30 nov
Cinema e Literatura II
- 30 de novembro de 2010, as 6h06
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È possÃvel pensar que há poesia no cinema.
Se a gente entende o cinema como uma experiência, como um acontecimento estético que simula a consciência.
Entrar em uma sala escura e ver uma seqüência de imagens projetadas em uma imensa tela, guarda semelhanças desconcertantes com a ideia do sujeito em um teatro italiano vendo o mundo desfilar no palco.
Essa é uma das metáforas usadas para indicar o modo como nossa consciência funciona.
Temos a estranha impressão de que estamos presos na sala escura de nossa mente, olhando um mundo que desfila ao nosso redor pelas janelas de nossos olhos.
Nessa dimensão estética que a poesia entranha no cinema.
Quando a gente transforma o cinema em filme, quando não se percebe a diferença de assistir um Felini, um Kubrick, um Bergman em uma sala de cinema ou em uma tela de laptop, transformamos o cinema em pura prosa.
Essa é a equação do mercado: o cinema pode até ter poesia mais se resolve na prosa.