| 31.8.05 |
| Adeus Nova Orleans |
| Só tem duas cidades que alteram meus hormônios nos EUA. Nova York, porque é Nova York e não precisa dizer mais nada e Nova Orleans. Sempre que vejo no Google Earth Nova Orleans sinto o cheiro do Jazz. Do sotaque francês e do creole. Pensava em ir lá qualquer dia, tomar uma em algum boteco cheio da profunda raiz negra do blues e do jazz. mas agora eu pergunto: quem foi o imbecil que resolveu construir aquela cidade abaixo do nível do mar? porra! poderiam ter feito ela em outro local... sacanagem! |
| por Pablo Capistrano [10:05] |
| 24.8.05 |
| Sacanagem literária |
| Consegui chegar na página 581 de Crime e Castigo! Sabe como é... Eu leio muita coisa ao mesmo tempo, uns dez livros (coisa de DDA) e quase nunca consigo terminar o que começo a ler (esse é um segredo que espero que vocês mantenham bem guardado). Exceção da literatura... é claro. Mas o fato é que Svidrigáilov teve um destino desconcertante na página 581. Para quem não sabe, Svidrigáilov era um canalha. Um verdadeiro filho da puta cujo esporte predileto era deflorar menininhas de quinze anos e depois vê-las darem cabo da própria vida. Mas Svidrigáilov dança quando se apaixona pela irmã de Raskholnikov. Mas ela não se submete a ele e, mesmo com a chantagem, com as propostas indecorosas, ela o rejeita de modo miserável. Um fora clássico. Daqueles que deixam o sujeito uma semana pensando em se mudar para um mosteiro beneditino. Mas os personagens de Doistoévski são intensos demais para mudarem-se para um mosteiro beneditino. (além do quê eles são ortodoxos). Então Svidrigáilov vai para a rua após uma noite infernal que suores e possessões demoníacas. Ele vai até a ponte do Pequeno Nievá com uma arma na mão. Alguma coisa partiu dentro do canalha. Alguma coisa dividiu-se ao meio e ele não suporta mais o peso da sua própria podridão moral. Ah ah ah ah ah. Que desfecho mais cristão! Platão deve estar até hoje gritando para Doistoiévski: yahooooooooooo! (sem nenhuma alusão a Jonathan Swift). Então o canalha chega armado nas margens do Pequeno Nievá e vê um soldado chamado Akhiles. segue o desfecho da história: _ Que procura por aqui? - disse, sem se mexer e sem mudar de posição. _ Eu, nada, meu caro. Bom dia - respondeu Svidrigáilov. _Isto não é lugar... _ Eu, meu amigo, vou para o estrangeiro. _ Para o estrangeiro? _Para América. _Para América? Svidrigáilov puxou o revolver pôs uma bala no tambor. Akhiles franziu o sobrolho. _ A que propósito vem essa gracinha? Isto não é lugar. _ E por que não é lugar? _ Porque não. _Bem, meu amigo, tanto faz. È um bom lugar; se te perguntarem, dirás, com mil diabos, que fui para América. Apoiou o revólver sobre a fronte direita. _ Ah, isso não, aqui não é lugar! - gritou Akhiles, abrindo cada vez mais os olhos. Svidrigáilov puxou o gatilho.... Ps.: O grande enigma. Por que "América"? Hipóteses: (A) Doistoiévski torcia pelo ABC futebol clube. (B) Doistoévski odiava Gloria Peres. (C) Doistoiéviski era um comunista safado. (D) NRA |
| por Pablo Capistrano [10:19] |
| 21.8.05 |
| Hopper e a moça no café |
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| por Pablo Capistrano [08:46] |
| 20.8.05 |
| Definições II - Via Costeira |
| A via costeira é uma estrada em Natal de mais ou menos dez quilômetros que liga ponta negra ao que sobrou do mundo, e que te faz acreditar que a vida é bela. |
| por Pablo Capistrano [13:34] |
| Definições I |
| Muitas são as teorias sobre a natureza dos vírus. Pensavam neles como partículas minerais microscópicas que zanzavam de lá para cá entrando e saindo de corpos orgânicos. Depois descobriram que os vírus estão no limite entre o que é vivo e o que não é. Mas poucas definições acerca da natureza dos vírus foram mais acertadas do que a de Alexandre Gouveia. Um dos remanescentes da primeira formação do Sótão 277 que me disse num dia de lua cheia. "O vírus é uma bactéria gay". |
| por Pablo Capistrano [13:32] |
| mar, uma palavra feminina |
