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	<title>Pablo Capistrano ////////////// &#187; O Resultado do Futebol</title>
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	<description>Só mais um blog do WordPress</description>
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		<title>No futebol do impossivel.</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 00:11:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[  Entre as pessoas que resolvem passar algum tempo de suas vidas assistindo a uma partida de futebol, nos estádios ou diante da TV, existem aquelas que apenas torcem (uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-710" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/07/13/no-futebol-do-impossivel/iniestagolo1-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-710" title="iniestagolo1" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/07/iniestagolo11.jpg" alt="" width="554" height="369" /></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Entre as pessoas que resolvem passar algum tempo de suas vidas assistindo a uma partida de futebol, nos estádios ou diante da TV, existem aquelas que apenas torcem (uma ampla maioria), as que gostam de verdade de futebol (uma parte bem menor) e os que realmente entendem o jogo (uma minoria).</p>
<p>Eu, humildemente me situo no segundo grupo. Não sou muito de torcer, a não ser pelas minhas obsessões (o Flamengo e o América de Natal), por isso, quando a partida final da copa do mundo de 2010 começou não tinha preferências definidas. Poderia dar Holanda, por uma questão de justiça histórica (afinal, não foram os holandeses as vitimas de um dos mais covardes futebocídios da história dos mundiais em 1974?), mas poderia também dar Espanha, pelo futebol jogado durante esse mundial.</p>
<p>Não consegui chegar aos trinta minutos do primeiro tempo com essa atitude contemplativa. Antes que o juiz pudesse sinalizar o intervalo eu já estava praguejando e pulando no sofá. A Holanda me ajudou a torcer com toda força pela vitória da Espanha.</p>
<p>É realmente triste perceber que essa Holanda, com seu joguinho Caratê Kid, abriu mão do futebol na última partida da copa. Teve receio de perder o jogo e não ser campeã mundial mais uma vez. Muito se comparou o time holandês a Seleção brasileira de 1994. Os adeptos da equação que afirmava ser impossível ganhar como em 1982 ou perder como em 1994 devem ter torcido muito pela Holanda nessa final.</p>
<p>Mais preocupada em não deixar a Espanha jogar do que em colocar em campo seu próprio futebol, a Holanda das tradições de Cruyff, Johan Neeskens, Resenbrink, Marco Van Basten e Rudi Gullit fez feio na final. As velhas seleções holandesas que jogavam um futebol articulado, de toque de bola e de habilidade técnica poucas vezes vistas na história das copas foram substituídas por uma Holanda que batia, travava o jogo, fechava os espaços e rifava a bola em cronta-ataques.</p>
<p>O objetivo da seleção de Bert van Marwijk parecia ser o de segurar o zero a zero e levar a decisão para os pênaltis para repetir o jogo que consagrou o Brasil de Parreira, Dunga e Romário em 1994. O problema é que a Holanda não notou que a história já havia produzido, no mundo do futebol, mais uma de suas viradas.</p>
<p>Na EURO de 2008 a Espanha havia sido campeã jogando um futebol ofensivo, que privilegiava o toque refinado, a posse da bola e o ritmo da partida, como nos bons e velhos combates das seleções brasileiras até 1986. A Holanda não entendeu que a longa noite da bola, iniciada em 1990 e estendida aos trancos e barrancos até 2006 (onde uma Itália e França coroaram na final uma copa muito pouco vistosa), estava encerrada.</p>
<p>A Argentina, a Alemanha, o México, o Chile, o Uruguai e, fundamentalmente a Espanha, cada um a sua maneira, com o material humano que tinham a disposição, apontaram para um retorno de um futebol mais ofensivo, mais aberto, mais jogado. Um futebol que traz de volta, segundo alguns entendidos, o 433 das velhas batalhas românticas de um tempo em que o jogo de bola se parecia mais com arte.</p>
<p>A história foi cruel com a Holanda: derrotada com glórias quando deveria ganhar, derrotada para si mesma quando deveria perder.</p>
<p>Ironicamente foram Johan Cruyff e Linus Mitchel (respectivamente o gênio e o técnico da seleção holandesa de 1974) que levaram para o Barcelona a ideologia do futebol refinado, da primazia da técnica. Um futebol que cresce com a compulsão quase rococó do toque de bola no meio de campo, do domínio do jogo, da mentalidade estranha de um time que pensa que gols são feitos para transcendência e de que jogadas feias não se justificam, não importando o resultado que oferecem.</p>
