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  • Pablo Capistrano
  • 14 de maio de 2019, as 16h16

Sou professor há vinte anos.

 

Perdi as contas da quantidade de disciplinas que lecionei, de provas que corrigi, de aulas que dei, de livros que li e de pessoas que passaram diante de mim dentro de uma sala de aula. Não sou bom em decorar números, não sei produzir gráficos ou estatísticas, nem entendo muito de porcentagem (talvez um pouco mais do que o atual ministro Weintraub). Deixo as discussões técnicas sobre o orçamento federal para os especialistas em pedagogia e para os gestores, que põe diuturnamente a máquina da educação para rodar no Brasil.

 

Meu negócio é estudar, aprender e ensinar.

E o que eu aprendi nesses vinte anos (dez como professor da rede federal de ensino) é que educação é alquimia. É um processo fascinante de transformação da matéria bruta em um fluído sutil que é feito da mesma natureza de que são feitos os sonhos.

 

E os sonhos são os instrumentos que constroem o futuro.

 

Não teria sinceramente como dizer aqui em poucas linhas tudo que eu vi acontecer nos dez últimos anos como professor do IFRN (a escola onde fiz meu ensino médio no século passado e em que hoje estuda minha filha). O que vi, vi como professor, olhando no olho de meus alunos, escutando suas vozes, interpretando seus discursos, lendo seus textos em folhas de papel, vendo seus projetos de pesquisa serem apresentados mundo afora, seus gritos de torcida na abertura dos eventos esportivos, seu engajamento nos eventos da escola, sua alegria radiante nos dias de formatura.

 

Ser professor é estar ao lado, caminhar junto, ajudar a carregar o peso de crescer.

 

A escola é um veículo. Uma ferramenta. Um meio que permite que essa transmutação alquímica aconteça.

 

Minha escola não é perfeita porque é real. E só por ser real carrega em si todas as contradições do mundo. Mas junto a essas contradições ela cria condições para que milhares de jovens, Brasil a fora, possam esculpir o futuro com a matéria de seus sonhos.

E isso, amigo velho, custa dinheiro (que no campo da educação não é gasto, é investimento).

 

Mas não é só dinheiro, custa também um esforço monstruoso por parte de quem sustenta essa instituição chamada escola pública, para que as condições de trabalho de seus servidores e a qualidade da experiência pedagógica de seus alunos não se dissolva na vala comum da imensa carência coletiva a que é criminosamente submetido o povo brasileiro.

 

Por isso, diante de um governo cuja a arte mais refinada parece ser a da destruição total e que a maior estratégia é a de se esconder atrás de uma muralha de ignorância ideológica, regada em redes subterrâneas de  fake news, a única coisa que posso dizer, para diminuir a ansiedade e ajudar a dissolver um pouco a angústia que vejo no rosto de meus alunos  é: não caiam na armadilha da felicidade. Não se deixem prender a ilusão do conforto.

 

Acreditar que a vida seja alguma outra coisa que não luta radical, forte e constante é um caminho sem volta para a depressão e o ressentimento.

 

Nessa distopia pós apocalíptica em que querem transformar o Brasil o sinal da mais impiedosa revolta é fazer arder intensamente o afeto da esperança.

 

Aquilo que não nos mata, nos faz mais fortes.

Vocês não estão sozinhos.

 

 

DIA 15 DE MAIO: 15 HORAS EM FRENTE AO MIDWAY

 

 

#TiraAMãoDaMinhaEducação

#TiraAMãoDoMeuIF

 


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2007 ® Pablo Capistrano

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