fazem o mesmo, e acabam bombardeando os mesmos alunos com ideais reacionários, limitados,
tratando a educação, de forma incosciente ou não, como um mero depósito bancário, 
um depósito
de saber. A partir do momento em que um professor indica um livro aos seus alunos, a 
depender da maneira como ele vai trabalhar tal material, ele está
doutrinando, não acha? 
Já peguei discurssão com professor em sala de aula por ocultarem determinados fatos de
suas falas reacionárias, por fazerem deboche de outros, ou por mentirem discaradamente como se estivessem
se estivéssem diante de uma turma de bobos, que nada sabem. Acredito que neutralidade
seja abordar um tema, mas analisar todo o seu contexto, e não apenas jogar uma informação
superficial. Quando tais professores percebem que não estão
lidando com o vazio, quando escutam tais críticas, colocam o rabo entre as pernas.

Os favoráveis a educação necrófila não perdem tempo em doutrinar de forma 
superficial e limitada seus alunos, os bons deviam fazer o mesmo, porém, doutrinar de forma
crítica, libertadora, humanista. Aí sim teriamos equilíbrio.

Um grande professor que tive o prazer de conhecer, chamado José Geraldo, atual reitor da UNB, aborda de forma
bastante clara
esse tema, ele chama de Pedagogia Jurídica Emancipatória, já ouviu falar?

Abraço.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>“A pedagogia neoliberal é uma pedagogia de exclusão justamente porque reduz o<br />
pedagógico ao estritamente pedagógico, buscando retirar da pedagogia a sua essência<br />
política.” (Paulo Freire). </p>
<p>Entendo sua posição em sala de aula.<br />
Te considero o melhor professor que já tive; se tornou uma lenda para os<br />
estudantes que tiveram o prazer de assistir uma de suas aulas; e te digo que<br />
só continuo no curso de Direito por uma frase dita por você, algo mais ou menos assim<br />
&#8220;Mesmo que um dia você perca a esperança em mudar o Direito, nunca perca a consciência<br />
de que ele pode ser mudado&#8221;. Mas isso não deixa de ser doutrina meu caro, e você doutrinou<br />
muita gente.<br />
O que me incomoda em alguns professores maravilhosos como você, é que justamente por<br />
serem bons<br />
resolvem se manter neutros, deixando o caminho aberto para que os alunos &#8220;possam tomar<br />
livrimente suas posições&#8221;. Sabe qual é o problema Pablo? É que os péssimos professores<br />
não fazem o mesmo, e acabam bombardeando os mesmos alunos com ideais reacionários, limitados,<br />
tratando a educação, de forma incosciente ou não, como um mero depósito bancário,<br />
um depósito<br />
de saber. A partir do momento em que um professor indica um livro aos seus alunos, a<br />
depender da maneira como ele vai trabalhar tal material, ele está<br />
doutrinando, não acha?<br />
Já peguei discurssão com professor em sala de aula por ocultarem determinados fatos de<br />
suas falas reacionárias, por fazerem deboche de outros, ou por mentirem discaradamente como se estivessem<br />
se estivéssem diante de uma turma de bobos, que nada sabem. Acredito que neutralidade<br />
seja abordar um tema, mas analisar todo o seu contexto, e não apenas jogar uma informação<br />
superficial. Quando tais professores percebem que não estão<br />
lidando com o vazio, quando escutam tais críticas, colocam o rabo entre as pernas.</p>
<p>Os favoráveis a educação necrófila não perdem tempo em doutrinar de forma<br />
superficial e limitada seus alunos, os bons deviam fazer o mesmo, porém, doutrinar de forma<br />
crítica, libertadora, humanista. Aí sim teriamos equilíbrio.</p>
<p>Um grande professor que tive o prazer de conhecer, chamado José Geraldo, atual reitor da UNB, aborda de forma<br />
bastante clara<br />
esse tema, ele chama de Pedagogia Jurídica Emancipatória, já ouviu falar?</p>
<p>Abraço.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Pablo Capistrano</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2010/03/10/gerra-sem-gordura-trans/comment-page-1/#comment-210</link>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 12:30:59 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.pablocapistrano.com.br/?p=445#comment-210</guid>
		<description>Bem David o que o Gustavo não consegue entender em relação a minha posição é que eu não assumo globalmente nenhuma agenda. 