<p>As estatísticas enganam. O fato da Espanha ter sido campeã com o menor número de gols da histórias das copas não explica o futebol da Fúria. A Espanha finalizou muito nessa copa, teve o domínio do jogo na maioria das partidas. Destruiu a Alemanha em uma partida em que os germânicos, avassaladores em sua fúria ofensiva e sua objetividade minimalista passaram 26 minutos sem conseguir dominar uma bola ou articular uma jogada decente.</p>
<p>O futebol da Espanha é Barroco, redondo, floreado sem a objetividade neurótica dos times covardes, obcecado pela perfeição de uma jogada que nunca pode se completar. È um time romântico e aparentemente inviável, jogando um futebol impossível.</p>
<p>Cruyff, que criticou o Brasil de Dunga bem como a Holanda de Van Marwijk, ensinou o Barcelona a importância de um meio de campo habilidoso e de se jogar com classe. Foi justamente essa classe e esse meio de campo que fecharam o caixão da Holanda na única partida em que a laranja (já não tão mecânica e muito pouco mágica) perdeu nessa copa. Espero, sinceramente, pelo bem do futebol, que essa vitória espanhola ponha também um prego no caixão daqueles que acham que qualidade e beleza não criam campeões. Pelo bem do futebol e pela esperança de que a arte ainda possa prevalecer sobre a lógica seca e sem vida dos burocratas do esporte.</p>
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		<title>Os gêneros da derrota</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Jun 2010 18:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal; Coréia do Norte; Copa do Mundo]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não sou um cara muito ligado em esporte. Pratiquei seis meses de basquete no América e nadei um pouco, mas na escola preferia fazer as aulas de educação física [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-680" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/06/22/os-generos-da-derrota/coreia-do-norte/"><img class="aligncenter size-full wp-image-680" title="Coreia do Norte" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Coreia-do-Norte.jpg" alt="" width="726" height="370" /></a></p>
<p>Eu não sou um cara muito ligado em esporte. Pratiquei seis meses de basquete no América e nadei um pouco, mas na escola preferia fazer as aulas de educação física a participar das equipes que disputavam os jogos estudantis. Na verdade nunca fui um cara muito competitivo, a não ser quando vez ou outra, derrapo em alguma vaidade intelectual que, a despeito de minha constante vigilância, costuma a me levar para o desagradável espaço do confronto.</p>
<p>Prefiro o diálogo e meu maior combate é mesmo contra os mortos. Velhos filósofos barbados, jovens poetas mortos cedo demais, mestres da narrativa, já canonizados pelas estruturas da crítica literária. No bom e velho esporte competitivo eu nunca me senti bem.</p>
<p>Sempre nutri certo constrangimento de vencer que me levava a pensar duas vezes antes de derrotar alguém até na Dama ou no Totó. Só os prepotentes, os arrogantes, me instigavam. Vencer os humildes e os ingênuos me causava certa vergonha, uma espécie de mal estar cristão que me levava a abrir mão de minhas próprias possibilidades e talentos.</p>
<p>Mas não vou encher o seu saco falando mais sobre minhas paranóias. Digo tudo isso porque estou aqui, escrevendo diante da TV enquanto a seleção de Portugal (minha segunda preferida na copa) humilha por sete a zero a ingênua equipe da Coréia do Norte. Nada aconteceu como no jogo clássico de 1966, onde a Coréia derrotava Portugal por três a zero, depois de bater a Itália e viu um genial Euzébio fazer quatro e virar a partida para nossos primos portugueses. Confesso que fico preocupado com o destino desses pobres jogadores norte coreanos. Em um regime como o de Pyongyang ser humilhado em uma copa do mundo pode não ser apenas uma questão que se resolve nas linhas do campo.</p>
<p>O fato é que, no futebol, existem derrotas e derrotas. Como o futebol é um jogo de poucos pontos há espaço muitas vezes para um tipo muito peculiar de indeterminação (a tão falada injustiça da bola). Por isso as derrotas, em tempo de copa, criam narrativas tão distintas.</p>
<p>Aristóteles apontou para um fato curioso sobre a tragédia e a comédia dos antigos gregos. Em ambos os casos a narrativa terminava do mesmo modo: alguém se lasca. A questão é que, na tragédia, quem se lascava era alguém admirável. Um homem superior, um nobre, um herói, um justo. A queda dos justos é sempre trágica porque eles são melhores do que nós e seu sofrimento nos comove. Sua queda nos leva a um tipo peculiar de catarse, de empatia que nos faz desabar no choro trágico. Na comédia, quem se lasca não é um justo, não é um virtuoso, um deus ou um herói. São os covardes, os bobos, os burlescos, os grotescos. A queda acomete aqueles que se mostram claramente inferiores, por isso o riso, a gargalhada, a exultante alegria dos que contemplam a derrocada dos ridículos.</p>
