| 29.9.05 |
| O som da literatura de Pablo Capistrano e o som da pintura de Flávio Freitas |
| Olha só o texto que saiu na página da Velvet discos: www.velvetdiscos.com.br Por Carito* Track 1, folha 1 Com a palavra: o som das letras de Pablo. Qual seria o som que inspira a lira (e a ira) do escritor potiguar Pablo Capistrano? Não sei se existe isso assim, desse jeito, mas fiquei pensando a respeito. Será que ele escuta alguma coisa enquanto ferve, ou seja ? enquanto escreve? Qual som tem sua verve? Sei que além de filósofo, é um amante da musica, do universo antropofágico e antro-pó-trágico do rock. Antro é com ele mesmo: veio do Sótão 277, um lugar-movimento ou um lugar em movimento (entre no site-sótão da casa internética de Pablo Capistrano www.pablocapistarno.com.br ). Do Sótão para os porões e vice-versos. Quartos escuros, jardins floridos... quintais reais ou imaginários... Qual seriam os sonidos desses grunhidos literários? Qual pai-som ou filha sonora acalanta as tantas prosas, espinhos e rosas do seu canteiro? Quem canta primeiro no seu canteiro? Qual som seria caos pra toda a obra? Ou pelo menos para sua obra que ganhou mundo adentro dos ambientes filosóficos-poéticos-existenciais e sonoros que reverencia e vivencia, como fabricante brincante e consumidor de dor. Mora na filosofia? Pra que rimar amor e dor? Meu vizinho aqui no site da Velvet fez o maior barulho com o livro em rodopio relançado recentemente na Bienal do Rio (?Pequenas Catástrofes? ? Editora Rocco). Muito barulho por tudo! Seria um barulho intimista como esse que agora escuto enquanto suspeito o som dos seus feitos, ?Tindersticks?, ou/e explosões na cútis de Ian Curtis? Agora que lhe encontrarei, daqui a pouco, na Praça das Flores, e começarei a ler seu livro, penso que escutarei o som das folhas de trilha própria ou imprópria no sampler-Capistrano do mundo vasto mundo. Se eu me chamasse Raimundo ou Drummond, também gostaria do re-verso do seu som. O próprio Pablo dá as pistas, quer matar a fome de escrever com facas sonoras, não some, no cume assume o crime pessoalmente. Converso com ele e ele me revela quem musicalmente vela enquanto digita a orelha que grita: Pixies, Mozart, Kraftwerk, Velvet Underground, The Stooges, Chet Baker, Chopin, Bugs, Joy Division, Dave Brubeck, Clube da Esquina, Coco de zambê de Tibau do Sul. No meu encontro com Pablo, uma coincidência (?) reveladora. Quando falei pra ele da idéia de fazer um texto sobre o som de suas palavras, ele simplesmente me entregou seu livro e me mostrou que ele realmente tem uma trilha sonora. Assim mesmo, com esse título, com uma página dedicada a isso, com todos os nomes aos bois para dormir e acordar (página 199). Uma música acena para cada cena. Pablo então me contou que construiu o livro como uma colagem, como se estivesse construindo uma música eletrônica, recortando, copiando, colando, vomitando as idéias em cenas com som. Agora a tarde finda na Praça das Flores. O DJ das letras se levanta. É também professor e vai dar aula na faculdade. E eu volto ao meu ap-base para quando estou em Natal, com saudades de Ponta do Mel. Fazia mais de 10 anos que não nos encontrávamos e até esquecemos que esse encontro de hoje foi realmente nosso primeiro encontro. Um dia, há mais de 10 anos atrás, quase nos conhecemos em uma carona que Pablo pegou comigo. Só lembro que o som do toca-fitas do carro estava alto, como nosotros. Agora pego carona no seu livro e me sinto mais vivo com isso. Caminho e vejo seu vulto se afastando na sombra da tarde. Quem caminha à sombra é o personagem ou o autor? Ser híbrido a nos falar: ?Hoje as sombras se tornaram o meu lar?. Às vezes a vida pode ser um lar doce lar assombrado ? assombração na tarde à sombra, som! Som psicodélico que nos faz flutuar sobre nossos abismos