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  • Pablo Capistrano
  • 24 de outubro de 2012, as 3h03

 

Reza a lenda que, em um dos inúmeros congressos do Partido Comunista Soviético, após uma fala do camarada Stalin, um dos delegados congressistas ocupou a tribuna para, em um ato de coragem suicida, criticar duramente vários pontos do discurso do líder máximo da União Soviética.

 

Diante do silêncio que se seguiu àquela fala, outro camarada toma a palavra e exaltado, ansioso por mostrar sua fidelidade canina ao regime, imbuído de um governismo quase potiguar, bradou: “Camarada! Como o senhor pode criticar a fala do camarada Stalin!?! Isso é um absurdo! Ninguém pode criticar o camarada Stalin! Ele é nosso líder, o farol que guia nossa revolução, suas palavras não são passíveis de crítica, são verdades sagradas para o proletariado internacional!”.

 

Dois dias depois o defensor empedernido do regime foi deportado para um Gulag na Sibéria, e o crítico suicida, promovido para um cargo de chefia nos altos escalões do partido comunista soviético.

 

No mundo da ideologia é assim, amigo velho. Ali, todo índice é, na verdade, um sintoma de seu contrário.

 

Essa anedota, contada por Slavoj Zizek em uma palestra que assisti pelo youtube, mostra algo de bastante significativo sobre a natureza das mentiras fundamentais que costumamos contar em sociedade para manter nossa ordem coletiva em uma harmonia mais ou menos controlada.

 

Em um sentido marxista, é interessante entender a ideologia não como um simples conjunto de ideias, mas sim como um conjunto de ideias que disfarça, dissimula e encobre a verdade sobre os fundamentos de uma realidade social.

 

Sendo assim, por mais infeliz, preconceituoso, e elitista que o comercial veiculado pelo colégio CEI Mirassol possa ter sido  (https://www.youtube.com/watch?v=mJ79uPfAOFg ) ele não é, exatamente “ideológico”.

 

Não há função ideológica em um comercial que deixa à mostra a triste verdade de que nosso sistema educacional é pensado para aprofundar as desigualdades de classe. Não há serventia, para a mentira básica de nossa sociedade, uma publicidade que deixa explícito o viés aristocrático de nosso sistema educacional com suas utopias de ascensão social e glória financeira.

 

A verdadeira publicidade ideológica é aquela que defende o discurso politicamente correto. O discurso de integração, respeito pelas diferenças, emancipação, fraternidade de classe, sustentabilidade ambiental e pluralismo. Um discurso usado pelas escolas para encobrir práticas pedagógicas que estimulam a competição e a segregação profissional através de um adestramento dos alunos para o mercado de trabalho.

 

Defender valores libertários ou igualitários e praticar a exclusão na sua estrutura (coisa que a grande maioria das escolas faz) é mais ideológico e útil para um sistema que usa a educação para aprofundar a divisão de classes, do que uma publicidade que torna explicita esta mesma divisão.

 

Por um lado, como ex-professor do CEI e pai de duas alunas do CEI Mirassol, fiquei muito triste com a propaganda que deu origem a discussão que me levou a pensar esse artigo. Principalmente porque sei que ela não faz jus ao cuidado com que a professora Célia Andrade lida com as questões culturais na escola. É bom lembrar que foi no CEI Mirassol, por exemplo, que vi apresentações de Cleudo Freire, exposições de arte Naïf, feiras com escultores e artesões populares, apresentações de boi de reis e caboclinhos ao lado de execuções de música erudita e canto lírico. Foi nos pátios da escola que vi apresentações de dança contemporânea inspiradas em textos de Clarisse Lispector e exposições de pintura com artistas potiguares.

 

Por outro lado, como curioso das coisas do mundo, crítico aleatório e analista esporádico dos acontecimentos desta fazenda chamada Natal, fiquei exultante com a propaganda. Achei, na verdade, o acontecimento publicitário do ano, principalmente pelo seu caráter terapêutico, quase psicanalítico de ajudar a classe média potiguar a se desfazer de suas fantasias pedagógicas e de suas ilusões politicamente corretas.

 

Pena que foi com o CEI-Mirassol.