| Mar deveria ser uma palavra feminina. É um erro chamá-la de homem. Quando a lua enche a mar se perturba. Quando a chuva cai no inverno ela (mar) se esconde, envergonhado pela água doce dos rios que tornam suas águas mais barrentas. Envergonhado a mar levanta uma cortina de poeira que impede a boa visibilidade dos mergulhos. Ela fica introspecta, como se tivesse pudor em mostrar-se invadida. Como se cobrisse sua genitália com uma cortina amanrozada de sedimentos. A mar de natal é um dos mais femininos que eu conheço. Ela é um mar difícil porque só se mostra bem aos que querem afundar no mais profundo, no verão. Quando o clima está seco e o sol tira as nuvens do céu. Ela não gosta que as nuvens fiquem lá em cima, observando os humanos invadirem suas águas. Então ela se enfeia de propósito e usa o vento para alertar aos mergulhadores que não é esse um bom momento para tentar ver aquilo que está mais oculto. Você já percebeu como, quando o vento frio de Agosto aparece, a mar fica cheio de marolas, cruzando os fluxos de água para lá e para cá, levando o ritmo dela num giro caótico que embrulha a terra? Certo são os franceses que a chamam com nome de mulher. Por isso que eu gosto dela. Porque, para aprender a admirar a mar tem que ter paciência e saber o momento certo para se afundar em suas águas. Respeitar suas regras e seus limites. O resto é só desejo, é só vontade e nada mais. (para Ana) |
| por Pablo Capistrano [13:27] |
| De Volta aos poemas com meu Pai |
| a semente meloma da palavra degredada vocaliza o cântico matinal do poema anônimo ? espírito espiritual esperança. Franklin Capistrano (Poema Inédito) |
| por Pablo Capistrano [13:26] |
| 17.8.05 |
| nomenclatura |
| perguntei a minha avó, Dona Adélia, de 84 anos se ela já havia ouvido falar do Orkut. ela nasceu na era do rádio, em 1921, em algum lugar perdido entre a Serra do Lima em patu e olho d´água dos Borges em pleno alto oeste potiguar. Uma terra seca e dura. Cheia de pedras, mas que misteriosamente exerce um fascinio espantoso nela. Eu, que sou um bicho do litoral, não entendo essa fascinação pela terra que meus ancestrais sertanejos têm. Sou mais afeito a um horizonte sem limites e uma brisa marinha. mas, como eu ia dizendo, perguntei a minha avó: "Vó, A Senhora já ouviu falar de Orkut?" ela respondeu "Já, meu filho, não é aquele negócio que parece qualhada?". lembrei de Marshal McLuhan - "Os homens criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens" |
| por Pablo Capistrano [11:15] |
| 15.8.05 |
| Lição do Tio Nelson (Rodrigues, por favor não confundir com o outro) |
| Resposta do Nelson Rodrigues em uma entrevista à revista Playboy em 1979. Jornalista: Para o espectador burro, qual é a diferença entre A Dama da Lotação em uma pornochanchada vulgar? Nelson: Meu coração, que o espectador burro não saiba a diferença, isso é uma fatalidade do espectador, ouviu? Eu não sou culpado da burrice humana; aliás, 99% da criatura humana é imbecil. |
| por Pablo Capistrano [11:43] |
| 10.8.05 |
| Desenterrando Marx |
| Lembra daquele livro velho de Marx que seu pai, avô ou algum conhecido enterrou no quintal de casa na época da ditadura? Pois é. Está na hora de desenterrá-lo e dar uma boa lida nele. Não falo do Marx agitador político do Manifesto Comunista, nem do hermético pensador econômico que escreveu O Capital. Falo do Marx filósofo. O sujeito que doutorou-se em filosofia com uma tese sobre o cruzamento teórico de dois filósofos clássicos, Demócrito e Epicuro. Esse é o Marx que pretendeu reformular a metafísica da história que Hegel empurrou goela abaixo do ocidente no começo do século XIX. Mas por que desenterrá-lo agora? Porque só repensando Marx é que vamos entender a sinuca de bico na qual o PT se meteu. Nascido sob a confluência de três vertentes políticas significativas (a Igreja, os Sindicatos e a intelectualidade universitária paulista) o PT começou sua história como um bom e velho partido marxista e acabou assumindo de modo descuidado a metafísica de Hegel. Entender como isso aconteceu é fundamental para a esquerda brasileira retomar seu caminho. O PT apareceu como um partido que se arrogava à tarefa de ser o porta-voz de um sem número de movimentos sociais. Do movimento sindical aos sem-terra. Das pastorais operárias aos grupos da sociedade civil que lutavam pela defesa dos direitos das minorias políticas. Ele deveria ser o braço político de