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04 mai

A Sentença

  • Pablo Capistrano
  • 04 de maio de 2012, as 7h07

Segue uma versão de um poema traduzido por mim em parceria com o professor Dirceu Zimmer.

Trata-se de um poema de 1914, escrito por Ernst Stadler, poeta alemão morto na primeira guerra mundial

keep on the beat!

A SENTENÇA

 

num velho livro, deparei com uma sentença

que me acertou como um golpe e que continua

a arder pelos meus dias.

 

e se me sacrífico à turva tristeza,

e se, ao invés da essência,

me entrego ao artifício, a mentira e a dissimulação

se proponho me iludir com sentidos apressados

como se fosse sombriamente evidente

como se a vida não guardasse selvagemente em si

mil portões fechados

 

e retruco palavras

cuja completa amplidão nunca senti

e entendo coisas

que nunca antes haviam me tocado

 

se um aguardado sonho

com suas mãos de veludo me afaga

me escapam os dias e a realidade

 

tornar-se estranho ao mundo

alheio ao Eu mais profundo

 

então ergue-se para mim a sentença:

 Homem, torna-se aquilo que tu és!

 

(1914)

 

 

 

DER SPRUCH

 

 

 

 

 

In einem alten Buche, stieβ ich auf ein Wort,

 

Das traf mich wie ein Schlag und brennt durch meine Tage fort:

 

Und wenn ich mich an trübe Lust vergebe,

 

Schein, Lug und Spiel zu mir anstatt des Wesens hebe,

 

Wenn ich gefällig mich mit raschem Sinn beluga,

 

Als wäre Dunkles klar, als wenn nicht Leben tausend wild verschlossene Tore trüge,

 

Und Worte wiederspreche, deren Weite nie ich ausgefühlt,

 

Und Dinge fasse, deren sein mich niemals aufgewühlt,

 

Wenn mich willkommner Traum mit Sammethänden streicht,

 

Und  Tag und Wirklichkeit von mir entweicht,

 

Der Welt entfremdet, fremd dem tiefsten Ich,

 

Dann steht das Wort mir auf: Mensch, werde wesentlich!

 

 

(1914)

 


2 Comentários para “A Sentença”


  1. massa cara esse poema!

  2. Pablo Capistrano7/5/2012 às 4:01

    Legal, não é? optamos por deixar em um formato diferente do original porque em alemão ele tem rima,
    tem uma fôrma bem fixa,
    tentamos reproduzir o formato original dos versos mas a coisa não fluia
    optamos por construir um novo ritmo, que pudesse guardar a ideia do poema e não ficar travado em português.

    como diz o ditado

    “traduzir poesia é como amar uma mulher, se é bonita não é fiel, se é fiel não é bonita”

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2007 ® Pablo Capistrano

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