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  • Pablo Capistrano
  • 08 de abril de 2014, as 7h07

Escrevi esse texto em 08 de Abril de 1994, depois de assistir a reportagem no telejornal sobre a morte de Kurt Cobain, vocalista do NIRVANA.

O texto foi publicado em um suplemento literário do dia da poesia, no Jornal de Natal em 1996.

Eu tinha vinte anos, concedam-me a indulgencia literária que a idade exige, por favor.

 

Kurt levantou-se ou foi deitar com a serpente cinicamente

lhe fazendo caretas.

Ele estava OK.

Simplesmente afim de melodia ou não.

Filhinha

ele tinha uma

(ótimo!)

Esposa

ele tinha uma

(Grande!)

Mas uma banda ia faltando parte a parte pedaço a pedaço fedendo

infelizmente

como desodorante adolescente.

Impressões simples.

Talvez tivesse lavado o rosto.

Coisa também tão muito simples.

A serpente ainda lá.

Então um pico ou outro e a sensação

de pólvora.

Sentado na cama ou no chão ou de frente pro espelho ou com sua guitarra

ou com uma foto da filhinha

ou uma agulha e uma gota de sangue

ou com a imagem do amor na cabeça.

Sei lá…

Bill Burroughs ou outra coisa.

Nada de sentimental.

Só a batida do som seco da pólvora bala e metal

abrindo caminho.

Bang.

se é que o som é esse.

 

Sangue e chão gelado da cabeça partida

morrendo

junto com o gelo que sobe pelo ar teto

da bela pobre casa.

Talvez Seattle.

 

(Abril de 1994)


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2007 ® Pablo Capistrano

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