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  • Pablo Capistrano
  • 30 de junho de 2010, as 10h10

Pronto.

O Brasil passou para as quartas e agora a nação deve estar a caminho de seu delírio coletivo sazonal. Essa seleção nos leva a esses lugares estranhos. Em um jogo (como o contra Portugal) nos sentimos ofendidos, frustrados, com aquela sensação amarga de que estamos sendo enganados por um time sem vontade, sem criatividade, sem técnica, sem futebol. Em outro jogo (como o contra o Chile) os gols aparecem, a equipe mostra segurança, firmeza e o mundo parece que volta a sua ordem natural. Sentimos a previsibilidade das coisas, a estabilidade do cosmos, a constância tediosa dos fatos. Isso alivia nossa aflição em tempo de copa e a vida, junto com o humor do brasileiro, fica em alta.

Mas, bipolaridades à parte, é interessante pensar um pouco sobre esse mundial. As seleções africanas decepcionaram, jogando um futebol europeizado, abrindo mão de suas características fundamentais: a alegria e a habilidade de seus jogadores. È muito interessante comparar a seleção de Gana com a seleção de Camarões que chegou as quartas de final da copa de 1990. Se hoje os africanos são em sua maioria, jogadores de clubes europeus e se adaptaram de corpo e alma ao estilo do futebol força de nossos irmãos do norte, o time de Camarões de Roger Milá foi, em 1990, uma das poucas equipes que jogou alguma coisa parecida com futebol.

Em 2010 (como em 1990) a maioria das seleções européias parece perdida em meio a um amontoado de volantes de dois metros de altura e 110 kilos de músculos. Talvez por isso os times sul americanos estejam tão em alta nessas oitavas de Final (pela primeira vez, agora que o Paraguai acaba de bater a equipe do Japão nos pênaltis, haverão mais seleções sul americanas nas quartas de final do que européias). Das cinco seleções de nosso continente, quatro se classificaram em primeiro lugar em seus grupos. O Uruguai, Brasil e Paraguai jogando um futebol mais pragmático, mas com alguma lufada de criatividade aqui e acolá. A Argentina, jogando um futebol ofensivo em cima de seus talentos individuais.

Se o Brasil de Dunga é um time “italiano” que se firmou no contra ataque, a Argentina de Maradona parece um pouco com aqueles bons e velhos “brasis” de nossas nostalgias poéticas, baseado em certo caos tático, compensado pela habilidade e pela criatividade de seus jogadores. O Brasil não tem craques (Isso porque Kaká, com seu púbis ou seu quadril detonado – espero que ele não vá me acusar de preconceito religioso por causa disso – é apenas uma sombra do jogador que encantou o mundo no Milan). Se nossa Seleção ganhar essa copa será uma vitória germânica, italiana. Uma vitória da aplicação tática do grupo sobre as características individuais dos jogadores.

A Argentina, para o nosso desespero, parece ser o time que melhor representa a escola sul-americana de futebol. Isso, em uma copa vazia de genialidade e arte, faz muita diferença do ponto de vista da alegria de se assistir um jogo. Até a Holanda (a mais sul americana das seleções européias) conhecida por jogar um futebol bonito, ofensivo, está seguindo a mesma cartilha de Dunga nessa copa. Entrega a bola para o inimigo jogar, depois rouba a pelota na entrada da área e tome contra ataque. Um estilo que nos lembra o catenaccio italiano e que nos faz pensar que talvez o Brasil de Lúcio e a Holanda de Roben sejam mesmo a Argentina de 1986 e a Alemanha de 1974, disfarçados.

Não vou agourar a nossa querida Seleção porque não pretendo ser um “corta lombra” nessa época de delírios orgiaticos, de deslumbramentos etílicos e euforias patrióticas. O fato é que não há como negar, em tempo de copa, tem gente que torce pela Seleção e tem gente que torce pelo futebol. Infelizmente, nesse ano, esses dois tipos de torcedor estão em arquibancadas divergentes.


Um Comentário para “Uma copa das américas.”

  1. ANDRELUCIO RIBEIRO2/7/2010 às 17:47

    VOU ESCALAR JOGADORES QUE NÃO ESTAVAM NA COPA DA AFRICA E QUE SERVIRIAM PRA QUALQUER NAÇÃO, INCLUSIVE O NOSSO ELENCO,MAS FICARAM DE FORA POR OPÇÃO DO TREINADOR, PODE ANOTAR E GUARDAR ESTES NOMES:
    GOLEIROS DIEGO CAVALIERI E DIEGO ALVES. LATERAL ESQUERDO: MARCELO E RAMON E MAXWELL:ZAGA:T.SILVA E DAVID LUIZ. VOLANTES: HERNANES, LUCAS, JEAN, TIAGO MOTA. MEIAS: RONALDINHO GAUCHO, GANSO, DOUGLAS E WESLEY. ATACANTES: FRED, ALEXANDRE PATO, KLEBER GLADIADOR E NEYMAR.
    Ainda teriam Elias, Alex zagueiro e Alex cabeção, etc… Tenho certeza que este time faria uma boa campanha. Não podemos dizer que eles serão o nosso futuro,mas muitos destes que citei estarão logo na seleção brasileira. O que eu quis mostrar com essa relação é que não falta matéria prima. É verdade que não se tem como antes,mas não falta. Foi a linha de trabalho de Dunga que o fez optar por um número de jogadores fiéis a ele. Nossa seleção só poderia jogar daquela forma, diante da ausência de jogadores criativos. Fomos sem craque, o maior ficou de fora(Ronaldinho Gaucho). Se olharmos os ultimos 12meses, Ronnie foi superior a Kaká, mas não foi convocado pra seleção. Ganso não foi e não tinha nenhum jogador com característica igual. Pato é craque, foi preterido pq não falava muito. Marcelo é um lateral que rompe defesas, mas não foi convocado pq gosta muito de pagode e farra. Hernanes seria opção pra saída de bola e pra substituir Elano nas bolas paradas. O Brasil, do jeito que jogava, dependia muito dos escanteios e faltas cobradas pelo Elano. Lembrem da final da copa das confederações, do jogo contra o Uruguai e Paraguai. Hernanes seria muito útil.

    Depois falo mais…agora eu não consigo. obrigado!

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