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  • Pablo Capistrano
  • 24 de janeiro de 2016, as 11h11

24 de Janeiro de 2016

 

COMO FALARÃO SOBRE O NOSSO TEMPO, os arqueólogos do futuro? Dirão que em alguma paisagem submersa pelo mar existia uma grande cidade, cortada por um rio? Comentarão sobre nossos grandes edifícios, sobre o asfalto que cortava a cidade como serpentes negras? Se debruçarão em descrever os grandes shoppings centers de concreto e vidro?

 

Ou falarão os arqueólogos do futuro sobre nossos mortos?

 

Dirão eles: “Houve um tempo, na antiga cidade submersa pelo mar, que se matavam pessoas na rua, alvejadas no passeio público, sem nenhum motivo aparente”.

 

Quem sabe terão ciência, os arqueólogos do futuro, que no verão chuvoso de 16, uma garota foi morta em uma avenida na Zona Norte dessa cidade submersa, e que por isso, milhares de pessoas vestiram preto e foram as ruas pedir por justiça e segurança.

 

Quem sabe, essa será, no futuro, uma notícia peculiar, sobre tempos sombrios, desbotados na memoria de uma época que já passou, em um mundo no qual gente morta na rua por causa de um celular ou alvejada por causa de uma carteira de dinheiro vazia parecesse apenas elementos delirantes; partes de um enredo de literatura fantástica.

 

Por enquanto, temos apenas a esperança de que as coisas melhorem por aqui e que essas estatísticas sinistras de jovens executados em um futuro muito breve, sejam apenas lembranças ruins de um tempo que já passou.

 

Por enquanto, temos a esperança de que as pessoas se unam mais vezes quando tragédias como essas voltem a acontecer, porque, como escreveu Bertolt Brecht:

“Quando é abatido o que não lutou só

o inimigo

ainda não venceu”.


Um Comentário para “Como falarão sobre o nosso tempo…”

  1. Andrelucio Ribeiro6/2/2016 às 4:26

    Esperança utópica. Como sempre ótimos textos produzidos por sua mente brilhante.

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2007 ® Pablo Capistrano

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