• Resistência discursiva em tempos monstruosos

    Uma das coisas positivas que a gente pode extrair dessa última semana de setembro de 2019, é que parece que há sinais de uma reação contra as monstruosidades que nos […]

    Leia mais
  • 15 M DIA DE LUTA

    Sou professor há vinte anos.   Perdi as contas da quantidade de disciplinas que lecionei, de provas que corrigi, de aulas que dei, de livros que li e de pessoas […]

    Leia mais
  • Cenas de uma loucura hermenêutica

      No meu tempo de adolescente (ou seja… no final do século passado) meus amigos trotskistas costumavam a contar uma piada bem curiosa sobre o período dos grandes expurgos do […]

    Leia mais
  • Contra quem eles atiram?

      Era de se esperar que isso fosse acontecer. Pela minha TL começam a desfilar uma série de depoimentos, reportagens, declarações e artigos que mostram que começamos a fazer a […]

    Leia mais
  • A eleição do não

      Parece sempre mais forte no Brasil a ideia hegeliana  de que os conteúdos não superados da história tendem a se repetir. Já tivemos Jânio, com suas vassouras; Collor o inesquecível […]

    Leia mais
  • Pablo Capistrano
  • 27 de setembro de 2019, as 14h14

Uma das coisas positivas que a gente pode extrair dessa última semana de setembro de 2019, é que parece que há sinais de uma reação contra as monstruosidades que nos acostumamos ouvir pela esfera pública, nos últimos tempos.

 

A demissão de um comentarista Potiguar, que disse em uma rádio que a sueca Gretha Thunberg era uma  “vagabundinha histérica” que fazia greve e que “precisava de sexo”, mostra que ainda há limites morais para o discurso público.

 

Isso é um sinal auspicioso para os que combatem diuturnamente o bolsonarismo.

 

Afinal, uma das intenções desse movimento neo-fascista, que ameaça tomar conta do Brasil, é justamente a de explodir todos os limites da nossa moralidade discursiva, empurrando os limites da fala pública aos extremos.

 

As subjetividades autoritárias, alçadas a categoria de comentaristas políticos, ministros de Estado ou simples porta vozes ideológicos do novo governo, atuam, nesse sentido, meio que como clones digitais do presidente que elegeram.

 

Eles falam coisas monstruosas, agressivas, revoltantes e inadmissíveis. Destilam um tipo escatológico e brutal de retórica primitiva que, em circunstancias normais de temperatura democrática, seriam impensáveis de serem ditas em público sem uma forte reação da comunidade de falantes.

 

Quando fala, o bolsomínio típico, a espelho do seu “mito”, na verdade procura emitir aos demais seres humanos que partilham com ele da mesma esfera pública, uma mensagem de poder.

 

Quando nada acontece com o emissor desse tipo de monstruosidade retórica, quando não há reação moderadora por parte da comunidade de fala, o bolsomínio militante reforça para si e para os outros a mensagem: “Vejam como eu sou foda. Vejam como eu sou poderoso. Falo o que eu quiser. Sou superior a vocês. Posso tudo”.

 

Foi com  base nessa estratégia que o atual ocupante do palácio do Planalto fez toda sua carreira política.

Ser desagradável, monstruoso, irritante e completamente sem noção do que diz no exercício do cargo que ocupa, parece ser um pré-requisito essencial para fazer parte do governo Bolssonaro. Do ministro da economia ao da educação, todo mundo que se aproxima desse governo parece se esforçar para repetir o padrão do “mito” que escolheram como presidente.

 

Sim…. Claro, ofender mulheres é uma outra característica da turba.

 

Da primeira dama da França, passando por Fernanda Montenegro (nossa maior atriz e referência fundamental da cultura nacional) até a jovem sueca ativista do clima, a horda bolssonarista, por convicção, distúrbio ou simples malcaratismo, atua para corroer as bases mínimas de educação e bom senso discursivo, compartilhadas pela nossa moralidade pública.

 

Por isso, a reação que se seguiu aos comentários do advogado potiguar na 96 FM e depois na TV Tropical, foram tão importantes.

 

Reestabelecer a civilidade no discurso público no país, reconstruir as bases de um contrato social que nos permita reconstruir o diálogo e salvar o que resta da nossa parca democracia, implica reagir com veemência a esse tipo pilantragem fascistoide.

 

Essa é uma das inúmeras trincheiras que os que resistem a vaga autoritária precisam cavar para montar a tão falada resistência.


Deixe seu comentário

2007 ® Pablo Capistrano

dz3