| 29.5.06 |
| O Silêncio de Deus |
| Ps.: depois de um computador quebrado, quilos de trabalho, e uma virose que se espalhou pelo meu corpo, só Bento XVI para me fazer escrever um artigo e postar nesse Blog. Herr Ratzinger... apesar da Inquisição, e da seboseira que a Europa fez na segunda guerra, você falou bem. segue o artigo: O Papa Bento XVI lançou uma pergunta inquietante em Auschwitz, esse fim de semana. Depois de confessar em público que falar sobre o Holocausto é muito difícil para os cristãos (especialmente ele, sendo alemão), perguntou por que Deus havia se calado diante do mal. Essa é uma pergunta que trás grandes implicações teológicas e nenhum Papa que se preza poderia deixar de fazer-la. Deus se cala muitas vezes. Calou-se em Goradze, na Bósnia, quando o massacre étnico dizimou parte da população mulçumana do vale do Drina. Ou mesmo na época da segunda guerra quando os ustasha (croatas católicos) e os chetniks (sérvios ortodoxos) saíram se trucidando e dizimando suas populações civis. Calou-se em Ruanda, calou-se na América em quase quinhentos anos de escravidão e massacres de povos indígenas, e se cala hoje no Sudão, quando o mundo assiste impassível novos massacres dizimando etnias inteiras. Uma resposta anti-teísta, poderia ser a e que Deus é absolutamente trasncedente. Está fora do mundo justamente porque, se o mundo tem um autor, esse autor não deveria se misturar com a própria criação, mas, no mínimo, apenas observar o desenrolar das regras que Ele mesmo impôs à ordem natural. Essa resposta pode ser muito desconfortável para quem espera que Deus tutele as ações dos homens e ofereça amparo para as tragédias que nós mesmos construímos. Mas há sempre o apelo ao mistério. A idéia, tão cara à chamada teologia negativa de um Pseudo-Dionisios, de que quanto mais próximo dos mistérios de Deus mais próximo das trevas. Do lugar aonde a consciência humana e a capacidade da razão encontra seu termo. Da esfera na qual qualquer explicação lógica ou qualquer doutrina moral que aponte para o bem ou para o mal se inutiliza. O fato é que o lamento, em forma de perplexidade, do Papa, mostra que o sentimento de orfandade que a humanidade tem por esse Pai, que muitas vezes parece tão distante de nosso sofrimento, assola até os homens de fé. Aliás, nada mais cristão do que duvidar da própria fé, nada mais fundamentalmente ocidental do que essa ansiedade diante das perplexidades do mundo. Sendo o cristianismo essa mistura tensa entre a moralidade judaica e a racionalidade grega (Jerusalém e Atenas, fé e racionalidade), nada mais cristão do que esse vacilo, essa dúvida, esse assombro diante da necessidade de se compreender as contradições de Deus sem deixar de acreditar na Sua perfeição. Eu, como um bom descendente de escravos africanos que cultuavam as forças da natureza, de cristão-novos espanhóis que trouxeram, nos genes a lei de Abraão para o sertão nordestino, de velhos celtas do vale do rio de Paiva que levavam a imagem da virgem na luta contra os bérberes do norte da áfrica e dos índios cariris da Paraíba que cultuavam a jurema sagrada; eu, sendo esse vazio que compõe o povo brasileiro, esse não-saber-quem-sou que gera a força étnica de um povo indefinido, fiquei contente em saber que o Papa também se angustia. Que ele também não entende Deus. Que também roga uma luz para a compreensão do Seu silêncio diante das misérias do mundo. Tenho medo daqueles que têm certezas poderosas, dos que não vacilam, dos que se dizem justos, dos que não erram, dos que não têm dúvidas. Sinto que falta um pingo de humanidade em qualquer sujeito que se arrogue a ser porta voz de qualquer verdade, impositor de qualquer doutrina, servo do absoluto. Por isso fiquei feliz com o fato do Papa, que durante tanto tempo foi esse fiscalizador da doutrina, herdeiro do posto de Torquemada, que impôs tanto sofrimento a parte de meus ancestrais, índios, negros e judeus, tenha admitido sua angustia diante do silêncio de Deus. Só há fé genuína diante da dúvida. Uma fé de certezas não é fé. É preciso enfrentar o silêncio de Deus, Suas terríveis e inexplicáveis contradições, para saber até onde você agüenta arrochar o cadarço do seu sapato. O resto são palavras vazias lançadas na poeira. |
| por Pablo Capistrano [09:51] |
| 20.5.06 |
| LANÇAMENTO TERÇA |
| Recebi uma mensagem da professora Sandra Erickson, Vale a Pena Conferir. "A editora da UFRN, Edurfn, convida vcs para o lançamento de nosso livro mais recente, Logos & poesis, dia 23 de maio, às 19 horas, na GaleriaConviárt, Centro de Convivência, Campus Universitário. Outros livros dos Profs. Glenn & John Fossa, sobre neoplatonismo serão lançados também nesse dia. Obrigada a todos e, se puderem apareçam, Paz, poesia & resistência, Profs, Sandra & Glenn Erickson" Literatura Filosofia Matemática de primeira, quem estiver em Natal dê um pulinho para conhecer as obras. |
| por Pablo Capistrano [12:45] |
| 13.5.06 |
| ganhei um poema - dividido com Iracema e Romã |
| "Sob o túmulo de uma jovem senhora judia" Para nossas andanças: Eu, Pablo, romã e Iracema. a paisagem guarda uma sombra trêmula e fugidia cercada adjetiva... a paisagem sem gente isolada, ilegível... reflete o violento frescor da primavera; as flores vicejam... e tudo é dor no campo o mármore pálido guarda, pálido, as sombras dos outros "um dia será... só não sei quando" apregoa o velho coveiro só com sua sombra o velho coveiro guarda os restos mortais da jovem senhora judia - alma encomendada ao senhor no verão de 1936 - "os olhos não, ainda vicejam a mesma paixão pela carne a mesma dor agora distante..." e no vazio ainda vazio o tempo arruinado e sem profundidades - o tempo apenas - aguarda um preenchimento sem significações... só o pó e no epitáfio amarelado do mármore reflete a sua face clara, triste, morta - a voz escrita: MINHA ALMA É MEU CORPO E NELA TATUO: EU Alessandre de lia. eucaliptos, maio de 2006. |
| por Pablo Capistrano [12:56] |
| 3.5.06 |
| Fala Iracema |
| "Fazer um pacto com a poesia é fazer um pacto com o perigo. Platão que o diga. Os poetas são extremamente perigosos. Se algum poeta atravessar sua vida, tome muito cuidado. Eu, por exemplo, tenho que tomar muito cuidado com uma certa poeta que vive dentro de mim". Iracema Macedo (entrevista na Préa) |
| por Pablo Capistrano [15:06] |
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