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  • Pablo Capistrano
  • 07 de novembro de 2011, as 13h13

 

“a morte é uma ameaça que se aproxima de mim como um mistério” – escreveu Emanuel Lévinas.

 

 

A ambiguidade da morte reside justamente no fato dela ser algo absolutamente previsível e, ao mesmo tempo, algo completamente misterioso.

 

 

Mas o mistério da morte anda junto com o mistério do tempo.

 

 

Se pensarmos no tempo como um conceito, uma ideia, podemos inclusive cogitar a sua inutilidade para uma explicação cientifica qualquer de mundo, ou mesmo para sua inconsciência ontológica.

 

 

Mas nos libertamos dele implica redimensionarmos a nossa própria temporalidade.

 

 

Na consciência o tempo aparece pra gente na forma de uma tempestade, que arrasta os fragmentos do nosso presente para um passado em ruinas e nos empurra velozmente em direção a um futuro desconhecido.

 

 

Essa é a consciência trágica do mundo que Benjamim extraiu da observação do Angelus Novus  de Paul Klee.

 

 

Mas uma outra temporalidade é possível.

 

Um outro movimento de horizontalidade e simultaneidade temporal que nasce no momento em que conseguimos mergulhar nossa consciência no silêncio.

 

Quando o fluxo do pensamento congela, o tempo se abre como uma lótus de mil pétalas.

 

Quando os movimentos da mente são suspensos, quando a identidade da mente com seus objetos ou com o discurso que constrói esses objetos é suspenso por um instante, o instante se torna tudo aqui ao mesmo tempo agora.

 

 

O resultado dessa nova temporalidade é uma outra percepção da morte. Um dimensionamento novo da vida.

 

 

Um estranho e desconcertante estado de humor, a partir do qual o riso, é a consequência inevitável.

 

 

Não o riso do cômico, do ridículo, do burlesco, do grotesco.

 

 

Não rimos do mundo.

 

 

Sorrimos com o mundo.


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2007 ® Pablo Capistrano

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