Eu concordo com algumas coisas e com outras não, eu defendo alguns pontos de vista e outros não. 

Em relação ao governo Lula por exemplo, eu entendo que do ponto de vista de uma política social interna esse governo ultrapassa em muito o de FHC. veja o caso dos IFs. Quando FHC estava no poder, os CEFETS pelo Brasil não tinham verba nem para pagar a conta de luz. Houve um desamantelamento dos serviços públicos, que começou com Collor e se aprofundou no governo Fernando Henrique.

FHC faliu o pais com uma política fiscal alucinada entre 1994 e 1998, vendeu o patrimônio público a preço de banana para sustentar o rombo que sua política financeira havia produzido e só conseguiu se salvar de um colapso quando o FMI veio governar o país por ele (essa é uma interpretação do governo FH).

Prefiro interpretações pro Lula nesses aspectos, mas não gosto das posições do governo Lula em política externa. 
O caso do Irã para mim é um exemplo de uma política externa equivocada.

O que o Gustavo não consegue entender é que você pode tomar posições sobre as coisas sem adotar uma visão de mundo. 
É possivel fazer política sem metafísica (isso é herança do &quot;Niilismo&quot; pós-moderno que ele identificou no meu pensamento).
Eu não preciso adotar uma visão de mundo e um conjunto sistemático de crenças para interpretar o que ocorre ao meu redor.
Ele é absolutista porque filtra os acontecimentos a partir de um conjunto de crenças e ele não consegue compreender como alguém pode ter interpretações sem usar um dos dois sistemas de crenças que ele conhece (direta e esquerda), por isso ele tenta mostrar que eu sou uma espécie de &quot;esquerdista irrustido que precisa sair do armário&quot; eh eh eh.

Sei que é dificil se livrar da visão de mundo que filtra a tudo a partir de um sistema de crenças. A diferença entre a minha posição e a dele é que eu tento se livrar desse tipo de distorção e ele nem tem consciência dos mecanismos que levam a pensar dessa forma.

Você e ele podem discordar frontalmente, mas o que é estranho das minhas discussões com ele e que tornam as nossas polêmicas e as vezes frustantes é que temos uma discrepância estrtural.