 

Como o defensor empedernido do regime de Stálin da história de Zizek, o CEI-Mirassol foi punido pelo superego da cidade, por não ter sido ideológico o suficiente para encobrir, com seu discurso corretinho, recheado com as modas pedagógicas do momento, as mazelas de um sistema sócio educacional que a escola da professora Célia não inventou.


21 Comentários para “A função ideológica da mentira”


  1. Olha, a reflexão é boa, mas não generalize a cidade, nem quem fez e faz o CEI. A escola ganhou o prestígio que ganhou pela educação de base, fundamentada em “modas pedagógicas”, bem aplicadas e é o diferencial no mercado decadente de vestibulares, por isso. Esse prestígio pode ser revertido se a ênfase educacional dada pela escola for utilitarista e elitista, como tantas grandes escolas de Natal o são, e como o vídeo sugere. Conheço ex-alunos do CEI, ex-professores do CEI, eu mesma fui uma, e, acredito que, mesmo conhecendo a realidade massifica atual da escola, a crítica por essa educação por resultados é um conflito interno, sempre presente. É sintomático, portanto, que o CEI use essa peça publicitária para representa-lo. Bom, o que quero dizer é que, se a elite natalense é doente, o CEI lutava para não se contaminar e seguia “modas pedagógicas” piegas que enfocam a cidadania, participação, sustentabilidade, etc. Com esse comercial, mas do que ser contaminado, parece que o CEI se tornou o porta-voz da educação alienante das grandes escolas do RN. E acredito ser uma ideologia, no entender de Marx, sim, porque quem se viu retratado ali, não vê problemas na peça, que é publicidade e visa agradar ao cliente e ao público-alvo. Não a todo ou a um natalense qualquer. Mas, a cidade é mais que a elite enclausurada de Natal e a internet lembra isso, a todo o momento, vide revoltas e as pedras virtuais dos formadores de opinião potiguares. Achei a anedota inicial interessante, mas, esta deveria ser interpretada mais amplamente: imagine a sala em que a peça publicitária foi aprovada, com o conselho da escola – formado por dirigentes, educadores e pais, a agência, todos contentes e elogiosos com o resultado. A internet é o camarada crítico, professor. Resta saber se o partido irá promovê-lo ou manda-lo para a Sibéria. As massas, por vezes, estão bem mais conscientes do que a elite consome e aplaude do que se quer imaginar.


  2. Pablo,
    Achei o comercial horrível. E concordo com o que vc disse sobre a visão de Célia. Estudei muitos anos nesse colégio.

    Acho que o problema não é visão dela mas de 80% dos pais dos alunos daquele colégio. Nesse sentido o comercial acertou em cheio. Risos. Só não sei como esse comercial foi aprovado pela equipe pedagógica.

    Mas o que mais me incomodou na história toda foi retirarem os comentários do comercial no YOUTUBE. Achei o fim da picada. Reforça uma idéia de calar o debate o que é péssimo para o colégio.

  3. Mônica Costa24/10/2012 às 5:00

    O amor que sentimos pela escola de nossos filhos é semelhante ao amor que sentimos pelos nossos filhos e esse amor distorce a nossa percepção do real ou do que parece real. A um pai não se pode exigir a análise crítica do trabalho do filho, assim como a um pai não se pode exigir uma análise crítica (pública) da escola de seu filho. Há sentimentos e esperanças no cadinho que se esconde entre a cabeça e o coração de cada pai. O politicamente correto ajuda a se ter respeito pelo outro e é necessário por que dá ao ofendido o direito de exigir reparação pública. A propaganda é preconceituosa e merece repúdio.


