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  • Pablo Capistrano
  • 18 de outubro de 2018, as 7h07

 

Era de se esperar que isso fosse acontecer. Pela minha TL começam a desfilar uma série de depoimentos, reportagens, declarações e artigos que mostram que começamos a fazer a transição entre o discurso e ação. A violência estrutural que mantém o sistema de exclusão e opressão funcionando no Brasil cobra seu preço e depois que o mestre autorizou com seu discurso a violência redentora, que limparia as impurezas do Brasil, seus discípulos começam uma perigosa “passagem ao ato” com xingamentos, ameaças, violência física, armas apontadas, suásticas marcadas nos corpos de suas vítimas e facadas pelas costas.

 

Não adianta o candidato do PSL, em sua versão “bolsinho paz e amor” tentar diminuir a própria responsabilidade pela nuvem sinistra de violência que se anuncia. Seu gesto de campanha, fazendo sinal de tiro, mais até do que seu discurso de apologia a tortura e ao assassinato, atua como uma autorização direcionada à seus discípulos. A força simbólica desse ato de violência libera os conteúdos selvagens reprimidos pela moralidade pública e, em um contexto de descrença, medo e raiva, são como gasolina em um incêndio anunciado. Sim, os discípulos do mestre podem atirar. Mas contra quem eles atiram?

 

A julgar pelos depoimentos que começam a pipocar em nosso cotidiano, e pelos relatos que surgem das mais variadas fontes, o alvo estão definidos: mulheres (que parecem feministas), pessoas (que parecem homossexuais ou transgeneros), jovens (que parecem esquerdistas ou petistas), professores (que parecem doutrinadores comunistas), intelectuais e artistas (que parecem parasitas do dinheiro público financiados pelo Estado), negros e pobres (que parecem os bandidos que te assaltam na esquina).

 

Nesse sentido o direito de emitir o julgamento sobre o mal que precisa ser exterminado é transferido para “o soldado do capitão”, o discípulo do mestre, o adepto do messias que vai decidir, na rua, quem deve ser o alvo dos tiros que vão “salvar o Brasil”.

 

No futuro, quando os historiadores fizerem um apanhado desses anos conturbados, não poderão eximir muitos agentes da culpa pelo que se anuncia. A esquerda por suas falhas estratégicas, inconsistências programáticas e transigência com a corrupção; a centro direita pelo seu golpismo irresponsável, O poder Judiciário, que abriu mão da fidelidade aos princípios civilizatórios do direito moderno para patrocinar uma destruição do sistema político, rasgando sem nenhuma cerimônia o pacto constitucional de 1988. Também as redes de TV pela sua cantilena ideológica cotidiana, que entre imagens de canos de esgoto, de prisões cinematográficas, denuncias e delações lidas no horário nobre, enfiou goela abaixo do Brasil mantra ideológico de que “a culpa é do PT”, “a culpa é do PT”, “a culpa é do PT”…

 

No mesmo saco vão os liberais de fachada. Jornalistas, radialistas, intelectuais, acadêmicos e cientistas políticos que por má fé ou leniência jogam seu liberalismo de sovaco na cova rasa dos covardes. Sim… claro. Como não podemos esquecer dos cristãos de araque. Os hipócritas que vomitam o evangelho de um Jesus que mata, prende e esfola. Um Jesus que não acolhe, que exclui, que humilha e apedreja ao invés cobrir de amor aqueles que sofrem. Sempre que eu vejo um desses renascidos antenado com o discurso do falso messias do PSL, lembro da frase que diz: “o último cristão morreu na cruz” e fico imaginando em que bases hermenêuticas e teológicas esse povo se inspira para validar esse tipo de barbárie?

 

Em um país em transe, atravessamos esse segundo turno das eleições de 2018 sabendo que os monstros estão soltos e que a cadela do fascismo já deu cria nas ruas do Brasil.


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2007 ® Pablo Capistrano

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