ps.: importante também diferenciar minha posição aqui da minha posição em sala de aula. Na sala de aula eu tenho que tomar cuidado para não doutrinar ninguém por isso meu papel (de acordo com o que eu entendo) é o de expor os aspectos de uma questão para que os alunos tenham um quadro mais ou menos claro dos problemas e possam tomar livrimente suas posições.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Bem David o que o Gustavo não consegue entender em relação a minha posição é que eu não assumo globalmente nenhuma agenda. </p>
<p>Eu concordo com algumas coisas e com outras não, eu defendo alguns pontos de vista e outros não. </p>
<p>Em relação ao governo Lula por exemplo, eu entendo que do ponto de vista de uma política social interna esse governo ultrapassa em muito o de FHC. veja o caso dos IFs. Quando FHC estava no poder, os CEFETS pelo Brasil não tinham verba nem para pagar a conta de luz. Houve um desamantelamento dos serviços públicos, que começou com Collor e se aprofundou no governo Fernando Henrique.</p>
<p>FHC faliu o pais com uma política fiscal alucinada entre 1994 e 1998, vendeu o patrimônio público a preço de banana para sustentar o rombo que sua política financeira havia produzido e só conseguiu se salvar de um colapso quando o FMI veio governar o país por ele (essa é uma interpretação do governo FH).</p>
<p>Prefiro interpretações pro Lula nesses aspectos, mas não gosto das posições do governo Lula em política externa.<br />
O caso do Irã para mim é um exemplo de uma política externa equivocada.</p>
<p>O que o Gustavo não consegue entender é que você pode tomar posições sobre as coisas sem adotar uma visão de mundo.<br />
É possivel fazer política sem metafísica (isso é herança do &#8220;Niilismo&#8221; pós-moderno que ele identificou no meu pensamento).<br />
Eu não preciso adotar uma visão de mundo e um conjunto sistemático de crenças para interpretar o que ocorre ao meu redor.<br />
Ele é absolutista porque filtra os acontecimentos a partir de um conjunto de crenças e ele não consegue compreender como alguém pode ter interpretações sem usar um dos dois sistemas de crenças que ele conhece (direta e esquerda), por isso ele tenta mostrar que eu sou uma espécie de &#8220;esquerdista irrustido que precisa sair do armário&#8221; eh eh eh.</p>
<p>Sei que é dificil se livrar da visão de mundo que filtra a tudo a partir de um sistema de crenças. A diferença entre a minha posição e a dele é que eu tento se livrar desse tipo de distorção e ele nem tem consciência dos mecanismos que levam a pensar dessa forma.</p>
<p>Você e ele podem discordar frontalmente, mas o que é estranho das minhas discussões com ele e que tornam as nossas polêmicas e as vezes frustantes é que temos uma discrepância estrtural.</p>
<p>ps.: importante também diferenciar minha posição aqui da minha posição em sala de aula. Na sala de aula eu tenho que tomar cuidado para não doutrinar ninguém por isso meu papel (de acordo com o que eu entendo) é o de expor os aspectos de uma questão para que os alunos tenham um quadro mais ou menos claro dos problemas e possam tomar livrimente suas posições.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: David Fonseca</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2010/03/10/gerra-sem-gordura-trans/comment-page-1/#comment-209</link>
		<dc:creator>David Fonseca</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Mar 2010 06:13:00 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.pablocapistrano.com.br/?p=445#comment-209</guid>
		<description>Debate interessante. O Gustavo bem que se esforçou pra tentar tirá-lo de cima do muro! Fui seu aluno na FARN, e sempre levantei, juntamente com alguns colegas, a mesma questão &quot;de que lado Pablo está?&quot;.

Confesso que li todo o debate na esperança de encontrar essa resposta! Estava numa ansiedade tremenda por ouvir um &quot;sim, sou de esquerda, sou favorável ao governo Lula, reconheço os avanços, acredito que poderia ter sido melhor, mas que na atual conjuntura dos fatos, o PT ainda é a melhor opção que temos.&quot; 

Apesar de não gostar de rótulos, e de também não ter nenhum tipo de pensamento absolutista, não consigo enchergar democracía, liberdade, ou respeito aos direitos humanos no sistema capitalista, no governo direitista, conservador, no neoliberalismo. É onde há uma inversão de valores como amor, beleza, sucesso, prazer, saber,  transformado tudo em capital, tudo adaptado as forças e necessidades do mercado. Não suporto ligar a televisão e ter minha casa invadida por vendedores, que nos intervalos comerciais ou durante a própria programação, enchem meu cérebro com &quot;compre, compre, compre, isso é bonito, isso é feio, isso é sucesso, isso é estar antenado&quot;.

Não gosto de me rotular, mas se ser de direita é boicotar CONFECON, acusando o governo de ser contra a liberdade de impressa e expressão, então eu to do outro lado. 

Se ser de direita é adotar práticas necrófilas, como a repressão da polícia aos professores paulistas, então eu to do outro lado.

Se ser de direita é criminalizar os movimentos sociais, taxando estudante de vagabundo, sem-terra de oportunista, trabalhador de preguiçoso, e pobre de burro, então eu to do outro lado.