  4. A filosofia é um fuzil, meu caro. Mas é preciso coragem para apertar o gatilho.

  5. Pablo Capistrano25/10/2012 às 7:50

    Oi Lucila, acho que você tenha levantado a questão da ideologia, que é o elemento fundamental, na minha opinião, do que eu quis discutir.
    Não entendo que o conceito de ideologia em Marx seja outro que não aquele que dissimula a realidade, neste sentido o comercial, na minha opinião, é contra-ideológico por natureza, dai o mal estar que ele causou. os motivos da polêmica não giram em torno apenas do caráter preconceituoso mas fundamentalmente do fato de que ele deixa à mostra uma concepção que está fundamentada no modelo de educação que nosso país construiu.

    esse não é um problema do CEi-mirassol, ou da elite de Natal, ou de qualquer escola pública ou privada,
    a questão fundamental é a educação no nosso país é estruturada para aprofundar um modelo ecônomico de segregação que implica um direcionamento em função de regras de mercado,

    o discurso ideológico, neste sentido, é o que esconde isso, não o que mostra isso

    acho que pensar a partir de uma catégoria crítica marxista leva a essa conclusão

    um abraço

  6. Pablo Capistrano25/10/2012 às 8:02

    e mira boa para acertar no alvo certo, senão o tiro acerta onde a gente não quer ; )


  7. joanapaivamelo@gmail.com•2 minutes ago −

    ACREDITO QUE A VERDADEIRA INTENSÃO DA PROPAGANDA NÃO É PRECONCEITUOSA, MAS FOI ELABORADA DE FORMA AMADORA, JÁ QUE QUANDO DIVULGA-SE ALGO, O MESMO NÃO PODE PERMITIR DUAS INTERPRETAÇÕES. MAS ISSO OCORREU E A MÍDIA CAIU EM CIMA.
    EM RELAÇÃO AOS OUTROS COLÉGIOS, ACHO RIDÍCULO A ATUAÇÃO DE ALGUNS QUE TENTAM BENEFICIAR-SE DE TAL FATO, DEVERIAM CONQUISTAR ALUNOS POR MÉRITO PRÓPRIO E NÃO DESMERECENDO AS DEMAIS INSTITUIÇÕES DE ENSINO.
    QUANTO AOS QUE DIZEM QUE O CEI MIRASSOL SÓ TEM “play” DEVERIAM INFORMAR-SE MELHOR. DESSA FORMA POSSO AFIRMAR QUE O CEI MIRASSOL TAMBÉM É DISCRIMINADO, UMA VEZ QUE TAL CONCEITO É: TRATAR DIFERENTE, ENTÃO ESTÃO TRATANDO OS ALUNOS DO CEI MIRASSOL DE FORMA DIFERENTE, CRIANDO UM ESTERIÓTIPO. POR QUE TODOS ELES DEVEM SER “plays”?
    A ESCOLA NUNCA DESVALORIZOU QUALQUER PROFISSÃO, NEM CLASSE SOCIAL, A PROPAGANDA NÃO VEICULA NADA DISSO. A SOCIEDADE QUE ATRIBUIU ESSE OLHAR PRECONCEITUOSO ÀS PROFISSÕES.
    O INTUITO ERA MOSTRAR QUE SEU FILHO PODERÁ DESEMPENHAR BEM A SUA PROFISSÃO QUANDO ESCOLHER O CEI MIRASSOL, É TANTO QUE, NA PROPAGANDA,O PALHAÇO NÃO TEM GRAÇA, O JUIZ DE FUTEBOL NÃO É BOM E O CURANDEIRO TAMBÉM.
    ENFIM A ABORDAGEM PODERIA SER MAIS DIRETA, SEM DEIXAR MARGENS PARA OUTRAS INTERPRETAÇÕES MALDOSAS.


  8. O que vejo aqui é tentar dar a uma peça publicitária de apenas 30 segundos uma responsabilidade e função que não estão alinhados com os objetivos do colégio na execução desta peça.

    Vou dividir meu ponto de vista em 2 partes: objetivo; tom.

    1) Objetivo
    O filme tem uma única, simples e direta mensagem a ser passada: que o CEI Mirassol é um ótimo colégio e pode dar ao seu filho um ótimo futuro (sonho de toda a mãe… ou tem alguma mãe que não deseja um futuro bom para o seu filho????)
    Neste ponto o comercial está 100% adequado e a mensagem realmente é bastante clara.
    Objetivo cumprido!

    2) Tom
    O uso do humor na propaganda é muito comum e não é restrito a um determinado segmento ou negócio. Ele é um artifício para se destacar dos demais comerciais, para ganhar notoriedade, para gerar lembrança e ficar na memória das pessoas.