uma reforma social que caminharia pela base da infra-estrutura econômica e social do país. A tal revolução deveria acontecer independente da vitória nas urnas, porque Marx, colocando pés em Hegel e virando-o de ponta à cabeça, entendia que não é atuando no corpo do Estado que se modifica uma sociedade, mas sim agindo, como as formigas fazem, pela base. Sabotando a lógica econômica que institui a dissolução do homem no altar da máquina de reproduzir ilusões do capital. O PT começou a perder o fio da meada da sua história quando começou a ficar maior do que os movimentos que lhe geraram. Quando trocou o projeto de reforma social pelo projeto de apropriação do Estado. Então o PT caiu na armadilha de Hegel e vendeu a idéia a seus militantes e a sociedade civil que, ganhando a presidência da República, poderia implementar as reformas sociais que pretendia fazer. Mas não se muda uma sociedade de cima para baixo. Não é materializando o espírito absoluto no corpo Estatal que vai se quebrar o truque da alienação do trabalho e da produção de riquezas do capitalismo. O PT acabou usando os movimentos sociais que lhe legitimavam para chegar ao poder e acabou enfraquecendo a proposta de reforma social que lhe deu origem. Não foi o PT que contaminou o Estado nacional com seu ideário político. Foi o Estado nacional brasileiro, com seus vícios históricos, que arrastou o PT para longe de suas próprias utopias. Graças à filosofia nunca fui petista. Hoje é fácil escrever esse artigo porque é bem mais simples entender a história depois que ela acontece. Mas refletir sobre os deslizes conceituais que montaram a tragédia que o Brasil vive hoje é uma tarefa da qual não posso me furtar. Se há uma saída para a crise da esquerda brasileira ela está na releitura de suas bases filosóficas. Hoje eu percebo... Deveria ter votado em Serra. Não porque acho o PSDB grande coisa. Meu tio, Antônio Capistrano (ex-Vice Prefeito de Mossoró), já alertava na época da eleição de 2002, que a pior coisa que se faria com o PT era deixar que ele governasse o país. Porque o Estado, não é um animal doméstico. É uma fera selvagem, que tritura e devora, na mesma vala comum de miséria moral, aqueles que ousam se aproximar de suas garras. Mas toda crise é uma benção, porque nos indica que temos que abandonar o cadáver de nossas crenças já velhas e trocá-lo pela inquietante lufada de ar do imponderável. Viva o futuro! Nunca é tarde para recomeçar e, como diz Gabriel, O Pensador, nenhuma rua é sem saída quando se sabe olhar para trás. |
| por Pablo Capistrano [11:28] |
| Solução para o Brasil segundo Hopper |
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| por Pablo Capistrano [11:19] |
| 5.8.05 |
| Reflexões sobre o pôr do sol |
| Quando eu fui assistir ao filme a Queda, ainda em cartaz nos cinemas da cidade, pensei que iria apenas assistir um filme sobre as últimas horas de Hitler no seu Bunker em Berlim. Mas vi um pouco mais do que isso. Acabei assistindo um filme sobre a morte. Ela é a grande temática do filme. A grade estrela da peça. Duas seqüências são representativas dessa idéia. O momento em que um Hilter consciente de seu fim planeja com um médico o próprio suicídio e o assasinato dos filhos de Gobbels. Hitler Iria usar uma arma apontada para a cabeça aliada a uma cápsula de veneno entre os dentes. Precisava ser preciso, porque não poderia morder o veneno antes de atirar contra o crânio. A força do tiro o faria trincar os dentes e quebrar a cápsula, garantindo o sucesso da sua própria morte. Na outra seqüência a mulher de Gobbels mata os filhos envenenados. A mãe ministra uma droga para que eles durmam e depois aplica o veneno. Nesse momento, uma senhora do meu lado comentava chocada: "Que mulher louca! Que mulher louca!". Mas como manter a sanidade num momento como aquele? Acostumados com finais hollywoodianos, nos quais o mocinho sempre escapa debaixo de uma saraivada de balas e os bons sempre tem um futuro brilhante, o público médio do cinema demora a entender que uma guerra não é uma aventura excitante. Uma guerra é sempre uma situação limite no qual os nossos critérios de moralidade se esfarelam. O filósofo romano Sêneca indicava que um