| 29.8.08 |
| Quero votar no Obama |
![]() Quero votar no Obama. Saca só esse vídeo com o discurso do cara em uma igreja de não sei aonde. http://br.youtube.com/watch?v=_IHQr4Cdx88 Mas vamos ao texto. Depois de uma semana (ou mais) de propaganda eleitoral no rádio e na televisão em todo o Brasil já me decidi: quero votar no Obama. Não sei como eu vou conseguir fazer isso, mas o certo é que quanto mais eu escuto os candidatos do meu país, mais a vontade de votar no Obama cresce. Talvez um dia, algum professor doutor do curso de marketing de alguma universidade federal possa explicar esse fenômeno. A questão mais instigante, no entanto, é que ele não parece ser exclusivamente brasileiro. Pelo noticiário da DW-TV alemã, no dia seguinte ao discurso final do Obama na convenção democrata, parece que o estranho fenômeno é global. Quanto mais os cidadãos de outros países escutam suas lideranças e seus pronunciamentos televisivos pátrios, mais a vontade de votar em Obama aumenta. Como explicar isso? Obama é o presidente dos EUA que o mundo inteiro sonhou um dia, simplesmente pelo fato (e isso ficou claro no discurso final da convenção democrata) que ele encara o que de melhor a sociedade norte americana prometeu ao mundo. Os EUA nasceram com uma promessa (Obama teve o cuidado de usar o termo "american promise" no discurso e não o malhado "american dream") de construir uma sociedade multicultural, multiétnica, baseada nos princípios do iluminismo e na idéia de uma federação livre, onde o homem comum poderia viver sua vida como bem entendesse. Quando Thomas Jefferson redigiu a declaração de independência norte americana e instituiu os três direitos fundamentais (vida, liberdade e busca da felicidade) estruturou o discurso que nortearia a promessa americana: a idéia de uma nação para a humanidade e não de um curral provinciano, racista e aristocrático, como muitos países europeus eram na época. Essa promessa, nunca cumprida (diga-se de passagem), alimentou o desejo do mundo por muitos anos e foi o grande baluarte ideológico que o modelo americano usou para confrontar a outra utopia iluminista que lhe era concorrente (a finada URSS). Essa foi a promessa de Thomas Paine, de Benjamim Franklin, de Abraham Lincoln, de Walt Whitman, de Thoreau. Essa foi a promessa que Luther King cobrou ser cumprida no seu discurso de 28 de Agosto de 1963. Essa é a promessa relembrada e cantada por Woody Gruthrie e por Bob Dylan (seu discípulo) e romantizada nos personagens de Jack Kerouack. Há uma força que arrasta os EUA em direção a materialização dessa utopia humanista (que em certo sentido tem a mesma base filosófica da utopia humanista do socialismo original). Mas há uma outra força que rasga a América e que a afasta da promessa à qual ela está atada. Há uma América profunda, fundamentalista, racista, consumista e militarista. Uma América provinciana e megalomaníaca que se sente ameaçada por um mundo que ela não consegue compreender. Essa é a América que W. Bush representou por oito anos. A América de grandes companhias de petróleo lançando toneladas de carbono na atmosfera. A América que entope as veias da humanidade com gordura industrializada de fast foods e de refrigerantes com glicose turbinada, que não se importa em explodir países por razões ilusórias, que cerca suas fronteiras com muros gigantescos, que se isola em um pânico monoglota, que segrega e separa e que destrói o tecido ambiental do planeta sem nenhuma culpa ou vergonha. Sabe, o mundo quer votar em Obama porque o mundo quer a promessa americana. Isso acontece porque essa promessa não é apenas americana, ela é uma promessa da humanidade que ecoa desde os tempos dos profetas bíblicos. Obama, no discurso da convenção, transmitido pela CNN ao vivo para todo mundo, não subestimou seu antecessor, Martin Luther King, que 45 anos antes evocou a promessa americana sempre adiada pelos anos de escravidão e segregação racial. Obama não falou como um profeta bíblico, coisa que ele pode fazer, vale salientar. Falou como candidato, com um discurso de candidato, um tom de candidato, para uma platéia que espera um candidato para votar. Não sei se os norte-americanos vão eleger Obama presidente (quem vai saber o que eles querem), mas caso McCain ganhe a eleição dia 04 de Novembro, não tem problema, a gente oferece um partido para o Obama concorrer aqui no Brasil, em 2010. |