Se ser de direita é ser favorável ao despejo de 75 famílias de um latifúndio improdutivo em Touros, ateando fogo aos pertences das famílias, levando 6 ao hospital, então eu to do outro lado.

Pois para mim, &quot;liberdade e direitos humanos são princípios universais e inegociáveis&quot;.

Acho que isso é importante, saber de que lado está. 

Para afirmar sua tese relativista a respeito das interpretações dos fatos, veja que admiro Cuba, e para mim ali é um exemplo de respeito a dignidade humana. Afirmo isso me baseando em fatos, assim como o Gustavo, porém, ele tem uma idéia completamente contrária a minha. É tudo uma questão de valores!

Quanto a SUA posição relativa, entendo seu ponto de vista, e por isso acredito que você, Pablo, como professor, concursado, e ainda mais do IFRN, acaba por adotar, mesmo que relativamente, uma preferéncia pelo governo Lula. Pois você também conhece os &quot;fatos&quot;, já que está inserido neles.

Abraço!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Debate interessante. O Gustavo bem que se esforçou pra tentar tirá-lo de cima do muro! Fui seu aluno na FARN, e sempre levantei, juntamente com alguns colegas, a mesma questão &#8220;de que lado Pablo está?&#8221;.</p>
<p>Confesso que li todo o debate na esperança de encontrar essa resposta! Estava numa ansiedade tremenda por ouvir um &#8220;sim, sou de esquerda, sou favorável ao governo Lula, reconheço os avanços, acredito que poderia ter sido melhor, mas que na atual conjuntura dos fatos, o PT ainda é a melhor opção que temos.&#8221; </p>
<p>Apesar de não gostar de rótulos, e de também não ter nenhum tipo de pensamento absolutista, não consigo enchergar democracía, liberdade, ou respeito aos direitos humanos no sistema capitalista, no governo direitista, conservador, no neoliberalismo. É onde há uma inversão de valores como amor, beleza, sucesso, prazer, saber,  transformado tudo em capital, tudo adaptado as forças e necessidades do mercado. Não suporto ligar a televisão e ter minha casa invadida por vendedores, que nos intervalos comerciais ou durante a própria programação, enchem meu cérebro com &#8220;compre, compre, compre, isso é bonito, isso é feio, isso é sucesso, isso é estar antenado&#8221;.</p>
<p>Não gosto de me rotular, mas se ser de direita é boicotar CONFECON, acusando o governo de ser contra a liberdade de impressa e expressão, então eu to do outro lado. </p>
<p>Se ser de direita é adotar práticas necrófilas, como a repressão da polícia aos professores paulistas, então eu to do outro lado.</p>
<p>Se ser de direita é criminalizar os movimentos sociais, taxando estudante de vagabundo, sem-terra de oportunista, trabalhador de preguiçoso, e pobre de burro, então eu to do outro lado.</p>
<p>Se ser de direita é ser favorável ao despejo de 75 famílias de um latifúndio improdutivo em Touros, ateando fogo aos pertences das famílias, levando 6 ao hospital, então eu to do outro lado.</p>
<p>Pois para mim, &#8220;liberdade e direitos humanos são princípios universais e inegociáveis&#8221;.</p>
<p>Acho que isso é importante, saber de que lado está. </p>
<p>Para afirmar sua tese relativista a respeito das interpretações dos fatos, veja que admiro Cuba, e para mim ali é um exemplo de respeito a dignidade humana. Afirmo isso me baseando em fatos, assim como o Gustavo, porém, ele tem uma idéia completamente contrária a minha. É tudo uma questão de valores!</p>
<p>Quanto a SUA posição relativa, entendo seu ponto de vista, e por isso acredito que você, Pablo, como professor, concursado, e ainda mais do IFRN, acaba por adotar, mesmo que relativamente, uma preferéncia pelo governo Lula. Pois você também conhece os &#8220;fatos&#8221;, já que está inserido neles.</p>
<p>Abraço!</p>
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