29.11.05
AVISO AOS ALUNOS

RECUPERAÇÃO DE FILOSOFIA DO DIREITO
06/12/2005
NÃO PERCA!
ESTRELANDO:
Platão
Aristóteles
Kant
e
O Fabuloso Hans Kelsen
(vencedor do Oscar de 193epouco pela atuação no livro TEORIA PURA DO DIREITO).
Uma história com
idéias estranhas,
abstrações,
antinomias,
e delizes ontológicos.
Numa sala de aula perto de você.
Informações: nesse site.

por Pablo Capistrano [11:06]
26.11.05
Uma estranha ansiedade

Uma estranha ansiedade



Talvez seja fisiológico. Talvez seja uma leve alteração na bioquímica do cérebro. Acho que realmente tem a ver com o corpo. Começa por ele e então vai se tornando rarefeito até virar linguagem. Essa é uma estranha ansiedade que me acomete de tempos e tempos e me faz escrever.

Vez ou outra me pego querendo voltar para casa no meio do trânsito, quando estou indo para o trabalho. Já senti isso em filas de banco, dentro de shopping centers, antes de entrar na sala do cinema, na praia.

A vontade é de voltar para a minha biblioteca, onde estão um punhado de livros, um bocado de CDs e a tela em branco de um computador. Nesse momento de solidão meu corpo se transforma em linguagem e os limites do meu mundo se transformam nos limites de minha capacidade de preencher o espaço em branco do meu PC com palavras.

Talvez pouca gente realmente compreenda o tipo de prazer que isso proporciona.

Parece onanismo mental. Sexo solitário que a gente faz quando a vontade de falar o que não se pode dizer se torna insuportável.

Mas não é só isso.

Se fosse, nós, escritores, seriamos seres absolutamente livres.

O prazer dessa solidão muitas vezes não se sustenta. Então a gente tenta espalhar nossos textos em jornais, blogs e livros. Nessa hora a ansiedade muda de figura. O prazer solitário vira uma peregrinação em busca do leitor.
Uma luta constante que envolve uma boa dose de egocentrismo, uma pitada de medo e uma porção de vergonha e deleite. Tudo junto, formando um prato forte e apimentado que nos faz arder por dentro.
Mas a escrita não nos oferece a mesma instantaneidade do diálogo, da palestra, da sala de aula.

O leitor copula com nosso verbo no silêncio de sua intimidade. Ele também está sozinho, na maioria das vezes.
Também sente o seu tipo particular de ansiedade.
Uma ansiedade toda dele.
Um desejo particular de parar tudo que está fazendo para ler o livro, passar os olhos pelo jornal, fuçar nos blogs da Internet.

O caso de amor que une leitores e autores é sempre um caso de encontros e desencontros. Uma história de solidões partilhadas, de suspiros silenciosos separados por uma distância fictícia.

Às vezes eu ando na rua e penso se existe algum leitor ao meu redor.

Alguém que conhece a intimidade do meu verbo, mas que não conhece meu rosto, talvez porque, no caso da escrita, o rosto do autor não seja tão importante assim. Então esse caso de amor mal resolvido pode se mostrar sinistro e assustador. Um risco ao qual todo escritor, masoquisticamente se submete.

Um salto no abismo.
Um abandonar-se no vazio da ausência do olhar, da falta da freqüência sonora da vaia ou do aplauso.
O mais assustador nisso tudo, é que não há garantias de que aquilo que se diz seja aquilo que se lê. Não há nenhuma segurança de que a forma do signo que eu escolho para preencher o vazio do papel com minhas ansiedades, conduza, bem ao centro da alma do leitor, o tipo de mensagem que eu quero transmitir.

Muitos colegas acabam sucumbindo a esse mosaico arriscado de sentimentos conflitantes. Alguns são arrastados pela solidão do próprio ofício, numa vida que tem, no fundo no fundo, muito menos glamour do que se imagina.

Mas o prazer da escrita, ao menos para quem realmente se sente parte desse universo estranho, é viciante.
Depois de um tempo de prática e de consumo desse tipo peculiar de narcótico o escritor fica refém de seu próprio prazer e se vê capturado na armadilha de linguagem que ele mesmo criou. Então a literatura vira nossa grande companheira, nossa grande parceira de aflição, nossa grande panacéia e o mundo, que para uns continua sempre o mesmo, pode ganhar o contorno sinuoso do maravilhoso e do terrível.

Como lidar com isso?
Só vejo um modo: voltar para casa mais cedo e escrever, para que um dia, como diz o Leminski, aquilo de ser exatamente o que a gente é, possa nos levar além.

por Pablo Capistrano [21:26]
24.11.05
Muito bom

My Bloody Valentine é muito bom.
Suesfine é uma das melhores.
Se você não ouviu, pare tudo que estiver fazendo e corra atrás antes que acabe.

por Pablo Capistrano [23:00]
Dia de hoje

Dia como um outro qualquer.
Trabalho, pensamentos estranhos, trabalho de novo, mais pensamentos estranhos.
Chego em casa e não encontro minha mulher nem minha filha.
Lembro da música do Talking Heads (você sabe qual é?).
Existem duas formas de manter-se no mundo.
(dica: sempre existem duas formas de qualquer coisa)
Ou você se adapta, ou você combate.
Se você combate pode fazer grandes coisas, mas o preço é alto.
Se você se adapta pode até viver muito e feliz, mas...
Bem por baixo de toda razão há um naco de sensibilidade e o sentido dos textos está no olho de quem lê e não no dedo de quem escreve.

