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  • Pablo Capistrano
  • 31 de outubro de 2019, as 12h12

Existem duas hipóteses, que não são excludentes, para explicar o caos permanente em que o presidente  brasileiro e sua família mantém o governo e o país.

 

 

Depois de postar um vídeo em que se compara a um leão cercado de hienas e fazer uma live na internet em meio a um surto histérico, o Seu Jair vê o filho Eduardo ameaçar a nação com um “Novo AI 5” caso o povo resolva demonstrar qualquer tipo de descontentamento nas ruas, como ocorre no Chile, Equador, Haiti, Hong Kong e por ai vai…

 

 

A primeira hipótese é que esse comportamento, como indica o jornalista Gilberto Dimenstein e o jornal britânico Financial Times, seria o sinal de que o presidente tem algum tipo não diagnosticado de transtorno mental. Talvez, até quem sabe, uma esquizofrenia paranoide em estado latente.

 

 

A segunda hipótese, é que todo esse furdunço político permanente em que é posto o país pela família presidencial, seja apenas uma estratégia de sobrevivência política.

 

 

No que diz respeito a essa segunda hipótese, não há o que se esconder: a proposta do bolso-olavismo é mesmo a de um golpe que permita que a família do presidente governe o país do único modo que sabe (como toda gangue miliciana faz nos territórios que controla): com base na coerção, violência e terror.

 

 

Afinal, o presidente já demonstrou que não tem a mímina capacidade de governar um país de 200 milhões de pessoas em um ambiente democrático.

 

 

Caso a primeira hipótese (a do simples e puro transtorno mental) prevaleça, estaríamos, então, diante de uma figura clássica do tirano, como descreve Platão na República.

 

 

Isso fica evidente se deixarmos claro que, do ponto de vista da filosofia política ocidental, há uma diferença fundamental entre um ditador e um tirano.

 

 

O tirano, segundo Platão, não é simplesmente alguém que tenha poder de vida e morte sobre os cidadãos da cidade (como no caso de Cincinatus, o primeiro e mitológicoditactus romano). Um tirano é fundamentalmente alguém desequilibrado, que não tem condições de agir racionalmente e cede aos impulsos atávicos e irrascíveis que emanam das partes instintivas de sua própria alma perturbada.

 

Dessa maneira, o tirano age de modo a usar o poder que tem a partir de uma perspectiva de favorecimento pessoal, de si e dos seus, e leva sempre inexoravelmente a cidade que governa a um estado de decadência, desordem e, por fim, a guerra civil.

 

 

O tirano não se controla, não se contem, não se mantem lúcido. Ele age por impulso e só consegue sobreviver politicamente em meio ao caos e a desordem.

 

 

Um ditador é sempre um líder autoritário, mas nem sempre é um tirano. Ele pode ser  também um estadista que mantem uma certa racionalidade política e que tem convicções fortes sobre o que seria bom para todos, sendo capaz de manter alguma harmonia e coesão social, mesmo que pela força.

 

 

O tirano, mesmo que não tenha um poder absoluto, nunca consegue pensar como um estadista, agindo sempre  como um elemento de desordem, promovendo injustiça e caos no mundo da polis em função de seu próprio desequilíbrio psíquico.

 

 

Hitler, o sujeito que mais parece com Bolsonaro na história política moderna, ascendeu ao poder dando a impressão aos alemães que era um estadista, mesmo todos sabendo que era um ditador. No fim, mostrou-se um desequilibrado completo e conseguiu fazer, como bem observou Bertolt Brecht, com que a fina flor da burguesia berlinense, que o apoiou por medo dos comunistas, se prostituísse com os soldados russos e americanos, em troca de uma ou duas latas de salsichas.

 

 

Nesse ponto, Bolsonaro, ao contrário de Hitler, nunca enganou ninguém.

 

Tanto faz se foi por loucura ou estratégia, ele nunca escondeu de nenhum de seus eleitores sua alma de tirano.

 

Só não vê, quem não quer.


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2007 ® Pablo Capistrano

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