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19 mai

Grodek

  • Pablo Capistrano
  • 19 de maio de 2011, as 11h11

Segue mais uma tentativa de tradução em parceira com o professor Dirceu Zimmer.

Desta vez é de Georg Trakl. Um poeta austriaco que se matou em 1914.
Trakl conseguiu a façanha de chamar atenção de Heidegger (que escreveu sobre ele) e Wittgenstein (que disse não entender sua poesia mas mesmo assim ser fascinado por ela).

O poema desta vez foi (salvo engano) o último escrito por Trakl após a batalha de Grodek.
segue a minha recriação poética

GRODEK

no crepúsculo soam as florestas do Outono
planícies douradas de armas mortíferas
e lagos azuis por sobre os quais o sol
se vai sombriamente
e a noite envolta
pela selvagem lamúria de guerreiros moribundos.
silenciosamente recolhidas
suas bocas destroçadas
na pastagem.
nuvens vermelhas
de sangue derramado no frescor da lua
onde mora um deus irado.

todas as ruas desaguam em lúgubre decomposição
embaixo da dourada ramagem
das estrelas e da noite
oscila a sombra da irmã
pelo silencioso refúgio
para saudar o espirito heroico
dos líderes ensanguentados

e o tom suave e amadeirado
das flautas sombrias do outono

Oh sombria tristeza!
seus altares antigos
cujas chamas escaldantes nutrem hoje
uma dor imensa:
os netos que não nascerão

GRODEK

An Abend tönen die herbstlichen Wälder
Von tödlichen Waffen, die goldnen Ebenen
Und blauen Seen, darüber die Sonne
Düstrer hinrollt; umfängt die Nacht
Sterbende Krieger, die wilde Klage
Ihrer zerbrochenen Münder.
Doch stille sammelt in Weidengrund
Rotes Gewölk, darin ein zürnender Gott wohnt,
Das vergoβne Blut sich, mondne Kühle;
Alle Straβen münden in schwarze Verwesung.
Unter goldnem Gezweig der Nacht und Sternen
Es schwankt der Schwester Schatten durch den schweigenden Hain,

Zu grüβen die Geister des Helden, die blutenden Häupter;
Und leise tönen im Rohr die dunkeln Flöten des Herbstes.
O stolzere Trauer! Ihr ehernen Altäre,
Die heiβe Flamme des Geistes nährt heute ein gewaltiger Schmerz,
Die ungebornen Enkel.

(1914)


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2007 ® Pablo Capistrano

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