e dores. Vida-táxi na Praça das Flores... nos levando a ler mais, nos levando a Leminski, quem sabe ao som de Stravinsky. Literatura na partitura: ?Sombras derrubam sombras quando a treva está madura. Sombras o vento leva. Sombra nenhuma dura?. _________________________________________________ Track 2, tela 2 GarSOM: Sai uma porção de bata-tinta com Freitas!!! Flávio exala exílio. Flávio Freitas ou Flávio Lagartixa que sonha... Já viu cação lixa em Noronha e subiu nos prédios de Nova York, pintou mais de vinte com Leonardo em Florença, aumentou sua crença, e fez da fé seu livro de cabeceira para poder finalmente chegar à Ribeira... velha de guerra... Onde pintou o set, ou seja, seu atelier. Para Flávio, melhor seria dizer: Ribeira velha de paz! Flávio se refaz, já nasceu velho, veio de longe e feito monge se fez raro feito, raro efeito, e rarefeito: pinta e vende quadros e não se enquadra. Está nas salas, está nas alas. E vai além das molduras. Sinto que sua pintura se eterniza na brisa ao redor da ilha. Flávio é ilha, mas é barco e arco, Flecha continental na aldeia do mundo. Seu barco e flecha também navegam na net: www.interativa.org/flaviofreitas Sei que também é um apaixonado por música. Sua pintura tem partitura. Qual a cor do seu som ou o som da sua cor? Que trilha faz seu pincel? Qual nota tem seu céu? Flávio também é músico. Trompetista das tintas. Lagartixa das Quintas, Rocas, Ribeira, Alecrim, Petrópolis e Paris! É Flávio Freitas porque quis. Porque quis desenhar com o lado direito do cérebro. O lado da emoção, da intuição, da criação, da canção. Da canção de Chet Baker. Quando o dia morre, ele agradece sua sina e assina com seu pincel da paz: Aqui Jazz! É quem dá o tom, esse som que junto com ele está sempre pintando. E de pé. Olho para Flávio e acho-o parecido também com outro tom. O Tom Zé! Flávio já me falou com curte o trabalho dele. Eu também. E sou ainda mais admirador de Flávio. Já tentei ser discípulo dele várias vezes. Já até roubei emprestado sua pintura várias vezes: tive o privilegio de tê-lo no palco pintando o set do som do Fluidos, Modus Vivendi e Os Poetas Elétricos. Essa cumplicidade e proximidade me dão sempre liberdade para chegar até ele jogando conversas fora e com versos dentro: - Qual som faz sua pintura e sua pintura faz qual som? Flávio confirma a trilha sonora de Chet Baker como uma das preferidas enquanto pinta. Nessa tinta entra também música clássica e música nordestina de repente. A música também sai de repente. A música funciona como uma espécie de agente isolador, uma cápsula que envolve ele e a tela, criando um micro habitat para o macro mundo da pintura. E assim o som perdura, mas pode também desaparecer de repente, mesmo ainda saindo do CD player, dando lugar ao som do silêncio. Sobre qual som sai da sua pintura, ele diz que depende de quadro para quadro. Sua pintura tem um som próprio, de trato mais abstrato. Se for definir esse som dentro de referências conhecidas, Flávio diz que pinta sons de traços fortes e cores fortes como o samba e o frevo. Para mim soa como um carnaval zen, que se espraia nas trilhas interiores da alma world-nordestina. Missa à capela, peixe na aquarela, crianças batendo uma pelada: Miró na zaga e Luís Gonzaga! * Carito é poeta, músico, arquiteto e empresário. Foi vocalista das bandas "Fluidos" e "Modus Vivendi". É integrante da dupla "Os Poetas Elétricos". Na web: http://www.mudernage.com.br/poetas.html |
| por Pablo Capistrano [09:30] |
| 27.9.05 |
| Feliz Aniversário Ranxerox |
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| por Pablo Capistrano [10:39] |
| 21.9.05 |
| Definições IV (definição negativa) |
| A vida não é um tênis. |
| por Pablo Capistrano [15:32] |
| 19.9.05 |
| Definições III |
| Raul Seixas é um Roberto Carlos do mal. |
