02 set
A experiência do Deserto
- 02 de setembro de 2010, as 12h12
A experiência do deserto foi descrita em inúmeras narrativas mitológicas e ela parece ter a ver com a iminência de uma desconstrução ou de uma iluminação.
Há uma música judaica que fala sobre a ida ao deserto para o recebimento das tábuas da Lei. Na versão do grupo Mawaka, essa é uma música de alegria e de confiança.
Estar no deserto não é uma experiência agradável. Quem já andou em um estado de completa e total designificação sabe o que é essa náusea, esse mal estar, essa sensação de nulidade, esse flerte com o nada.
Sartre, Camus, Heidegger, Nietzsche tocaram nesse ponto, cada um a seu modo, com suas nomenclaturas filosóficas próprias.
Mas é possível pensar na dissolução da experiência do deserto a partir de uma retomada da confiança na alegria, na retenção do momento, na apreensão do infinito a partir do detalhe, do Eterno, a partir do insignificante e transitório.
Quando Nitezsche diz “o deserto cresce, a terra devastada se expande” ele aponta para o lugar no qual a jornada começa; não aonde ela termina.