No mais é isso aí, boa sorte para quem é do lado de cá e boa sorte para quem é do lado de lá.

por Pablo Capistrano [22:58]
22.11.05
Quente muito quente

Viajei ao Alto Oeste potiguar esse fim de semana.
Para quem não sabe fica na tromba do Elefante (o RN tem o formato de um elefante).
Basta olhar no mapa.
Fronteira com a Paraiba (Catolé do Rocha)
Lá o calor vem do chão e nem o vento consegue aliviar a sensação de se estar sendo lentamente assado num forno de microondas.

Cheguei a mesma conclusão que Guimarães Rosa

"O sertão é um lugar aonde mandam os fortes, com as astúcias. Deus mesmo se vier, que venha armado".

por Pablo Capistrano [09:22]
17.11.05
A Lua dos Mortos

A lua dos mortos está linda esses dias não acham?
Dia 15 a bruxaria rolou solta.
Muitos ancestrais andando por aí.
Se você olhar para o nascente vai ver marte bem perto dela, e se olhar para o poente quando ela nascer acho que você vai também ver Vênus (acho que é Vênus).
Daqui a um tempo, mais uma ou duas luas acredito, vai haver uma bela conjunção no céu envolvendo essas três entidades.

Bom estar atento e forte.

por Pablo Capistrano [11:33]
10.11.05
Sexo Selvagem na Torre Eifel

Liberdade, igualdade, fraternidade.

Nada sintetiza melhor o ideal das luzes do século XVIII do que essas três palavras. Se existir mesmo um núcleo irredutível de humanidade em cada camarada de espécie estas palavras deveriam nortear qualquer proposta política de um estado democrático. Bom de dizer, mas difícil de fazer. Senti um misto de deleite e decepção ao ver os conflitos de rua na França esses dias.

Mas lembrei de uma conversa com meu amigo Carito, na Praça das Flores numa noite de sexta feira. Ele, que tem uma pousada na costa branca e construiu um espaço no qual os poemas de Lord Byron convivem lado a lado com a tradição sertaneja do litoral norte do Rio Grande do Norte, ouviu um dia da boca de uma turista francesa o seguinte: "você está descaracterizando a cultura local".

Aí parece estar uma chave para entender a França.

Uma tensão recorrente entre uma pretensão iluminista de cosmopolitismo e um bairrismo regional que separa os puramente franceses do resto do mundo.

Mas a França, como o resto da Europa, não vai conseguir manter o mundo longe de seu quintal por muito tempo. O mundo dos eternamente em via de desenvolvimento vai estar sempre na periferia de Paris, pressionando para que o discurso humanista de integração da grande família humana seja posto em prática. Eles são muitos e se multiplicam. A tal "escória".

O fantasma do imigrante estrangeiro.
A força do estranho, do diferente, que exige a liberdade, a igualdade e a fraternidade que não encontra na sua própria terra.

Na verdade não existe uma forma simples de resolver o problema da integração cultural desses mundos cindidos pela herança genética, pela cor da pele e pela religião.

O único modelo possível é o da integração sexual.
Hoje só uma imensa orgia salva a Europa de afundar diante de suas próprias contradições. Esse modelo quase funcionou no Brasil. Talvez, na França, com outras condições históricas ele desse mais certo. Imagine se cada mocinha francesa, descendente de Astérix e Obélix recebesse um subsídio do governo para peregrinar até a periferia de Paris com o objetivo de fazer sexo com os descentes dos príncipes Fon da África Ocidental.

Imagine toda a Europa num imenso e profundo movimento de integração sexual, ondulando no ritmo do som do La Mano Negra. Todos juntos, num imenso orgasmo multiétnico que produziria o Neo-europeu. Um povo que não seja 100% alguma coisa, mas sim 100% quase tudo. Um povo que não teria medo de perder a própria língua, mas que falasse um dialeto com todos os sotaques. Sem um Deus só para não criar confusão. Sem uma culinária só para não dar indigestão.

No século XVIII Kant escreveu um livrinho profético chamado Para a Paz Perpétua, no qual ele estabelecia as condições para a construção de uma paz duradoura entre as nações. Ele sabia que o direito de hospitalidade, ao contrário do direito de transitar por qualquer lugar (derivado do direito ao uso comum da superfície de toda a terra) não era um direito natural. Mas deveria ser uma construção contratual de qualquer sociedade que tivesse realmente a intenção de estabelecer condições para uma paz duradoura.

Como ele era celibatário e nunca veio passar férias no nordeste do Brasil, não pensou sobre a tal integração sexual. Mas, de uma forma ou de outra sabia que num longo prazo, inevitavelmente, a humanidade atingiria a paz perpétua. Só não sabia dizer se seria a paz da igualdade, liberdade e fraternidade dos povos ou a silenciosa paz do imenso cemitério do gênero humano.

Hoje a periferia de Paris nos dá a indicação de qual das duas a humanidade está mais disposta a encontrar.

por Pablo Capistrano [15:19]
7.11.05
autenticidade - moral hassídica

O rabi Mendel disse em certa ocasião: "Se eu sou eu, porque eu sou eu; e você é você, porque você é você, então eu sou eu e você é você. Mas se eu sou eu, porque você é você; e você é você, porque eu sou eu, então eu não sou eu e você não é você".

por Pablo Capistrano [08:51]
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