    Como pessoas são diferentes e possuem opiniões diferentes, as situações que o filme apresenta podem ou não agradar. Particularmente, a situação do “juíz” é ótima, e não gosto tanto assim das outras.

    Mas isso é “tom”. Mesmo com uma piada ruim, a mensagem é bastante clara.

    Agora, dar ao colégio o selo de “elitista” por causa da piada deste comercial, é “forçar demais a barra”…
    A piada pode ser infeliz para uns, mas não para outros. Usar o termo “preconceituoso”, também é forçar demais a barra. Humor é humor, e isso também está bastante claro no comercial.

    Questões e abordagens filosóficas e pedagógicas deste texto podem caber em qualquer outro lugar, menos na análise e na crítica deste comercial.
    Há uma enorme diferença entre a clara e direta mensagem da publicidade e a avaliar o perfil e todo um projeto educacional e pedagógico de uma instituição de ensino.

    Enfim… a análise deste artigo é do comercial ou da instituição? Faço esta pergunta retórica, pois falar em “discurso de integração, respeito pelas diferenças, emancipação, fraternidade de classe, sustentabilidade ambiental e pluralismo” e classificar o colégio como “elitista”, por este comercial que apenas tem uma piada de mal gosto (para alguns), é demais para qualquer um…
    E se este texto teve como objetivo usar o comercial para criticar a instituição, pior ainda.

    Temo que este ótimo texto inicial já estava pronto e à espreita de um oportunidade para ser utilizado…. uma pena que a ansiedade em usá-lo o tenha desperdiçado de maneira precoce.

  9. Pablo Capistrano26/10/2012 às 4:10

    Caro amigo Claudio, respondendo a sua pergunta,
    esse texto não estava pronto a espera de uma oportunidade de ser publicado, não constumo a guardar meus escritos, escrevo-os na medida em que sinto necessidade em expressar meu pensamento a partir de situações que provocam minha inquietação. Não escrevo por encomenda nem tenho compromisso com nenhuma instituição como talvez você tenha tentado insinuar (me perdoe se eu estiver lendo levianamente seu comentário)

    em relação ao objetivo do texto, acho que você errou nas duas propostas, quando você pergunta se meu artigo é uma análise do “comercial ou da instituição” você erra nas duas propostas e se afasta do foco da questão que eu levanto.

    meu artigo usa a relação que se estabeleceu entre o comercial e a institução para falar de algo que eu, particularmente considero, muito mais relevante: o caráter ideológico do discurso oficial das escolas brasileiras.

    para deixar claro minha tese é: “o comercial do CEI-Mirassol é contra ideológico porque deixa a mostra um aspecto essencial do sistema educacional brasileiro que se tenta esconder com o discurso oficial”

    sei que essa tese pode ser um pouco dificil de ser percebida em uma leitura rápida e superficial do texto, como as que nos acostumamos a ver na INTERNET, mas rogo a você que faça um esforço de leitura para poder entender melhor meu ponto de vista, para que o debate possa ser mais rico.

    em relação ao uso do “comercial para atacar a instituição” confesso a você que fico um pouco deprimido com essa análise porque talvez isso prove que você ou não lê meus textos (já publico artigos em jornais desde 1999) ou leu esse em particular movido por uma má compreensão pre estabelecida da minha pessoa.

    Não uso meus textos para “atacar” pessoas ou instituições. Sou filósofo e filósofos costumam a atacar conceitos e ideias. Não prostituo nem dissimulo meus textos. Se a minha crítica fosse ao CEI-Mirassol ou a Publicidade da agência teria deixado isso bem claro. Meu foco é outro.

    de qualquer modo agradeço a gentilza de ter postado comentários aqui no meu espaço e espero que possamos continuar a debater mais os aspectos realmente relevantes que se escondem por trás desta polêmica.

