04 jun
O peso da Bola
- 04 de junho de 2010, as 14h14
Essa história de ficar reclamando da bola vou te contar… a impressão que passa realmente é que os jogadores da seleção brasileira já estão preparando seus culpados para a derrota na copa. Isso é muito sintomático da psicologia do brasileiro. Nunca o Brasil foi derrotado por outra equipe. O Brasil sempre perde, ou para si mesmo, ou para algum efeito externo incontrolável.
Lembro nas olimpíadas de 1996 quando o Brasil perdeu para a Nigéria (se eu não me engano), lá estava Galvão Bueno reforçando esse discurso, dizendo o tempo inteiro que o vento estava atrapalhando o jogo do Brasil.
Em 1996 perdemos para o vento, como já perdemos para a altitude várias vezes, para o juiz e até para nós mesmos. Perdemos a partida contra a Itália em 1982 por causa de Toninho Cerezo que entregou a bola nos pés de Paolo Rossi para o segundo gol da Azurra. Perdemos para a França em 1986 porque Zico não fez aquele bendito pênalti, como perdemos para o Uruguai porque nosso goleiro, o pobre e injustiçado Barbosa falhou no segundo gol uruguaio. Perdemos em 1998 porque Rolando deu a bilola antes do jogo e entrou avariado do juízo para jogar a partida decisiva contra o time de Zidane. Sempre perdemos para nós mesmos ou para o mundo e suas circunstâncias imponderáveis. Nunca conseguimos admitir a obviedade de que o outro pode ser melhor, de que a outra seleção pode ter um jogador mais genial (como Maradona em 1990) ou um esquema tático mais sólido como a Holanda em 1974.
O grande problema disso tudo é que a nossa incapacidade de entender as próprias derrotas acaba por comprometer o entendimento de nossas vitórias. O Brasil é um país ciclotimico, bipolar, cujo povo aprendeu a oscilar o humor como um dependente químico na gangorra da euforia e da prostração. Não é a toa que somos movidos a álcool (não há droga mais bipolar que o álcool). Nos superdimensionamos na mesma medida em que também nos depreciamos coletivamente, ainda estamos tateando a construção de uma autoimagem coletiva mais exata, mais equilibrada e o futebol, nossa mais intensa tradução, espelha ainda esse estado de miopia sociopsicologica.
Um dia foi o vento, outro as alturas das montanhas nevadas… um dia qualquer será o frio, o calor, o campo, a grama, a torcida… espero que esse ano não seja a bola. Seria uma profunda descortesia para com aquela que, sendo bem tratada, tanta alegria e prazer deu aos brasileiros.
Um Comentário para “O peso da Bola”
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Como não temos nenhum jogador com capacidade plena em termos de técnica e habilidade,pois Kaká é um bom jogador, mas com características de contra ataque; é veloz, finalizador e gosta de triangulações. Ele não tem capacidade técnica refinada, não sabe cobrar faltas ou fazer 03 lançamentos longos por partida nem dá uma cavadinha pra enganar a zaga e deixar o atacante sozinho.Então, retornando, como não temos nenhum super jogador clássico ou técnico, essas críticas a bola mostram que os jogadores são pobres de espírito de copa e sábios ao desviarem a atenção pra o componente mais importante do futebol, e o ùnico que não sabe falar. Eles não sabem o tipo de bola usada em 1958, nem em 1930. Eles não sabem o nome do principal jogador da Coréia do Norte, eles ignoram tudo. Desconhecem a história do país, ou do continente, que mais se assemelha com a infância deles (refiro-me a pobreza, as limitações que muitos deles tiveram). A cada copa, podemos observar um descompromisso acumulativo ou alternado. Na copa passada, os figurões chegaram muito acima do peso, não estavam nem aí pra o sentimento do povo brasileiro -coisa que eles haviam esquecido, pois não sabiam mais o que é ter ansiedades e limites. Nesta copa, e há alguns dias atrás, Robinho não sabia nem o nome do adversário que o Brasil teria no amistoso que aconteceria em 04 dias. Este time carece de auto-análise, o próprio Robinho finge esquecer seus fracassosno Real madrid e City (onde foi reserva num grupo fraco). Os resultados da seleção foram bons, mas se houver uma contextualização deles, veremos que houve muita “sorte” ou coincidência em favor de um grupo por 03 anos, e vai que a coincidência decide mudar de lado? O Brasil venceu a Inglaterra por 1 a 0 num amistoso, o gol saiu aos 37 do segundo tempo e os ingleses jogaram sem sete titulares. O Brasil venceu a Itália duas vezes, Itália que perdeu pra o México e empatou com a Suiça, Itália que vive a pior entressafra e vai pra copa sem nenhum craque refinado (Desde 82 a Itália sempre teve um: Conti, Baggio, Del Piero, Totti). O Brasil ganhou do Uruguai em Montevidéu. E daí(?), a sofrível Argentina foi lá na ultima rodada das eliminatórias e ganhou da Celeste também. O Brasil foi o 1o lugar nas eliminatórias, empatando o ultimo jogo com a Venezuela e teve que torcer pra o Paraguai (em casa) não ganhar da Bolívia. O Brasil ganhou da Argentina lá dentro – bom e serve pra quebrar tabu -, mas Uruguai e Paraguai também não perderam em Buenos Aires, e até o Equador também não perdeu lá. O que quero dizer é que nossos resultados são bons (OLHA A BIPOLARIDADE AÍ…), mas nosso desempenho pode ser questionado sim. Muitos se privam de criticar a seleção se baseando nos três ultimos anos (esquecendo empates com Bolívia, Venezuela e Equador ,no Brasil e da desastrosa campanha nas Olimpíadas). Este grupo merece respeito pela dedicação, pela alma(alma sulamericana, e não brasileira futebolísticamente falando). É um grupo que joga no seu limite, principalmente físico, e é aí a grande questão. O condicionamento físico desta equipe não parece está no nível de suas atuações anteriores, contusões e desconfortos musculares tem trazido bastante dúvidas quanto a Juan, Kaká (o que mais precisa do físico), Júlio Cesar, Luís Fabiano, etc. Neste momento, os jogadores, de forma esperta, usam a bola realmente como companheira, tiram o peso de seus problemas no estágio atual do grupo, e atingem a bola da adidas (rival da nike e que ostenta o patrocínio da maioria das seleções top da copa). Alienígena, Patricinha, de Supermercado, quem agride a bola não terá a “sorte” dos deuses do futebol por muito tempo. E pra encerrar, perguntem aos holandeses o que eles tem achado da bola. Sneijder, Van Persie, Van der Vaart e Robben trataram muito bem a redondinha nos ùltimos 30 dias, e as redes adversárias é que poderiam reclamar dos gols.
