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  • Pablo Capistrano
  • 30 de novembro de 2010, as 6h06

 

È possível pensar que há poesia no cinema.

Se a gente entende o cinema como uma experiência, como um acontecimento estético que simula a consciência.

Entrar em uma sala escura e ver uma seqüência de imagens projetadas em uma imensa tela, guarda semelhanças desconcertantes com a ideia do sujeito em um teatro italiano vendo o mundo desfilar no palco.

Essa é uma das metáforas usadas para indicar o modo como nossa consciência funciona.

Temos a estranha impressão de que estamos presos na sala escura de nossa mente, olhando um mundo que desfila ao nosso redor pelas janelas de nossos olhos.

Nessa dimensão estética que a poesia entranha no cinema.

Quando a gente transforma o cinema em filme, quando não se percebe a diferença de assistir um Felini, um Kubrick, um Bergman em uma sala de cinema ou em uma tela de laptop, transformamos o cinema em pura prosa.

Essa é a equação do mercado: o cinema pode até ter poesia mais se resolve na prosa.


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2007 ® Pablo Capistrano

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