    um grande abraço


  10. Adorei o texto Pablo, é absurdo que esta propaganda tenha sido aprovada pela direção de uma escola? Mas a propaganda não é causa, é consequência…mancada, mas uma mancada desveladora. Minha filha estuda lá, tenho parentes que estudaram e sei que é uma escola elitista e centrada em resultados, assim como a maioria, só que bem mais cara…surpresa eu ficaria se a propaganda colocasse pai de santo, palhaço e juiz de futebol no mesmo patamar das outras profissões, porque não é assim que esta sociedade pensa, infelizmente. Então a escola não cria preconceitos quando usa a grande mídia, só reforça o que já existe. Nesse sentido é contra-ideológica não apenas a propaganda, mas a escola, pois da mesma forma que não impede que um projeto pedagógico ou outro sejam interessantes e mudem concepções de vida não impede que uma propaganda ridícula e que expressa parte, grande parte, do modelo educacional e da mentalidade do nosso país vá ao ar para servir de espelho e reproduzir o que está posto.

    Abraços!


  11. E os pais pais dos alunos saem todos em defesa do colégio CEI… Compreendo e concordo com tudo o que foi dito no artigo Prof. Pablo, parabéns como sempre.

  12. Chico Bezerra Nélo26/10/2012 às 16:50

    Caro Pablo
    Parabéns, um texto com esta qualidade só pode sair de uma cabeça Capistraniana, um abraço.


  13. Caro Pablo…
    A relação entre o comercial e a escola é única e muito clara: escolha o melhor futuro para o seu filho!
    Além disso, não há nada. Nenhuma mensagem subliminar ou nas entrelinhas. Apenas um filme com humor duvidoso.
    Qualquer outra análise ideológica deste colégio é valida, desde que sem a associação da peca publicitária, que tinha uma única função e que foi bem cumprida.
    É preciso bem mais do que 30 segundos para, minimamente, poder se chegar a conclusão “a comunicação do CEI- Mirassol é contra ideológico, etc, etc”.
    Aqui o que existe é uma analise que vai muito, muito, muito além do que a proposta publicitaria ou até mesmo o tom desta comunicação. Principalmente se considerar o histórico da comunicação do colégio, que no texto não esta nem sendo considerado.
    Grande abraço.


  14. Ops, atrasei-me na discussão. Mas, pensando bem, acho que não faz muito sentido falar de ideologia e contra-ideologia, na ideia de Marx, no presente caso, com o perdão da ousadia. Acho isso porque o comercial não se destina manipulação da massa, mas ao afago a elite-alvo. Com esse reforço, esperou-se um objetivo comercial, apenas. Acho até que você já havia chegado a essa conclusão. E, assim, não foi o superego atuando, mas o senso ético comum, que alguns podem chamar de hipocrisia, mas que garantiu a evolução das sociedades humanas e, sem o qual, voltamos barbarie. Ainda, localizei o comentário em Natal porque é esse recorte social que faz no texto e é a partir das características desse recorte que teceu a sua reflexão. Mas, existem várias abordagens de ensino básico no Brasil. Todas com falhas mortais, mas que não permitem a generalização de que a educação brasileira visa atender aos interesses econômicos. Vide os esforços dos PCNs para humanizar a grade curricular, a não ser que você encare estes uminstrumento ideológico. Claro, a educação tb é encarada como meio de emancipação econômica do país, mas esse discurso é direto, tanto na propaganda educacional como nos instrumentos que a norteiam. Se há subterfúgios na educação brasileira, não considero que sejam para esconder as intenções, mas, sim, as falhas.

  15. Pablo Capistrano27/10/2012 às 6:44

    Claudio, a análise do meu texto não é do colégio, mas do sistema educacional brasileiro. O colégio não cria o sistema, faz parte dele. O modelo da nossa educação é excludente e as própria escolas públicas (sou professor de uma delas) faz parte desse modelo (basta olhar o PRONATEC que foi abraçado de modo tão entusiasmado pelos institutos federais para perceber que isso é real)

    quando você diz que “é preciso bem mais do que 30 segundos para, minimamente, poder se chegar a conclusão “a comunicação do CEI-Mirassol é contra ideplógico, etc, etc”

    acho que cometeu um ato falho, não disse “comunicação do CEI-Mirassol” o que comprometeria a instituição como um todo; mas sim “o comercial do CEI-Mirassol”. Ressalteii inclusive que o comercial não faz jus a história e as práticas de incentivo à arte e a cultura que aprendi a adimirar da professora Célia Andrade durante o tempo em que trabalhei na instituição e que me fizeram apostar na escola para cuidar da formação de minhas filhas. Talvez você tenha lido meu texto já com a pre concepção de que eu estava julgando a escola e por isso a confusão.

