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  • Pablo Capistrano
  • 21 de junho de 2013, as 7h07

IMPRESSÕES SOBRE O PROTESTO EM NATAL

 

 

Seguem aí algumas impressões subjetivas sobre o protesto em Natal e o momento que vivemos.

 

Foi sem nenhuma dúvida a maior manifestação política da história da cidade. Uma multidão (talvez 30 ou 40 mil) ocupou a BR-101 e caminhou do Via Direta ao Midway Mall e depois voltou em direção à governadoria.

 

  1. Parece que enquanto 500 pessoas se reuniam na UFRN em uma assembleia para definir a direção que a marcha iria tomar, chegou a notícia de que o povo já  havia ocupado a BR e que a marcha já estava saindo. Os participantes da assembleia tiveram que correr para não perder a marcha.
  2. Não havia um policial identificado no meio da multidão enquanto a marcha avançava. O que vi foi uma manifestação absolutamente pacífica, livre e autônoma. Complexa e plural, com grupos diversos se articulando em núcleos que caminhavam com palavras de ordem as mais variadas possíveis.
  3. Era o sentimento da massa que levava a caminhada. Alguma pessoas soltavam bombas de são joão e em alguns momentos houve corre corre sem nenhuma razão. Fiquei perto de um grupo organizado com uma faixa e uma precursão. O grupo gritava “juventude é revolução”. Eles faziam uma coreografia abaixados e depois pulavam. Fiquei feliz por consegui fazer a coreografia com a meninada sem deslocar o joelho. Gritar aos 39 anos “juventude é revolução” em uma manifestação desse tipo é o viagra mais poderoso que existe, posso lhe confessar.
  4. Pelo que vi posso dizer que os famosos Atos de Vandalismo (como a quebra de um vidro do Midway ou o fato de terem virado um carro na rua) são ABSOLUTAMENTE IRRELEVANTES diante da grandiosidade da manifestação. Esse tópico, a meu sentir, está sendo superexplorado pela mídia hegemônica (leia-se Globo) para justificar uma intervenção repressiva com objetivo de estrangular esse movimento de massas. Prestem muita atenção no silêncio das forças armadas (no Brasil é sempre bom ficar de olho nisso).
  5. O maior medo dos governos não é a depredação do patrimônio público, mas a ocupação, por parte dos manifestantes, desses espaços de poder. Se algum grupo minimamente organizado, ocupar uma prefeitura, uma governadoria, uma assembleia e resistir dentro do prédio o governo ficará refém de sua pauta, como os vereadores de Natal ficaram durante o #ForaMicarla  na ocupação da CMN, aqui em Natal.
  6. O fato do movimento não assumir partidos é um sintoma de que há uma falência no modelo de democracia representativa no Brasil. Isso eu já sabia, o sistema parece que descobriu agora.
  7. Apesar disso é preciso REPUDIAR VEEMENTEMENTE a violência política nas manifestações, protagonizadas, as vezes, por grupos proto-fascistas organizados. Foi PROFUNDAMENTE INJUSTO que bandeiras do PSOL, ANEL, PSTU e de Movimentos sociais tenham sido hostilizadas. Isso porque foram essas bandeiras que apoiaram a #RevoltadoBusão quando os 300 de Natal estavam encurralados embaixo do viaduto do quarto centenário levando bomba de gás, bala de borracha, e sendo espancados pela tropa de choque da polícia militar enquanto a classe média natalense babava de ódio chamando esses manifestantes de “vagabundos e vândalos”.
  8. Foram esses partidos e esses movimentos sociais que apoiaram as manifestações da #RevoltadoBusão desde o ano passado, quando o gigante ainda estava confortavelmente entorpecido, dormindo em berço esplendido.
  9. Sinto que haverão muitos derrotados eleitorais neste processo, mas sinto também que não haverão vencedores entre os partidos políticos tradicionais.
  10. A coisa mais importante de tudo isso foi a reocupação do espaço público da cidade pela massa de pedestres que desobedeceu coletivamente uma ordem judicial e avançou sobre o coração da zona sul de natal reocupando a BR e parando a cidade. A multidão caminhou sem medo, em fluxo livre, plural e anárquico retomando as ruas para si. Esse é o grande potencial emancipatório dessa manifestação. A certeza de que o medo é que nos escraviza, que nos oprime, que nos prende, em nossas casas, nossos automóveis, na prisão de nossos shopping centers. Por isso que a TV repete o mantra “a manifestação começou pacífica, mas terminou em violência”. Ela está construindo a ilusão do medo para cortar o potencial revolucionário da revolta e justificar uma intervenção autoritária caso as manifestações não arrefeçam.
  11. Eu, particularmente, aprendi que o medo é uma ilusão.
  12. Não temos mais medo. Agora, pelo menos por enquanto, o medo está com eles.

3 Comentários para “Impressões da Manifestação em Natal”

  1. Thiago de Góes21/6/2013 às 15:26

    Acho que é um processo de mudanças profundas que se iniciam a partir de agora. Estou otimista!

  2. Vinícius Araújo22/6/2013 às 4:43

    Grande professor, eu acredito que esse movimento foi importante para mostrar que a paciência para esperar pelo país do futuro tem limite. Porém, ainda acho que o verdadeiro gigante ainda dorme, pois está entorpecido com algumas espécies de bolsas e com a ilusão de uma ascensão social. Quando a grande massa acordar veremos a verdadeira mudança.

  3. fernando de goes22/6/2013 às 5:00

    Foram eles que sempre deram sangue pela luta.A direita tem pavor destes movimentos!!”Apesar disso é preciso REPUDIAR VEEMENTEMENTE a violência política nas manifestações, protagonizadas, as vezes, por grupos proto-fascistas organizados. Foi PROFUNDAMENTE INJUSTO que bandeiras do PSOL, ANEL, PSTU e de Movimentos sociais tenham sido hostilizadas. Isso porque foram essas bandeiras que apoiaram a #RevoltadoBus sendo espancados pela tropa de choqantes de “vagabundos e vândalos”.ão quando os 300 de Natal estavam encurralados embaixo do viaduto do quarto centenário levando bomba de gás, bala de borracha, eue da polícia militar enquanto a classe média natalense babava de ódio chamando esses manifest

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2007 ® Pablo Capistrano

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