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  • Pablo Capistrano
  • 05 de abril de 2010, as 10h10

Recebi hoje esse poema de presente de tio Antônio e resolvo socializar, a primeira vez que ouvi falar do Walfln foi pela boca do Eli Celso, em algum tempo entre 1995 e 1998.

Walflan de Queiroz [ in O livro de Tânia, 1963 ]

Eu venho de uma montanha, Tânia.
De uma montanha de fogo e de sombras,
De fogo como o sol e de sombras como a noite.

Venho de um vale, Tânia.
Um vale com mil flores brilhantes.
E todas estas flores eram tuas.

Venho de uma floresta, Tânia.
Uma floresta com apenas um pássaro.
Um pássaro azul como as águas do rio.

Venho de um lago também azul, Tânia.
Um lago tranquilo e sem rumores,
Com cisnes brancos, cisnes selvagens,
Selvagens como meu amor.

Eu venho do mar, Tânia.
Um mar sem praias e sem gaivotas,
Com uma ilha de carne,
E com o sangue de uma estrela.

Venho do deserto quente, Tânia.
Um deserto com ventos de areia,
E com monumentos que são sepulcros,
Onde enterro a minha solidão.

Publicado no Balaio Porreta 1986 – blog do meu amigo Moacir Cirne – Acesse esse blog, vale a pena. Conheci Walflan de Queiroz no início dos anos 60, ele era cunhado de Walter Pereira. Seu Walter era dono da Livraria Universitária, livraria na qual trabalhei como balconista durante 12 anos. Walflan, todos os dias ia a Livraria do seu cunhado e ao Café São Luiz, esses dois lugares era ponto de encontro de líricos e de loucos da nossa capital. Walflan, uma figura excêntrica, mas, eu gostava de conversar com ele. Walflan, era esquizofrênico, morreu internado em um hospital Psiquiátrico em Natal no dia 13 de agosto de 1995. Walflan nasceu em 31 de maio de 1930 na cidade de São Miguel. Portanto, esse ano completa 80 anos do seu nascimento. As professoras, Diva Cunha e Constân cia Duarte, no seus excelente trabalho “Literatura do Rio Grande do Norte – Antologia”, Fundação José Augusto – 2001, faz uma síntese da obra de Walflan de Queiroz. Eu tive, recentemente, notícia de uma tese de pós-graduação que está para sair sobre a vida e a obra de Walflan.

Antônio Capistrano


2 Comentários para “Walflan de Queiroz, direto do Blog do Moacir”


  1. Pablo, li “pequenas catástrofes” e me senti contemplada com as reviravoltas grandes que parecem ser desveladas, na minha mente e no seu livro, sobre a vala abissal que, vazia, separa (ou une??) realidade, ficção e a questão da linguagem. Então, me deparo com essa figura linda que é Walflan, “esquizofrênico” e recebo de presente essa quimera de um universo paralelo e afim: um poema para mim!!! (que pretensão e vaidade…)
    Prazer, eu me chamo Tânia…


  2. Just want to say what a great blog you got here!
    I’ve been around for quite a lot of time, but finally decided to show my appreciation of your work!

    Thumbs up, and keep it going!

    Cheers
    Christian, Satellite Direct Tv

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