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  • Pablo Capistrano
  • 23 de outubro de 2017, as 8h08
Memórias do Subsolo: texto publicado dois anos antes de Crime e Castigo, mas que já antecipa a dicção existencialista de Dostoiévski em todo seu vigor

Memórias do Subsolo: texto publicado dois anos antes de Crime e Castigo, mas que já antecipa a dicção existencialista de Dostoiévski em todo seu vigor

 

 

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Memórias do Subsolo. Tradução de Irineu Franco Perpetuo. São Paulo: Mediafashion/Folha de São Paulo, 2016.

 

 

É realmente espantoso que uma geração tenha dado ao mundo um Marx, um Kierkegaard e um Dostoiévski. Difícil imaginar o século XX sem a presença marcante dessas figuras, mesmo que tenham vivido sua vida no coração do século XIX. Chego a pensar que encarnar nesse planeta depois da morte de Dostoiévski e não ler nenhum livro dele é como vir ao mundo depois de Beethovem e nunca ouvir de cabo a rabo a nona sinfonia. Talvez a única desculpa para não ler um Dostoiévski pode ser a da ausência de boas traduções (sempre um problema para a literatura escrita em língua estrangeira e que pode simplesmente destruir a apreensão de um escritor em um idioma que não é o seu idioma literário natural). No caso dessa edição da Coleção “Grandes Nomes da Literatura” esse não parece ser um problema. Não conheço nada de russo mas a tradução de Irineu Franco Perpetuo, direto do original, e não de uma segunda mão francesa ou inglesa, parece acertar ao dar uma dimensão de intensidade e vigor ao texto de Dostoiévski que eu, particularmente, não encontrei em outras edições das obras do escritor. É espantoso como o tradutor consegue oferecer, servido no prato da língua portuguesa, a velocidade e o ritmo da leitura sem perder a densidade e o vigor dos abismos psicológicos desse texto curto, publicado dois anos antes de Crime e Castigo, e que é considerado por alguns como o “primeiro texto existencialista da história”. No curso da leitura dá pra sentir, de maneira quase táctil, a influência da dicção de Dostoiéviski em Fernando Pessoa, Nelson Rodrigues e mesmo, no caso desse livro específico, em obras de Jack Kerouack, como Tristessa e, mais intensamente: “Subterrâneos” (uma referência clara que o autor beat faz ao mestre russo). A edição é de capa dura, mas como o texto é curto, é boa de manusear, se você é daqueles que, como eu, tem uma relação física com os livros que lê. Vale muito o preço.

 

 

 

 


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2007 ® Pablo Capistrano

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