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  • Pablo Capistrano
  • 02 de setembro de 2010, as 12h12

A experiência do deserto foi descrita em inúmeras narrativas mitológicas e ela parece ter a ver com a iminência de uma desconstrução ou de uma iluminação.

 Há uma música judaica que fala sobre a ida ao deserto para o recebimento das tábuas da Lei. Na versão do grupo Mawaka, essa é uma música de alegria e de confiança.

Estar no deserto não é uma experiência agradável. Quem já andou em um estado de completa e total designificação sabe o que é essa náusea, esse mal estar, essa sensação de nulidade, esse flerte com o nada.

Sartre, Camus, Heidegger, Nietzsche tocaram nesse ponto, cada um a seu modo, com suas nomenclaturas filosóficas próprias.

Mas é possível pensar na dissolução da experiência do deserto a partir de uma retomada da confiança na alegria, na retenção do momento, na apreensão do infinito a partir do detalhe, do Eterno, a partir do insignificante e transitório.

Quando Nitezsche diz “o deserto cresce, a terra devastada se expande” ele aponta para o lugar no qual a jornada começa; não aonde ela termina.


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2007 ® Pablo Capistrano

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