| por Pablo Capistrano [21:42] |
| 18.9.05 |
| Jogo dos começos - filosofia I |
| Hoje a radiação solar em Natal quase fritou meu cérebro. Não tinha uma nuvenzinha no céu Quando isso acontece Você tem três saídas Ou se esconde em casa Ou vai para a praia tomar cerveja Ou compra um óculos escuro. Não estou podendo tomar cerveja (recomendações médicas) Não tenho óculos escuro (uso sempre colírio) Então Resolvi começar um joguinho. Colecionar as primeiras frases de obras filosóficas importantes. O negócio pode parecer chato mas é melhor que o Faustão. Não vale prefácio nem introdução. Comecei com Hegel, na Fenomenologia do Espírito. Lá vai: "O saber que, de início ou imediatamente, é o nosso objeto, não pode ser nenhum outro senão o saber que também é imediato: - saber do imediato ou do essente." Comentário: Acho esse começo um saco. Hegel deu uma bola fora mesmo aqui. Quem lê esse começo fecha o livro e vai fazer alguma coisa mais interessante como: colecionar borboletas, comprar pipoca, fundar um partido que represente o interesse dos trabalhadores, traficar fósses de peixes do cretácio para colecionadores euroupeus ou se preparar para escalar o Himalaia sem tubo de oxigênio. O problema é que ele já começa na primeira frase abrindo o jogo. Dizendo o que vai estudar no livro. Então some o suspense. O leitor não vai ficar se perguntando: que porra é essa? Começar o texto com uma resposta não é uma boa saída. Preciso aprender isso quando estiver trabalhando com textos filosóficos. |
| por Pablo Capistrano [18:47] |
| 17.9.05 |
| Um poema de 1911 (tentativa de tradução) |
| Jakob van Hoddis (1911) Fim do Mundo Da cabeça do burguês voa o chapéu O ambiente congela como um grito De cima dos telhados quebram ao meio e despencam os operários Se lê na costa: sobe a maré. A tempestade se apresenta Marés selvagens Saltam sobre a terra Rompendo largos diques. A maioria das pessoas tem coriza Das pontes Despencam os trens de ferro. ps.: não parece que ele estava tendo uma visão sobre os dias de hoje? Essa história da tempestade, da maré subindo, do vento... achei melhor trocar a palavra "cidadão" Bürger e usar uma outra, porque a origem da palavra em alemão é mesmo a do morador do burgo, ou seja, "burguês". Em português de portugal chamavam essas pessoas de "vilões". Não que fossem criminosos, mas porque moravam nas vilas. Como não encontrei uma palavra para "pessoa que conserta telhados" (Dachdecker) achei melhor usar o termo operário, porque daí fica uma oposição Burguês-operario, mostrando que no fim do mundo todo mundo é igual. segue o original Weltende Dem Bürger fliegt vom spitzem Kopf der Hut, In allen Lüften halt es wie Geschrei, Dachdecker stürzen ab und gehn entzwei Und an den Küsten ? liest man ? steigt die Flut. Der Sturm ist da, die wilden Meere hupfen An Land, um dicke Dämme zu zerdrücken. Die moisten Menschen habenm einen Scnupfen. Die Eisenbahnen fallen von den Brücken. ps.2 Traduzir é foda. Ou você pega o som, ou pega a idéia. (o poema é rimado no original, mas eu não consegui encontrar um correlato para as rimas). |
| por Pablo Capistrano [12:28] |
| 14.9.05 |
| A Hora dos assassinos |
| Henry Miller é um caso curioso na história da literatura. Um cara que colocou na cabeça a idéia exótica de se tornar escritor aos 36 anos. Abandonou carreira, mulher e uma filhinha para se dedicar única e exclusivamente ao ofício de escrever. Viveu o seu inferno particular enquanto morava num porão úmido e fedorento no subúrbio de Nova York, com June Miller, sua segunda esposa. Exercitou seu talento para prosa, contanto histórias mirabolantes em mesas de bares e restaurantes em troca de umas doses de vinho e de um prato de comida. Tinha uma técnica curiosa para conseguir uns trocados quando a grana escasseava e a fome batia. Entrava