• deus palhaço

    deus é artesão trabalha com barro   sim eu sei ele morreu nós o matamos   mas sua sombra coloniza qualquer mundo que a gente tente construir   deus é […]

    Leia mais
  • As hienas de Seu Jair (papo de quinta)

    Existem duas hipóteses, que não são excludentes, para explicar o caos permanente em que o presidente  brasileiro e sua família mantém o governo e o país.     Depois de postar […]

    Leia mais
  • De Novo: O Chile (Papo de Domingo)

    Quando a barra pesou mesmo aqui pelo Brasil, depois do AI-5, era o Chile que parecia trazer esperança de que o cerco de chumbo na América Latina poderia ser enfrentado. […]

    Leia mais
  • O Novo Normal (Papo de quarta)

    No tempo em que eu era aluno da UFRN, o meu orientador, o professor Glenn Walter Erickson, vez ou outra dizia nos nossos encontros sobre filosofia política: “Pablo, todo marxista […]

    Leia mais
  • Resistência discursiva em tempos monstruosos

    Uma das coisas positivas que a gente pode extrair dessa última semana de setembro de 2019, é que parece que há sinais de uma reação contra as monstruosidades que nos […]

    Leia mais
  • Pablo Capistrano
  • 27 de setembro de 2019, as 14h14

Uma das coisas positivas que a gente pode extrair dessa última semana de setembro de 2019, é que parece que há sinais de uma reação contra as monstruosidades que nos acostumamos ouvir pela esfera pública, nos últimos tempos.

 

A demissão de um comentarista Potiguar, que disse em uma rádio que a sueca Gretha Thunberg era uma  “vagabundinha histérica” que fazia greve e que “precisava de sexo”, mostra que ainda há limites morais para o discurso público.

 

Isso é um sinal auspicioso para os que combatem diuturnamente o bolsonarismo.

 

Afinal, uma das intenções desse movimento neo-fascista, que ameaça tomar conta do Brasil, é justamente a de explodir todos os limites da nossa moralidade discursiva, empurrando os limites da fala pública aos extremos.

 

As subjetividades autoritárias, alçadas a categoria de comentaristas políticos, ministros de Estado ou simples porta vozes ideológicos do novo governo, atuam, nesse sentido, meio que como clones digitais do presidente que elegeram.

 

Eles falam coisas monstruosas, agressivas, revoltantes e inadmissíveis. Destilam um tipo escatológico e brutal de retórica primitiva que, em circunstancias normais de temperatura democrática, seriam impensáveis de serem ditas em público sem uma forte reação da comunidade de falantes.

 

Quando fala, o bolsomínio típico, a espelho do seu “mito”, na verdade procura emitir aos demais seres humanos que partilham com ele da mesma esfera pública, uma mensagem de poder.

 

Quando nada acontece com o emissor desse tipo de monstruosidade retórica, quando não há reação moderadora por parte da comunidade de fala, o bolsomínio militante reforça para si e para os outros a mensagem: “Vejam como eu sou foda. Vejam como eu sou poderoso. Falo o que eu quiser. Sou superior a vocês. Posso tudo”.

 

Foi com  base nessa estratégia que o atual ocupante do palácio do Planalto fez toda sua carreira política.

Ser desagradável, monstruoso, irritante e completamente sem noção do que diz no exercício do cargo que ocupa, parece ser um pré-requisito essencial para fazer parte do governo Bolssonaro. Do ministro da economia ao da educação, todo mundo que se aproxima desse governo parece se esforçar para repetir o padrão do “mito” que escolheram como presidente.

 

Sim…. Claro, ofender mulheres é uma outra característica da turba.

 

Da primeira dama da França, passando por Fernanda Montenegro (nossa maior atriz e referência fundamental da cultura nacional) até a jovem sueca ativista do clima, a horda bolssonarista, por convicção, distúrbio ou simples malcaratismo, atua para corroer as bases mínimas de educação e bom senso discursivo, compartilhadas pela nossa moralidade pública.

 

Por isso, a reação que se seguiu aos comentários do advogado potiguar na 96 FM e depois na TV Tropical, foram tão importantes.

 

Reestabelecer a civilidade no discurso público no país, reconstruir as bases de um contrato social que nos permita reconstruir o diálogo e salvar o que resta da nossa parca democracia, implica reagir com veemência a esse tipo pilantragem fascistoide.

 

Essa é uma das inúmeras trincheiras que os que resistem a vaga autoritária precisam cavar para montar a tão falada resistência.


Um Comentário para “Resistência discursiva em tempos monstruosos”

  1. Ciclamio L Barreto28/9/2019 às 16:04

    Excelente reflexão!

Deixe seu comentário

2007 ® Pablo Capistrano

dz3