Li hoje no jornal que encontraram o corpo de Klaus no porta malas de um carro perto de um morro.
Senti um alívio profundo quando especularam sobre a cocaína. Ele era meu amigo, mas acho que também poderia tê-lo matado. Existem algumas pessoas que anseiam pela morte. Acho que elas precisam da morte para que as quatro fontes da própria doença desapareçam.
O medo do mundo, o medo da transitoriedade, o medo da dor e a incapacidade de administrar os próprios desejos. Para essas pessoas a morte pode até ser um bem. Em certo sentido Klaus caminhava por essa estrada. Um caminho de tijolos cor de merda. Fiquei triste por não ter podido matá-lo porque acho que ele ficaria feliz de eu ter dado essa mãozinha. Vou ficar devendo essa a ele.
Agora só preciso de cuidado para não entrar na roda das especulações e não atrapalhar o projeto. A meta é simples: 1º enviar o relatório o mais rápido possível; 2º sair da cidade; 3º comprar um presente e entregar para Tereza para que ela não tenha a alma carregada pelas sombras quando eu partir.
(por que eu escrevi isso? por que me preocupar com a alma dela? Uma alma a mais, uma alma a menos não faz mesmo muita diferença. No final todas vão caminhar para a mesma escuridão e para o mesmo silêncio.) |