    penso que trinta segundos é tempo mais do que suficiente para analisar um comercial, posto que a maioria deles, salvo melhor entendimento de minha parte, não chegam a um tempo muito maior do que isso, não é verdade?

    em relação a questão de não haver “nenhum mensagem subliminar ou nas entrelinhas” no comercial, me perdoe a franqueza, mas acho uma leitura um pouco ingênua, talvez apresada da sua parte, acerca do modo como a comunicação se dá no mundo da publicidade.

    Quando a publicidade enuncia: “escolha o melhor futuro para seu filho” e comprara as profissições “médico, engenheiro e juiz de direito” com “curandeiros, palhaçõs e juizes de futebol” há sim uma relação subliminar. Há um não dito no discurso que se mostra na narrativa da propaganda.

    não é preciso muito esforço para compreender que existem, segundo o que o comercial nos indica, “futuros e futuros”, alhuns melhores do que outros.

    se não foi isso que a publicidade quis passar ela então fracassou totalmente na sua tentativa de passar a mensagem correta (qual seria ela?), porque toda a polêmica que gira em torno do comercial tem a ver com a essa interpretação.

    de qualquer modo agradeço muito a oportunidade que você está dando de qualificar o debate sobre o tema e sobre o meu texto.
    muito obrigado pela leitura e pela preocupação em entabular essa discussão.

  16. Pablo Capistrano27/10/2012 às 7:12

    Oi Lucila, não se preocupe com o atraso na discussão, a internet sempre faculta esse senso de eternidade que põe os comentários em um espaço quase a-temporal.

    Em relação a questão da ideologia penso que, se toda ideologia é a ideologia da classe dominante (como o próprio Marx preconizou no seu conceito) o direcionamento do comercial à elite-alvo é sim contra-ideológico, porque é essa elite alvo que tem que propagar o discurso ideologico (politicamente correto) a ser absorvido em uma socidade de classes.

    O interessante é que o pensamento que se esconde por trás do discurso subliminar do comercial escorre dessa elite-alvo para as massas com uma velocidade estonteante. veja o que aconteceu com os cursos de direito.

    se esse comercial fosse realizado vinte anos atrás as profissões seriam “médico, engenheiro, advogado” (como no tempo da minha mãe se dizia). hoje, com a propagação dos cursos de direito e a abertura desses cursos para as massas de trabalhadores através dos programas de incentivo que o governo dá a iniciativa privada a OAB se proletarizou (em um sentido mais profundamente Hegeliano do que marxista, quero deixar bem claro) então não pe possivel mais pensar “médico, engenheiro, advogado” a santissima trindade da ascenção social do século passado,. Hoje não basta a carteira da OAB, é peciso passar em um concurso para a magistratura para ter seu “futuro” garantido.

    isso mostra que a medida que a massa avança, a elite-alvo constroi novos discursos ideologicos e novas maneiras de se afastar dela e se diferenciar, para dissimular, não apenas a manutenção de sua reserva de espaço na divisão social do trabalho, mas também seu status de classe.

    é neste sentido que a ideologia, em Marx, é a da classe dominante, e a elite-alvo é o foco irradiador da ideologia. e é justamente por isso que penso que o comercial é contra ideológico, porque ele deixa a mostra essa estrategia de diferenciação e não a enconbre.

    seria ideológico se fosse como um comercial, por exemplo, que diz: “transforme seu filho em um sujeito sustentável” (seja lá o que isso quer dizer) quando a escola tem toda sua estrutura metodologica, baseda em séries, turmas, disciplinas, notas e avaliações de conteúdo inspiradas no ENEM e nos finados vestibulares da vida, preparando os alunos para ocupar os espaços no mercado de trabalho, em um regime de trabalho que envolve a absorção industrial de conteúdos de vestibular (isso é sustentabilidade?) .