em alguma sinagoga e dizia-se um judeu em dificuldades e arrumava uns trocados. Depois procurava uma igreja batista ou católica e se "convertia" ao cristianismo para conseguir alguma ajuda do pastor ou do padre que cuidavam caridosamente de seus rebanhos. Descreveu esse período de sombras na sua "Crucificação Encarnada" (Sexus, Plexus e Nexus). Depois exilou-se em Paris e, livre da opressão de sua própria pátria (que ele odiava com gosto, diga-se de passagem), produziu uma obra literária que figura entre as mais instigantes do século passado. Adorei ler Henry Miller quando tinha dezoito anos. Primeiro porque ele não tem medo dos adjetivos. Não se poupa e enxertar em seu texto, junto com uma reflexão aguda acerca da herança cultural do ocidente e das misérias humanas, doses poderosas de energia e imagens intensas, carregadas e emoção. Miller é mesmo um autor egocêntrico. A história de sua trajetória em busca da dedicação à literatura é o mote de sua própria ficção. Até quando ele fala de Rimbaud, num ensaio clássico intitulado "A Hora dos Assassinos", mistura a vida e a obra do poeta francês com sua própria vida e sua própria obra. Quando ele fala da reação dos pais à notícia de que iria ser escritor diz: "Era uma espécie de piada infalível, quando os amigos da família perguntavam por mim, quando queriam saber o que eu andava fazendo. 'O que ele está fazendo? Ah, ele escreve...' como se dissessem, ele é louco, passa o dia inteiro brincando com barro". É preciso realmente ter um poderoso par de testículos para fazer a escolha que Miller fez. Apostar no imponderável. No desaconselhável, no ilógico. A literatura é uma amante terrível. Ela exige uma fidelidade canina para se entregar, mas não dá em troca, com algumas raras exceções, grandes vantagens materiais. O reconhecimento público demora a vir e quem não tem paciência e determinação geralmente fica no meio do caminho, derrotado pela solidão que as palavras às vezes impõe aos seus melhores amantes. Mas existe um prazer absoluto e radical em quem resolve usar a escrita como instrumento de trabalho. Num Brasil imenso e semi-alfabeitizado, a opção de Miller seria muito mais arriscada. Poderia comprometer de modo irreversível, a integridade física e moral daqueles que resolvem apostar todas as fichas nas delícias e desgostos da literatura. Entendo o título do livro que Miller escreveu sobre Rimbaud. Assassinos do bom senso e da ordem artificial das coisas, os poetas e prosadores dessa terra devastada por desejos instantâneos e paraísos ilusórios, os escritores empurram as fronteiras do cotidiano para lugares distantes e inseguros. Oferecem ao púbico o resíduo de som, sonho e fúria que faz com que a ansiedade de suas vidas sem sentido, seja humanamente suportável. Como no hino homérico a Deméter: "Feliz é o homem que viu esses mistérios, mas, para o não iniciado não há coisas boas na morte. Só escuridão e vazio". |
| por Pablo Capistrano [11:18] |
| 11.9.05 |
| Van Gogh |
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| por Pablo Capistrano [18:25] |
| 3.9.05 |
| comendo carne humana |
| Sempre fico espantado quando aparece no noticiário alguém falando sobre a bolsa de valores de São Paulo. Geralmente surge um repórter em primeiro plano, discorrendo uma linguagem estranha, e num plano de fundo os corretores em ação. Outro dia eu estava assistindo um noticiário desse tipo e comecei a ouvir urros horríveis vindos das profundezas da Bovespa. Não eram gritos de euforia do tipo "Urra!" ou algum tipo de lamento tristonho e monocórdio, de quem viu a sua cota de ações despencar por algum solavanco histérico do mercado. Eram urros abissais de um profundo pavor, como se alguém estivesse sendo submetido aos mais terríveis procedimentos medievais de tortura ou um portal direto