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  • Pablo Capistrano
  • 11 de novembro de 2012, as 7h07

 

 

Segue mais uma tradução minha em parceria com o professor Dirceu Zimmer,

Ernst Stadler escreveu esse poema no ano de sua morte em 1914

fiz algumas mudanças na estrutura das estrofes para tentar encontrar um ritmo de leitura em português que compense a perda da sonoridade do alemão de Stadler.

O quadro de cima é de Van Gogh , um sol amarelo para o calor do poema.

Espero que gostem.

 

 


AQUI É INTROSPECÇÃO

 

 

Aqui é introspecção.

Aqui é silêncio.

Os dias e as noites a observar

os que elevam-se e abismam-se.

Aqui começam as colinas.

Aqui elevam-se

pelos campos longínquos

serras, pinheirais e vales acidentados.

Aqui se moldam prados ao ar livre.

Suavemente riachos refletem puras nuvens.

 

Aqui é planície de ombros largos,

veementemente florescentes.

 

Amarronzadas leivas de aragens alinhadas,

verdes, amarelas, douradas de grãos

que no sol de Julho

amadurecem.

 

Dias vem com o renovado céu,

relampejando na ramagem.

Manhãs com cerradas cores frias

que entorpecidamente se deixam cair

em um meio dia de amarelo ardente.

Desmedido sol de julho sobre todos os campos,

infiltrado em cada torrão de terra,

submerge densamente imóvel

para o centro

demorando-se em longas horas envoltas em sombras

que vagarosamente prosseguem inflamando-se

para o interior

do infindável jogo de cores da noite violeta.

 

Já é noite no ar denso do crepúsculo.

Ainda resta o brilho da luz florescendo mais fundo

na oscilação das colinas onduladas

estendendo-se, cedo e sorrateiramente,

para dentro

da noite.

 

Logo nasce uma nova luz

que em círculos sopra dos bosques.

 

E muitos dias e noites no azul nascerão

e no azul morrerão.

Em monotonia

profundamente saciados.

Na grande bem aventurança do Verão

carregam

nas mais que bronzeadas costas

doçura e felicidade.

 

(1914)

 

 

 

Segue a versão em Alemão

extraida do site http://www.zeno.org/Literatur/M/Stadler,+Ernst/Gedichte

 

Hier ist Einkehr

(Im  Der Aufbruch)

 

 

Hier ist Einkehr. Hier ist Stille, den Tagen und Nächten

zu lauschen, die aufstehen und versinken.

Hier beginnen die Hügel. Hier hebt sich,

tiefer landwärts, Gebirge, Kiefernwälder

und durchrauschte Täler.

Hier gießt sich Wiesengrund ins Freie.

Bäche spiegeln gesänftigt reine Wolken.

Hier ist Ebene, breitschultrig, heftig blühend,

Äcker, streifenweis geordnet,

Braunschollig, grün, goldgelb von Korn,

das in der Julisonne reift.

Tag kommt mit aufgefrischtem Himmel,

blitzend in den Halmen;

Morgen mit den harten, kühlen Farben,

Die betäubt in einen brennendgelben Mittag sinken –

grenzenlose Julisonne über allen Feldern,

In alle Krumen sickernd, schwer ins Mark versenkt,

bewegungslos,

In langen Stunden weilend, nur von Schatten überwölbt,

die langsam weiter laufen,

Sich strecken und entzündet in das violette Farbenspiel

des Abends wachsen,

Das nicht mehr enden will.

Schon ist es Nacht, doch trägt die Luft

Mit Dämmerung vollgezogen

noch den lichten Schein,

Der tiefer blühend auf der Schwingung

der gewellten Hügelränder läuft –

Schon reicht unmerklich Frühe an die Nacht

der weißen Sterne.

Bald weht aus Büschen wieder

aufgewirbelt junges Licht.

 

 

Und viele Tag und Nächte werden in der Bläue

auf- und niedersteigen,

Eintönig, tief gesättigt,

wunschlos in der großen Sommerseligkeit –

Sie tragen auf den schweren

sonngebräunten Schultern Sänftigung und Glück.

 

 

(1914)

 

 

 

 


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2007 ® Pablo Capistrano

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