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  • Pablo Capistrano
  • 12 de junho de 2020, as 7h07

A ideia de derrubar estátuas parece que chegou a Natal e a imagem de Cascudo no memorial que leva seu nome, na Cidade Alta, apareceu como candidata a degola. Mas será que a moçada está apontando as baterias pra figura histórica certa? – Vai ai um fio.

 

 

 

  1. Inicialmente é preciso admitir: sim, Cascudo foi um integralista raiz. De primeira hora. Lá nos anos de 1930, ele foi um dos mais ativos colaboradores do jornal A Offensiva, porta-voz da ABI (Ação Integralista Brasileira)
  2. Lá publicou artigos sobre o Fascismo na Itália, Argentina, Turquia e Pérsia. E fez dois textos sobre o nazismo alemão: “O hitlerismo invade os Estados Unidos” e “O pretexto do armamentismo alemão”
  3. Segundo artigo de Durval Muniz de Albuquerque (quem quiser eu passo a referência) entre os autores mais citados por Cascudo, estava a fina flor do conservadorismo católico ibérico. Gente que serviu de base teórica para o regime de Franco e o de Salazar.
  4. Que eu saiba (pode ser que esteja errado) Cascudo nunca pediu desculpas pela sua adesão ao integralismo nos anos 30, nem parece ter se afastado de sua base conservadora, cheia de saudosismos monárquicos e de um espirito contra reformista de base ibérico-católica, que deu ensejo em Portugal e Espanha ao antissemitismo inquisitorial que levou a expulsão dos judeus da peninsula iberica e a perseguição aos “critãos novos”.
  5. A questão então é: esse dado político é razão necessária e suficiente para direcionarmos nosso ódio anticolonial e antirracista contra Cascudo.
  6. Para mim, guardadas as devidas proporções, essa é uma questão semelhante a que se põe sobre Heidegger na Alemanha.
  7. Heidegger, todo mundo sabe, foi um nazista safado. Nunca pediu desculpas, nunca se arrependeu e, depois da publicação de seus Cadernos Negros, o mundo descobriu escandalizado, que ele manteve-se realmente um nazista safado até a sua morte em 1976.
  8. Mesmo assim deveríamos deixar de ler Heidegger por causa disso?
  9. A resposta só pode ser dada se fizermos uma pergunta crítica: é possível extrair o núcleo nazista da obra de Heidegger fazendo um processo de desnazificação de seu pensamento? Se sim, o que sobraria seria relevante?
  10. A mesma questão pode-se colocar sobre o autor de Made In Africa e Meleagro. Se extrairmos o integralismo salazarista de Cascudo, o que sobra é significativo e relevante para a cultura e o pensamento brasileiro?
  11. Acredito que antes de derrubarmos suas estátuas e queimarmos seus livros precisaríamos fazer uma leitura hermenêutica filosoficamente forte de Cascudo a partir dessa questão. Algo que, com raríssimas exceções, nunca foi feito nessa taba de Poty, diga-se de passagem.
  12. Por isso, na minha opinião seria melhor por enquanto, focar nosso esforço iconoclasta em outros ídolos de ferro espalhados pela cidade, afinal, de velhos galinhas verdes a cultura potiguar está cheia.
  13. Como neto de Dona Adélia Aline de Paiva, uma bacurau raiz, que já carregava um pé de mamoeiro atrás do finado governador Aluízio Alves lá no pé da serra do Lima, na campanha de 60, poderia sugerir uma estátua que fica na entrada da Via Costeira ali em Ponta Negra, mas não vou legislar em causa própria. Prefiro deixar que o bom senso da nossa aldeia promova uma seleção mais consensual.

Um Comentário para “Nosso Problema Com Cascudo”

  1. Ulisses Pessoa16/6/2020 às 5:55

    Caxias. Mereceria ao menos um cascudo, esse chauvinista xarias (com o perdão do pleonasmo).

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2007 ® Pablo Capistrano

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