dos principais erros de juízo, que levam os homens a um sofrimento injustificado, é o que indica que os bons e inocentes, pela sua bondade, são recompensados e os maus, pela sua vilania, são punidos. Essa pedagogia moral é importante quando educamos nossos filhos para que se tornem cidadãos respeitáveis e honestos, mas é absolutamente ineficaz diante da vida. O fluxo da vida não obedece a critérios de moralidade. Existe um vazio ético fundamental na natureza e a idéia de bondade, inocência e justiça não casa com as regras de sobrevivência que todos somos obrigados a seguir para se manter no mundo. Uma bomba não mata apenas os bandidos. Ela não tem critérios morais de seleção. A regra é a da causalidade e só. Numa guerra, num espaço no qual a morte deixa de ser uma experiência meramente individual e passa a ser um espectro coletivo, o valor da vida em si se perde completamente. O que deixa o espectador pasmo e inquieto, ao assistir o crepúsculo dos últimos dias do Reich é a inquietante sensação de que não há uma escala de valores que possa te salvar da morte. O tempo de cada um é o tempo de cada um e o fato de você escapar com vida num cenário destroçado é só um detalhe no meio de um imenso amontoado de acasos. Mas o filme tem uma seqüência final que nos redime e parece aliviar a barra dessa tomada de consciência cruel acerca da natureza dos fatos. Não vou contar para não estragar a surpresa (odeio quem conta o final dos filmes). Mas, se você resolver assisti-lo, dê uma olhada na luz da cena final. Ela vem pela lateral, iluminando o rosto dos personagens. Uma luz que vem o leste. O mesmo leste que trouxe as tropas russas que destroçaram o reich de Mil anos e as utopias de pureza, beleza e bondade do nacional-socialismo. A luz do nascer do sol que parece sempre indicar que a vida e a morte são aspectos de um mesmo e único processo. A tal roda do tempo da qual Sidarta Gautama (mais conhecido na feira do Alecrim como Buda) tentou nos libertar. Eu assisti na mesma semana, A Fantástica Fábrica de Chocolates e A Queda, nada mais díspare. Mas eu tenho uma estratégia curiosa para viver bem. Usar a fantasia para iluminar os dias ruins e a realidade para não me viciar com os dias bons. |
| por Pablo Capistrano [11:49] |
| Crepúsculo de Hopper |
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| por Pablo Capistrano [11:47] |
| 1.8.05 |
| Agradecimentos |
| Queria agradecer a todos os amigos que compareceram ao lançamento do PC na última noite de sábado na AS livros do Praia Shopping e que, a despeito da chuva e da festa de Santana, prestigiaram o evento. Valeu! Para quem não foi, bom lembrar que o livro já está a disposição de todo mundo nas livrarias de Natal. O evento foi muito bom especialmente, as apresentações surpresa que entreteram o público. O número das dançarinas anãs da Indonésia foi o que mais chamou atenção. Mas também teve os malabaristas siameses do gabão e a exposição virtual de animais exóticos do canal de Madascagar. Muito interessante. A turma do White Streipes também fez um show surpresa, parecido com o de Manaus e tocou um cover do Noel Rosa (o clássico O Maior Castigo Que Eu Te Dou, gravado na versão original pela Aracy de Almeida), acompanhado pelos músicos Esso Alencar e Paulo Ricardo com seu insuperável cavaquinho. O tetrapharmakon rolou solto e teve gente que saiu meio trôpega pela praia de ponta negra durante a noite tendo visões de Deus e revelações místicas. Também prestigiaram a festa inúmeras celebridades dos quadrinhos, como a Jean Grey , que estava de férias na praia de Pipa e apareceu com seu namorado argentino Carlito Passarela (importante investidor da área turística). Mat Murdock, que está prestando assessoria a um importante escritório de advocacia da cidade, também deu uma passada por lá prestigiando o evento. Ah! Também deram um pulinho por lá os Freak Brothes, mas eles passaram pouco tempo porque estavam muito chapados e começaram a fazer bagunça na AS o que deixou o Cícero e o Aldair preocupados. De qualquer modo agradeço a todos pela presença e pela Força. Liberdade, amizade e reflexão! |
| por Pablo Capistrano [12:12] |
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