| por pablocapistrano [18:02] |
| 22.8.08 |
| Medalha, medalha, medalha. |
![]() 21 de Agosto de 2008. Vou confessar: não sou um grande fã de esporte. Tirando o futebol, que não é esporte, diga-se de passagem, mas um aspecto da visão de mundo dos meus compatriotas, eu só paro na frente da televisão, em época de olimpíadas, para assistir a ginástica olímpica. Isso acontece há muito tempo, desde 1988, se não me engano. Não sei porque eu gosto de ginástica olímpica, mas deve ter a ver com Nadja Comaneci. Lógico que eu não lembro dela na olimpíada de 1976 em Montreal (tinha dois anos apenas). Mas, desde que eu vi reprises de suas atuações naquele ano, eu entendi que há algo diferente na ginástica olímpica. Algo que parece muito, ao menos na minha memória, com as imagens da seleção brasileira de futebol em 1982. Eu sei, eu sei. Esporte é resultado e você vai me dizer que o que importa em uma competição é a vitória e que, quando o negócio é olimpíada o que conta é o número de medalhas porque resultado é uma coisa que se mede com números. È, você tem razão. Talvez seja por isso que eu não goste de esporte. Vencer nunca foi alguma coisa interessante para mim. Ganhar de alguém sempre me pareceu amargo. Nunca gostei de vencer, porque, minha piedade pelo derrotado me levava a sofrer seu sofrimento e esse gosto estranho de sangue e hormônio que escorre da boca do vencedor, nunca me foi muito apetitoso. Até nas minhas maiores rivalidades futebolísticas, em jogos das minhas duas únicas concessões a irracionalidade esportiva (O Flamengo e o América de Natal), guardo certo sentimento de culpa e me justifico pela freguesia continua dos vascaínos ou pelos tropeços do ABC, dizendo, "eh eh, eles jogaram bem". Para mim, não há muito sentido em continuar nesse mundo, se não houver em qualquer lugar, um espaço para que a beleza entre em nossa vida. Acho que no esporte, essa beleza aparece nas imagens de Nadja Comaneci, e em tantas outras meninas que voaram e seus aparelhos em Seatle, Atlanta, Seul, Barcelona, Sidney, Atenas e Pequim. Talvez por isso, a gente não seja assim tão vitorioso no esporte, não é? Sim, sim, tá bom, tá bom. Você tem razão. Falta incentivo, falta grana para o atleta, falta apoio do governo, falta pista, falta equipamento, falta competição, falta fisiologistas especializados no "endo-doping" do Michael Felps. Certo, certo. Falta tudo isso. Mas eu acho, cá comigo, que um povo que inventou a capoeira e o frescobol de beira de praia não é lá um povo assim tão competitivo. Jogar, em outras línguas, tem uma conotação bem mais ampla do que em português. Em alemão com o verbo spilen, joga quem toca um instrumento assim como joga também, quem interpreta um papel em uma peça de teatro. Joga que pratica um esporte e joga quem brinca de bola na rua, quem monta um quebra cabeça ou quem se diverte com uma corda de pular. Jogar é bem melhor do que competir, porque, enquanto se compete contra o outro, se joga com o outro. Essa é uma lógica que nossos ancestrais indígenas nos ensinaram, quando recebiam, dos indianistas, sua primeira bola de futebol. Narrativas antropológicas contam que quando se dava uma bola para os índios eles não conseguiam de imediato, construir uma noção de que havia dois times. Todos jogavam juntos tentando enfiar a bola no meio das traves e