17.5.09
Deus é alegria





Natal, 17 de Maio de 2008.


Esse Sábado foi muito legal no curso de formação de Yoga que a Mirian Aguiar da casa de Yoga Sãdhana Pãdha (http://www.casadeyoga.org/casa.php) está realizando lá na UFRN.

Não sei se foi apenas por causa do quarto chakra (o do coração) ou por alguma confluência astral que costuma abrir portais sobre a cabeça dos loucos e dos santos nesses tempos conturbados, mas o fato é que a presença do monge Swami Chandra Muka ? Você o conhece mesmo sem saber, porque ele apareceu com sua turma cantando no clipe do Nando Reis (http://www.youtube.com/watch?v=2bTrQI1tlWk) - nos falando sobre o caminho da devoção (Bakti Yoga), o que deu um brilho todo especial à nossa tarde sagrada de Sábado.

Uma das mais preciosas lições que o monge deixou naquela tarde é que "Deus é alegria". Essa é uma lição fundamental que muita gente costuma esquecer facilmente e se engana quem pensa que é uma exclusividade da devoção oriental. Na tradição judaica há um ditado que diz: "onde não se tem alegria não se cumpre o mandamento".

Uma dos grandes sintomas do desequilíbrio dessa nossa contemporânea idade (a era de Kali na tradição hindu) foi a dessacralização da festa. Aliás, a dessacralização é um mote forte dos nossos tempos. Você vai entender o que eu digo se um dia resolver dar um pulinho no carnaval do Recife Antigo. Vá atrás de um grupo de frevo e você vai curtir a música, se animar, cair na folia. Vai se deliciar com o prazer estético dos metais e vai tremer quando o maestro resolver tocar um "frevo de abafo" para engolir uma outra orquestra rival, que vem dobrando alguma esquina.

Com o Maracatu, no entanto, a coisa vai um pouco mais além. Um grupo de Maracatu não é apenas um conjunto de percursionistas que se reúne para fazer um "som". Certos maracatus (não sou recifófilo a ponto de saber todas as classificações maracatônicas) são afoxés. Um aspecto das velhas religiões africanas e das antigas linhagens de devoção espiritual que se manifestam como rituais de dança e música às potências sagradas da natureza bem no meio da rua. Essas linhas aparecem ligadas aos velhos mistérios de Dionísio e de Eleusis, tem reverberação nas práticas de dança Sufi do velho mestre persa Rumi e na embriaguês santificada da festa do Purim em lembrança da rainha Ester na tradição judaica.

Por isso, a festa do frevo encanta, mas a festa do maracatu entusiasma. E estar entusiasmado é estar tocado pela força do sagrado, é, como disse Chandra Muka, ser reconhecido por Deus.

Ao desacralizar a festa, a modernidade esvaziou o significado ritual da alegria e ofereceu a uma humanidade anestesiada um mero mecanismo de entorpecimento. A festa ganhou autonomia, deixou de ser um veiculo e passou a ser o seu próprio fim. Sem o sagrado a festa moderna se tornou um instrumento de si mesma e sua função passou a ser a de pura catarse. O prazer da festa acabou engolindo o seu significado e nos esquecemos o motivo de nossa alegria. Abandonar essa alegria talvez seja mais um dos sintomas daquilo que Heidegger chamava de "abandono do Ser".

No tempo original, a festa sagrada é um veículo, um instrumento de transcendência. Sua alquimia se manifesta em um processo lento e contínuo de transformação que amplia a consciência e transforma a vida de quem festeja, emprestando significado a experiência particular de estar vivo. Todas as festas de Deus (não importa o nome ou os nomes que você costuma a chamá-lo são lembranças do tempo da origem e são um poderoso chamamento para a reconstrução das escadas que nos levam de volta para casa).

Por isso, quando o Jô Soares perguntou ao Chandra Muka o que era preciso para ser um "Hare Krishna" ele de sopetão respondeu: "tem que gostar de festa".

Como fica claro nos últimos versos do belo poema de Arnaldo Antunes musicado pelo Nando Reis:

"Quando se acabou com tudo
Espada e escudo
Forma e conteúdo
Já então agora dá
para dar amor

Amor dará e receberá
Do ar pulmão
Da lágrima sal

Amor dará e receberá
Da luz visão
Do tempo espiral

Amor dará e receberá
Do braço mão
Da boca vogal

Amor dará e receberá
Da morte
O seu dia natal.

Adeus dor
Adeus dor
Adeus dor..."


"Alegria é a prova dos nove"
Oswald de Andrade.

por pablocapistrano [22:43]
8.5.09
Esse é o famoso porco da gripe.




Maio, o mês do Porco Punk.


Agora está realmente confirmado, a gripe suína chegou ao Brasil.
E junto com essa inquietante informação foi divulgada a foto do responsável por essa terrível epidemia que ameaça atrasar a final da Libertadores da América.

por pablocapistrano [08:19]
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