• Nosso Problema Com Cascudo

    A ideia de derrubar estátuas parece que chegou a Natal e a imagem de Cascudo no memorial que leva seu nome, na Cidade Alta, apareceu como candidata a degola. Mas […]

    Leia mais
  • Zeitgeist

      Sento em um presente que não me atravessa   desse silêncio que me sopra às costas escuto os cemitérios do futuro   depois de toda essa jornada, barqueiro, chegar […]

    Leia mais
  • deus palhaço

    deus é artesão trabalha com barro   sim eu sei ele morreu nós o matamos   mas sua sombra coloniza qualquer mundo que a gente tente construir   deus é […]

    Leia mais
  • As hienas de Seu Jair (papo de quinta)

    Existem duas hipóteses, que não são excludentes, para explicar o caos permanente em que o presidente  brasileiro e sua família mantém o governo e o país.     Depois de postar […]

    Leia mais
  • De Novo: O Chile (Papo de Domingo)

    Quando a barra pesou mesmo aqui pelo Brasil, depois do AI-5, era o Chile que parecia trazer esperança de que o cerco de chumbo na América Latina poderia ser enfrentado. […]

    Leia mais
  • Pablo Capistrano
  • 24 de janeiro de 2016, as 11h11

24 de Janeiro de 2016

 

COMO FALARÃO SOBRE O NOSSO TEMPO, os arqueólogos do futuro? Dirão que em alguma paisagem submersa pelo mar existia uma grande cidade, cortada por um rio? Comentarão sobre nossos grandes edifícios, sobre o asfalto que cortava a cidade como serpentes negras? Se debruçarão em descrever os grandes shoppings centers de concreto e vidro?

 

Ou falarão os arqueólogos do futuro sobre nossos mortos?

 

Dirão eles: “Houve um tempo, na antiga cidade submersa pelo mar, que se matavam pessoas na rua, alvejadas no passeio público, sem nenhum motivo aparente”.

 

Quem sabe terão ciência, os arqueólogos do futuro, que no verão chuvoso de 16, uma garota foi morta em uma avenida na Zona Norte dessa cidade submersa, e que por isso, milhares de pessoas vestiram preto e foram as ruas pedir por justiça e segurança.

 

Quem sabe, essa será, no futuro, uma notícia peculiar, sobre tempos sombrios, desbotados na memoria de uma época que já passou, em um mundo no qual gente morta na rua por causa de um celular ou alvejada por causa de uma carteira de dinheiro vazia parecesse apenas elementos delirantes; partes de um enredo de literatura fantástica.

 

Por enquanto, temos apenas a esperança de que as coisas melhorem por aqui e que essas estatísticas sinistras de jovens executados em um futuro muito breve, sejam apenas lembranças ruins de um tempo que já passou.

 

Por enquanto, temos a esperança de que as pessoas se unam mais vezes quando tragédias como essas voltem a acontecer, porque, como escreveu Bertolt Brecht:

“Quando é abatido o que não lutou só

o inimigo

ainda não venceu”.


Um Comentário para “Como falarão sobre o nosso tempo…”

  1. Andrelucio Ribeiro6/2/2016 às 4:26

    Esperança utópica. Como sempre ótimos textos produzidos por sua mente brilhante.

Deixe seu comentário

2007 ® Pablo Capistrano

dz3