quando ocorria o gol, todo mundo comemorava junto e o jogo só acabava quando empatava. Talvez seja por isso, pela beleza e pelo prazer que o brasileiro acostumou-se a ser quem é. Sei que a gente anda esquecido disso. Cedemos ao lado mais selvagem da imensa fantasia nietzscheana que é o Brasil (a violência e o individualismo) e começamos a perder o fio de nosso ensinamento e de nosso papel na humanidade. O Brasil anda estranhamente alheio a si mesmo, prestando atenção em um evento criado por um povo que amava acima de tudo a competição (os velhos gregos), dominado por anos por um povo que transformou a competição em sua neurose doméstica (os norte americanos) e agora, organizada por um povo que aprendeu a competir para recuperar o sonho nostálgico de uma grandeza perdida (os chineses). Depois de ver as meninas da ginástica brasileira (inclusive com uma garota da minha cidade!) nas olimpíadas, fazendo aquilo (com um deslize aqui e outro acolá) que a Nadja Comaneci costumava a fazer, acho que essa foi, para mim, a melhor olimpíada de todos os tempos para o Brasil, porque, os atletas que me perdoem, mas em um mundo tão seco de prazer e alegria o espanto delicioso que a beleza de um corpo feminino proporciona e a leveza despreocupada uma bela festa entre amigos, com vinho, música e virtude, vale muito mais do que qualquer medalha. |
| por pablocapistrano [11:27] |
| 11.8.08 |
| Cuidado com o Cão |
![]() Eu estava me deliciando com o livro Doutor Fausto, de Thomas Mann, quando me deparei com a seguinte passagem: "quem crê no diabo, já lhe pertence". Passei um bom tempo paralisado por essa frase, lembrando das advertências da minha já falecida avó, quando eu, ainda criança, me punha em alguma situação de risco (como subir no guarda roupa e pular na cama, correr por cima do muro com um cabo de vassoura na mão ou desparafusar algum brinquedo com uma faca de ponta). Ela repetia em tom de alerta: "Pablo! Cuidado! O cão atenta!". Confesso que até hoje, por mais que eu me esforce, tenho uma profunda dificuldade de acreditar no "cão". Não sei se isso é um mérito, ou um defeito, mas não consigo entender como é possível que Deus tenha um rival. Mas isso é uma questão para outras crônicas que minha pouca teologia não permite explorar a fundo. Lembro que uma noite dessas, chuvosa e com esse vento frio, típico dos meses de julho, eu estava ministrando um curso de férias em uma faculdade. O tópico era "Hegel e a história" e a idéia era mostrar aos alunos, o modo como Hegel tentava construir uma ponte entre as concepções teológicas da Alemanha protestante e o historicismo de Vico. Falando em linguagem de gente normal: eu queria mostrar como a idéia Deus pode funcionar bem quando se casa com a idéia de história. No meio da aula, um aluno levantou-se e gritou: "Isso é mentira! Isso é mentira!", só para depois sair da sala. Fiquei sem entender. Preocupado, procurei o sujeito depois, para tentar dizer a ele o que Northrop Frye (em um livro fundamental sobre a Bíblia ? O Código dos Códigos) havia escrito. Frye tinha um aluno Chinês que não sabia como explicar o cristianismo para seus compatriotas (na década de sessenta, a China vivia em plena era de Mao). Frye sugeriu: "comece falando de Marx". Diante do espanto do aluno ele emendou algo mais ou menos assim: "sim porque, Marx é filho de Hegel e Hegel é filho de Lutero, então, se você quer falar sobre cristianismo, comece falando do neto e depois chegue no avô". Mas meu aluno, tomado por um estranho fervor, não entendeu meus argumentos e terminou a conversa com mais uma dessas frases enigmáticas que de vez em quando retém minha atenção: "professor! Quem mais conhece a Bíblia, é o Satanás!". Lembrei na hora dos alertas de minha avó: "Pablo! Cuidado! O cão atenta!" e um arrepio gelado percorreu a minha espinha. De repente, me vi diante de uma