    por isso que os PCNs são legais. Eles são como a democracia formal liberal criticada por Marx.
    Intenções belas que buscam humanizar a grande curricular, mas que não tocam na estrutura fundamental da escola definida pelas políticas públicas do estado brasileiro. Nosso sistema educacional continua com suas carteiras postas em fila, com seus mecanismos de segregação por nota no interior das salas, com seu estimulo a competição e, o mais terrivel, com políticas públicas que oferecem uma educação pobre para o pobre e uma educação rica para o rico. (Veja o PRONATEC)

    a questão é simples, vivemos em uma economia de mercado, em um país dividido em classes, onde uma dessas classes está destinada a galgar mais respeito e prestigo social que as outras.

    na minha opinião, os PCNs podem dizer o que quiserem que não vão tocar nessa estrutura básica enquanto não conseguirmos colocar o filho do juiz de direito para estudar, desde do jardim I, na mesma escola do filho do juiz de futebol. Essa seria a grande revolução educacional no Brasil.

    um abraço fraterno.


  17. Obrigada pela aula, nem saberei do que discordar :). Mas, acho, sim, que no Brasil existe muita mobilização teórica, prática e governamental para que a educação seja um instrumento de transformação. Mas, que acontecem em um tempo quase geológico e sem atacar questões fundamentais. Também, se considera, mesmo que o discurso do comercial deve ser encarado sobre a ótica de Marx, ainda acho que alienada está a elite sobre o pensamento geral das massas. O consumismo e o status ainda não feriu de morte a ética social, que, aqui, diminui-se pela denominação de politicamente correto, mas que é mola propulsora das sociedades e a única responsável por não comermos nossos iguais, só para benefício imediato. O CEI teve de aceita-la, agora. Não sem sublinhar que as massas não entenderam, mas, que se prestava a explicar melhor, para educa-la. Daí porque acho que a anedota é ao contrário. Assim como o alienado nessa história toda. Perde-se o poder.quando tudo o que se ouve são ecos. O povo ganha com isso.


  18. Me desculpe, capisatrano… mas como não sou filósofo, deixo a filosofia para quem a sabe fazer… assim como você deveria deixar a análise de uma comunicação a quem sabe fazê-la…
    Quando a publicidade enuncia: “escolha o melhor futuro para seu filho” ela usa uma piada e apenas isso.
    Tenho certeza de que as mães sonham com um filho médico e não leitor de tarô. Sem demérito aos leitores de tarô… apenas, mas podemos fazer uma pesquisa e ver se as mães sonham em um futuro para seus filhos como médicos ou leitores de tarô. Aí poderemos rever toda esta filosofia.
    O que se vê aqui é o julgamento de uma piada de gosto duvido a um massacre filosófico que não levará nada a lugar nenhum.
    Se é da sua opinião que minha análise foi superficial, bom, afirmo aqui com toda a certeza de que sua análise torna a publicidade um mercado morto. Vamos acabar com s agências e sermos todos iguais… sem diferenciais, sem humor…. vamos todos ter carros do mesmo ano e mesma cor, morar nas mesmas casas com as mesmas decorações, fazer blogs com os mesmos ideais…. bem melhor assim, não?!

  19. Antonio Neto29/10/2012 às 8:08

    Dentro da interpretação marxista, não existe neutralidade na sociedade capitalista, o que existe é bomba de neutrons, é luta de classes. O comercial explicita
    isso, e apenas revela a realidade concreta material. Existe o corte de classes na sociedade na educação , na saude, na moradia. O comerciial mostra isso. Não utiliza o discurso para esconder o pensamento com existe na sociedade. É virtuioso nesse sentido. Por isso gerou a polemica.

  20. Pablo Capistrano31/10/2012 às 2:44

    Parece que eles fizeram outra propaganda, eu ainda não vi, que reconhece, com humor, “o erro” cometido.
    Mas uma coisa é certa, se a publicidade queria chamar atenção acho que conseguiu,

  21. Antonio Neto31/10/2012 às 10:15

    O segundo comercial possui um conteúdo conciliador, o que revela um espirito democrático da instituição de ensino (CEI), na minha opinião acertou nos dois! No primeiro o discurso não escondeu o pensamento. No segundo, estrategicamente, ocultou!

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