para o sétimo círculo do inferno de Dante tivesse sido aberto naquele instante. Fui tomado de imediato por uma curiosidade apavorada. Após um pouco de especulação mental, cheguei à conclusão que urros daquele tipo só poderiam indicar uma coisa: algum tipo sinistro e primitivo ritual de canibalismo deveria estar em curso na bolsa de valores de São Paulo. Sempre tive um pudor insuspeito das minhas raízes antropófagas. Ficava meio constrangido de saber que, a menos de quinhentos anos atrás, meus ancestrais potiguares andavam comendo cérebros humanos em Barra de Maxaranguape (uma praiazinha idílica no litoral norte do RN). Influenciado pelo Sítio do Pica-pau amarelo, na primeira versão televisiva nos anos setenta, imaginava que, de repente, se tivesse ancestrais helênicos, meu canibalismo genético poderia ser um pouco apaziguado. A imagem clássica de Péricles e dos legisladores de Atenas, com aquelas roupas afrescalhadas e aquelas folhinhas na cabeça, comendo os bolinhos de Tia Anastácia sempre me passava a idéia de que algo de racional e proporcional perpassava o mundo antigo. Um sinal de que Monteiro Lobato, a despeito de ser um grande escritor, estava mesmo a serviço da catequese iluminista do mundo grego, desenvolvida por Sir James Frazer no século XIX. A idéia de que, em suas origens, o mundo frio do norte era um lugar para a expressão da razão e para o exercício contemplativo de uma beleza pura como o mármore do friso da acrópole (será que é mármore mesmo?). Ninguém, até o aparecimento do famoso livro de E. R. Dodds, intitulado Os Gregos e o Irracional, na década de 50 do século passado, poderia imaginar que, por trás do branco sem fim daquele mármore, se escondiam cores furiosas e primitivas. Pouca gente quis prestar atenção na idéia do Zeus Lycantropos, um deus em forma de lobo, que exercia seu canibalismo ritual em meio a um êxtase dionisíaco, cercado de música furiosa e de substâncias alcalóides. Hoje sabemos que os inocentes gregos curtiam também uma carnezinha humana, no interior do templo de Apolo Epikoiros em Bassai. Logo Apolo, o senhor da razão das fantasias de Nietzsche! Pois é, amigo leitor, a turma da Bovespa não está sozinha nesse exercício diário de amaciar a carne do povo brasileiro no altar da máquina de cozinhar gente do mercado financeiro. Engana-se quem pensa que o canibalismo é uma prática exclusiva de índios seminus nos sertões do Brasil. A fúria primitiva de se deglutir nossos colegas de espécie ganha conotações diversas, se modifica, se torna a cada dia mais sofisticada. Inventamos a filosofia, a grande arte conceitual, a poesia, as máquinas de lavar prato e os maravilhosos carros inteligentes, mas ainda mantemos nossos velhos hábitos culinários. Olhando a Bovespa, num dia de mercado agitado, eu penso no templo de Apolo em Bassai e digo para mim mesmo: Ah, Seu Hegel! Por que danado o senhor foi nos enrolar com essa historinha de evolução? |
| por Pablo Capistrano [20:55] |
| 1.9.05 |
| O mundo está estranho e ninguém percebe |
| Quando eu tinha doze anos, em 1986, li numa revista planeta uma matéria sobre o degelo das calotas polares. A matéria era sensacionalista e pouco científica. Aparecia um desenho da estátua da liberdade debaixo de água. Dizia a matéria que por volta do longínquo ano 2000 as mudanças climáticas começariam a ser notadas. Fiquei uns dois dias pensando na vida e talvez tenha sido ai que eu travei contato pelo primeira vez com a idéia de transitoriedade. Tudo passa, tudo flui. bem... vamos aos dados desse mês: (1) portugal em chamas (2) Suiça deibaixo de toneladas de lama (3) Nova Orleans afogada (4) Ciclone Extra-trópical no sul do Brasil (5) Natal com um clima de Junho no mês de Setembro |
| por Pablo Capistrano [08:23] |
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