impossibilidade. Que argumento poderia oferecer para convencer meu aluno de que Hegel não era "o cão" nem um dos seus enviados? O mal tem sempre assustado e seduzido o homem. Diante de um mundo cortado pelo escândalo natural o mal inquieta e perturba, deixando sobre sua zona de influência muitas mentes humanas. Quando os primeiros sacerdotes católicos da Espanha chegaram ao Caribe e a América do Sul, depois de 1492, facilmente identificaram, nas práticas xamanísticas daqueles povos, a influência do tinhoso. Não poderia ser diferente. Como explicar para um homem do século XVI, marcado por uma visão de mundo circunscrita ao mediterrâneo, cercado por isolamento espaço temporal de mais de mil anos, sem nenhuma consciência antropológica, sem nenhuma capacidade de interpretar e conhecer o outro, o diferente, o estranho; como explicar que aquela possessão, aquela dança, aquele canibalismo, aquele uso ritual de drogas exóticas, poderia ser outra coisa a não ser a influência nefasta do "fedorento"? Não foram apenas padres católicos que viram a mão (ou a pata) do "rabudo" nas práticas xamanísticas. Avvakum, um sacerdote ortodoxo russo do século XVII, descreveu o xamã siberiano, como uma personalidade religiosa que "servia mais ao Diabo do que a Deus". Oviedo, um viajante espanhol que travou contato com cerimônias que utilizavam o Ebene, rapé alucinógeno, ainda hoje largamente consumido pelos pajés ianomanis, disse: "Eles adoram o Diabo, sob diversas formas e imagens... Fazem um demônio, a que chamam cemi, tão feio e terrível como os católicos o representam aos pés de São Miguel ou de São Bartolomeu; mas não está preso por cadeias, mais ao contrário, é adorado". O relato é grande, mas olha só essa parte: "... e deve considerar-se que o demônio entrava nele e falava através dele...". A desqualificação da antiga religião é um dos fenômenos que sempre despertou a minha curiosidade. O que há, nessas sociedades tradicionais que incomoda? Porque encontrar o "bicho de chifre", ou o charlatanismo, ou a doença mental, ou a drogadicção, em sociedades que não tem esses conceitos? Não se trata de uma simples rejeição racial ao que não é branco, porque outras doutrinas religiosas, (mulçumanas, judaicas, budistas, taoístas e confucionistas) reagiram de forma mais ou menos semelhante. Ainda hoje, na África subsahariana, as velhas práticas animistas sofrem a perseguição de adeptos do islamismo, assim como os terreiros baianos, do outro lado do atlântico, são apedrejados por fundamentalistas cristãos. Tudo porque, supostamente, o diabo mora na casa do outro e o que é diferente, estranho, distante de mim, só pode ser mal, sinistro, bizarro. Meu filho, o mundo é muito vasto, e o ser humano, essa coisa estranha, ainda me assusta muito. Eu, particularmente, tenho hoje, depois de adulto, e apesar dos incessantes alertas de vovó (que nunca teve medo do bafometh, diga-se de passagem) um espanto básico diante da capacidade humana de não entender. Mas do que o senso humano de compreender o mundo, o que me espanta é a tendência incontrolável que os humanos têm de não entender o óbvio. Mesmo nesse tempo pós-moderno, quando o mal é mais visível, e a banalidade da dor e da morte nos anestesia na sala de estar (será que em algum outro tempo foi diferente?) continuo a temer muito mais as idéias dos homens, porque, como escreveu Thomas Mann, nesse livro publicado depois da guerra, de Aushwitz e da bomba atômica: "quem crê no diabo, já lhe pertence". |
| por pablocapistrano [11:52] |
| 3.8.08 |
| Da arte de escrever no Rio Grande do Norte |
