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  • Pablo Capistrano
  • 07 de março de 2018, as 5h05

Revolução Russa

 

 

 

 

 

 

 

 

FITZPATRICK, Sheila. A revolução russa. Tradução de Susana Sousa e Sllva. Lisboa, Tinta da China: 2017.

 

Em meio a tanta bobagem dita e escrita pelas redes sociais sobre a revolução russa, e diante de tanta subliteratura historiográfica posta à nossa disposição, travestida com os rigores da ciência para esconder a mera histeria ideologica, achar um livro como de Sheila Fitzpatrick, historiadora australiana e professora da universidade de Sidney, especialista em história moderna da Rússia, é um alívio. Escrito em um estilo direto e sem muitos arrodeios, o texto de Fitzpatrick aborda um recorte de mais ou menos 30 anos, que vai dos acontecimentos de Fevereiro de 17, até os grandes expurgos stalinistas de 1937 e 1938. A primeira versão do texto foi redigida no verão de 1979, mas teve duas edições posteriores, uma em 1993 e outra em 2008. Sem querer cometer o vexame epistémico de defender uma suposta neutralidade do historiador ou algum apego à ideia de existência de fatos históricos imunes a interpretação, penso que o texto da professora australiana é um dos mais equilibrados que eu li sobre o assunto. Evita, com aquela elegância empírica da tradição anglo-saxã, sem se tornar um mero relatório de datas e acontecimentos, os riscos comuns que envolvem, ainda hoje, qualquer leitura da revolução de 17 (certamente o evento político mais significativo e marcante do século XX). Sem cair nem na demonização hiperbólica dos “comunofobos” militantes, nem na idealização ingênua dos revolucionários mais românticos, o livro usa uma chave hermenêutica extraída do trabalho de Crane Brinton sobre a revolução francesa, para narrar a história da revolução russa a partir de fases que vão do fervor revolucionário intenso até o desânimo e o cansaço que leva a um restabelecimento da ordem. Não sei se tem alguma edição brasileira recente. Essa eu consegui no Porto, na livraria Lello. Mesmo assim vale a pena procurar por aqui, pra quem tem interesse em compreender melhor as facetas da revolução de 1917 e se posicionar de modo seguro longe da quantidade ululante de baboseiras repetidas ao extremo (inclusive por professores de história) pelas veredas dessas redes sociais. Hoje, nesse tempo em que o “idiota da aldeia” é considerado autoridade intelectual em qualquer assunto (como disse certa vez o finado Umberto Eco) estou, mais do que nunca, convencido que o último refúgio contra a escuridão ainda é (e será por muito tempo) a biblioteca. Vale o preço.


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2007 ® Pablo Capistrano

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