19 jul
Eleições 2010.
- 19 de julho de 2010, as 11h11
Acabou o circo da copa, mas os que se animam com os grandes festivais públicos não precisam se desesperar, o circo das eleições já está na rua. Nesse ano esse circo deve ter (ao menos aqui no RN) um componente interessante. Não sei se você percebeu, mas desde 1982 todos os governadores eleitos nesse estado têm ou tiveram em algum momento sua base política fincada na grande Natal. José Agripino foi prefeito da capital, assim como Garibaldi Alves e Wilma de Faria. Geraldo Melo nunca governou a cidade dos reis, mas teve sua base política fincada e formada no chão doce do vale do Ceará Mirim.
Se retomarmos a história do nosso estado no século que passou, desde o momento em que os últimos suspiros da oligarquia dos Albuquerque Maranhão foram registrados nas crônicas políticas da nação, apenas o Seridó conseguiu encampar uma linhagem política tão duradoura na esfera do poder estadual. Dinarte Mariz, José Augusto Bezerra de Medeiros, Juvenal Lamartine de Faria e até o cigano Aluísio Alves tiveram seu histórico político construído à Leste do vale do Açu.
Hoje, pela primeira vez, desde que Dix-sept Rosado morreu em um trágico acidente aéreo, um candidato que tem sua base construída na cidade de Mossoró, tem chances reais de chegar ao poder.
Algumas pessoas podem argumentar, com muita razão, que isso não é motivo de esperança, afinal oligarquia por oligarquia o RN continua seguindo sua sina, sem avançar para o nível da moralidade pública, ainda agarrado ao estágio de uma sociedade familiar, como os gregos dos tempos homéricos (diagnosticados por Hegel como vivendo um pouco acima das hordas no quadro da evolução política da humanidade). Também não é preciso ser um mestre em genealogia para retomar a linha que unem Rosados e Maias em uma Paraíba cristã nova, povoada de marranos descendentes de Ambrósio Vieira (Conforme cita Paulo Valadares em seu livro A Presença Oculta a partir do brilhante trabalho do professor Marcos Filgueira).
Por isso o único efeito realmente transformador em uma provável eleição de Rosalba seria geopolítico. Pela primeira vez em muitas décadas Mossoró poderia superar Natal como pólo protagonista de uma eleição no estado, e isso se daria, vale salientar, muito mais pela incapacidade de Natal, nessa eleição, projetar uma liderança de alcance estadual do que pelo brilho próprio da ex-prefeita de Mossoró.
Carlos Eduardo poderia ser naturalmente essa liderança que como ex-prefeito da capital potiguar, carregaria o estandarte da tradição que reza ser o palácio Felipe Camarão um estágio preparatório para a governadoria. Mas Carlos Eduardo fez uma aposta que não lhe rendeu frutos. Ele pensou ser possível afastar-se de Wilma, inviabilizar a projeção de Rogério Marinho e contar com o apoio do PT para se lançar candidato. A aposta de Carlos Eduardo foi corajosa, como corajosa foram muitas de suas posições no tempo em que era prefeito da capital. Mas ele não contava com o sentido pouco firme da história e com a fragilidade do sentimento de gratidão em tempos de disputa pelo poder. O mesmo PT que recebeu de presente a candidatura de Fátima Bezerra para prefeita de Natal depois que Carlos Eduardo (de dentro do PSB) deu sua sinuca de bico em Rogério e Wilma, o abandonou de forma desconcertante.
Hoje, Carlos Eduardo, o ex-prefeito de Natal, não conta com o apoio do wilmismo que o levou a prefeitura da capital e tem que lutar sozinho, como um dia Wilma lutou. Hoje, mais do que nunca, Mossoró, a terra da resistência à lampião pode realizar sua destinação mítica de se tornar também, ao menos por alguns anos, a capital política do Rio Grande Norte. Resta saber se o eleitor de Natal vai concordar com essa articulação.
“dá-me mazal, echa-me a La mar”
2 Comentários para “Eleições 2010.”
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Já pensou se Carlos Eduardo consegue sua segunda sinuca de bico sozinho como Wilma em 2002? Bem, depois de Micarla em 2008, acredito em tudo aqui no estado.
Meu voto é dele.
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Pois é Emanuell, o problema é que Wilma em 2002, graças a posição (bem corajosa diga-se de passagem) do próprio Carlos Eduardo que rompeu com a familia e manteve o apoio a candidatura da ex-prefeita, contava com ao menos com o suporte da prefeitura de Natal.
Carlos hoje está realmente sozinho, como Wilma esteve em 1994.