![]() Dia 25 foi comemorado o dia do escritor. Não me pergunte por que, mas hoje, tudo tem seu dia. Como se o mundo fosse dividido em várias caixinhas de qualquer coisa. Então a Sisciliano lançou um livro chamado "Da Arte de Escrever no Rio Grande do Norte". Com textos de vários escritores (eu inclusive)que buscavam responder a pergunta: porque escrever? ou o que é escrever para você? então o Adriano de Sousa (emersso da Serra da Barriguda, concorrente direta da Serra do Lima, no quesito de pouso de discos voadores nas terras secas do Oeste potiguar), respondeu com um poema que valhe a pena ser lido. Dos Porquês Porque leio. Porque gosto de brincar sozinho. Porque faltei à lição de modéstia. Porque sou fútil. Porque sou alienado. Porque sou inconseqüente. Porque a porta do hospício estava fechada. Porque a porta do zoológico estava aberta. Porque é um método de não emburrecer. Porque ninguém me disse nada. Porque não sou o dono da bola. Porque é um álibi social para dependências químicas. Porque palavras dão em árvores. Porque o cargo estava vago. Porque fiquei para trás. Porque fui alquimista em vidas passadas. Porque sou cego em terra de polifemos. Porque narrar é viver o narrado. Porque viver é narrar o vivido. Porque preciso inventar memórias que não tenho. Porque tenho o pau pequeno. Porque palavras são anabolizantes naturais. Porque ela gosta. Porque é o modo mais curto de aprender gramática. Porque é o modo mais curto de deformá-la. Porque ganhei um manual de auto-ajuda. Porque não quero ser editado. Porque não quero ser lido. Porque não quero ser compreendido. Porque há muitos analfabetos bem-sucedidos. Porque eles precisam de um gosht-writer. Porque existe a palavra justa. Porque é preciso encantar e adormecer as sombras na parede. Porque não há ninguém no desvão ao lado. Porque não sei sentir. Então, escrevo. Adriano de Sousa. Jornalista, escritor e editor. ![]() sentiu o drama? Disse tudo o Adriano. Mas essa coisa de escrever deixa a gente agoniado. Por isso eu viajarei essa semana para Moscow, participar de uma feira do livro, a IV realizada na cidade. A programação vai ser muito boa, tem o Biográfo do Paulo Coelho (que diz ter feito um pacto com o coisa ruim e depois rompido o contrato, por isso não se assuste se você esbarrar com o "bicho de chifres" em alguma vara cível, provavelmente ele estará processando o marrano dominado Paulo Coleho, por danos morais e materiais decorrentes de quebra de contrato.;) mas também tem o Marcal Aquino, o Flávio Resende, e o Gabriel, O Pensador e mais uma turma grande. a programação aparece no site: www.feiradolivrodemossoro.com lembrando Moscow (mais conhecida pelo seu clima ameno por Mossoró - em lingua indigena) lembrei de um outro poema que merece também, ser lido. do Antônio Francisco, para mim um dos maiores poetas brasileiros vivos e em processo de recitação continuada. olha só... Ser escritor é sonhar. Escrever é construir; Um mundo de ficção; Colocar nele um baú; De métrica, rima e ação; E afogar o leitor Nas águas da emoção. É viver plantando sonhos; Onde ninguém mais plantou; Sonhar colhendo a semente; Do sonho que não sonhou; E sugar o mel das pétalas; Da roseira que murchou. É viajar pelas nuvens; Sem tirar os pés do chão; Almoçar pontos e vírgulas; Traço rima e oração; E andar na mesma trilha; Dos passos do coração. É transformar um deserto; Numa bonita savana; Transformar em um milênio; Um simples fim de semana; E andar pelas artérias; Das veias da raça humana. É sentir a dor alheia; Calando a boca da sua; Passar a noite acordado; Pelas calçadas da rua; Bebendo as lágrimas da noite; Fazendo versos para a lua. É plantar grão de esperança; Numa batalha perdida; Replantar pontos e vírgulas; Numa folha ressequida; Deitando nos pés do tempo; Olhando o rosto da vida. Ser escritor é pisar; Onde ninguém bota o pé; É ser Zé ninguém sem ser; Escravo de nenhum Zé; E viver plantando sonhos; Saudade, vontade e fé. Antônio Franscico. Poeta, cordelista, membro da academia brasileira de cordel. Bonito não é. Assim é ser escritor no Rio Grande do Norte. Parece um quadro de Goya. |
| por pablocapistrano [09:49] |