<p>Algumas derrotas, no mundo do futebol, são trágicas.</p>
<p>A derrota da Seleção de 1982 para a Itália de Bearzot é uma exemplo clássico de narrativa trágica no mundo do futebol. Ali caíram os justos, ali morreram os heróis da última grande Seleção a jogar um futebol tipicamente brasileiro. Era como um anúncio fúnebre do fim de uma era romântica e de uma forma de ser de uma nação. Por isso choramos tanto a derrota de 1982.</p>
<p>Em 1990 (em uma das piores copas de todos os tempos – do ponto de vista técnico) perdemos para a Argentina depois de uma jogada de Maradona (que deixou o então jogador Dunga na poeira) e um gol de Cannigia. Aquela foi uma derrota cômica de um time que não tinha mais o mesmo apelo romântico das velhas Seleções. Lógico que ninguém riu (a não ser os Argentinos, é claro), mas a comédia estava ali, na ironia de se assistir uma Seleção tecnicamente medíocre ser eliminada por uma Argentina mais medíocre ainda. Aristóteles nunca assistiu a uma partida de futebol, mas se tivesse visto o jogo de Portugal contra a Coréia do Norte em 2010, talvez reformulasse sua teoria da poética grega, acrescentando mais um gênero de derrota: a constrangedora, a humilhante, a que nem faz chorar, nem faz rir, e que apenas deixa aquele gosto amargo na boca até mesmo dos que vencem.</p>
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		<title>O peso da Bola</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 21:06:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Bola]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Jabulani]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa história de ficar reclamando da bola vou te contar&#8230; a impressão que passa realmente é que os jogadores da seleção brasileira já estão preparando seus culpados para a derrota [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-648" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/06/04/o-peso-da-bola/bola-jabulani-copa2010/"><img class="alignleft size-full wp-image-648" title="bola-jabulani-copa2010" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/06/bola-jabulani-copa2010.jpg" alt="" width="362" height="366" /></a></p>
<p>Essa história de ficar reclamando da bola vou te contar&#8230; a impressão que passa realmente é que os jogadores da seleção brasileira já estão preparando seus culpados para a derrota na copa. Isso é muito sintomático da psicologia do brasileiro. Nunca o Brasil foi derrotado por outra equipe. O Brasil sempre perde, ou para si mesmo, ou para algum efeito externo incontrolável.</p>
<p>Lembro nas olimpíadas de 1996 quando o Brasil perdeu para a Nigéria (se eu não me engano), lá estava Galvão Bueno reforçando esse discurso, dizendo o tempo inteiro que o vento estava atrapalhando o jogo do Brasil.</p>
<p>Em 1996 perdemos para o vento, como já perdemos para a altitude várias vezes, para o juiz e até para nós mesmos. Perdemos a partida contra a Itália em 1982 por causa de Toninho Cerezo que entregou a bola nos pés de Paolo Rossi para o segundo gol da Azurra. Perdemos para a França em 1986 porque Zico não fez aquele bendito pênalti, como perdemos para o Uruguai porque nosso goleiro, o pobre e injustiçado Barbosa falhou no segundo gol uruguaio. Perdemos em 1998 porque Rolando deu a bilola antes do jogo e entrou avariado do juízo para jogar a partida decisiva contra o time de Zidane. Sempre perdemos para nós mesmos ou para o mundo e suas circunstâncias imponderáveis. Nunca conseguimos admitir a obviedade de que o outro pode ser melhor, de que a outra seleção pode ter um jogador mais genial (como Maradona em 1990) ou um esquema tático mais sólido como a Holanda em 1974.</p>
<p>O grande problema disso tudo é que a nossa incapacidade de entender as próprias derrotas acaba por comprometer o entendimento de nossas vitórias. O Brasil é um país ciclotimico, bipolar, cujo povo aprendeu a oscilar o humor como um dependente químico na gangorra da euforia e da prostração. Não é a toa que somos movidos a álcool (não há droga mais bipolar que o álcool). Nos superdimensionamos na mesma medida em que também nos depreciamos coletivamente, ainda estamos tateando a construção de uma autoimagem coletiva mais exata, mais equilibrada e o futebol, nossa mais intensa tradução, espelha ainda esse estado de miopia sociopsicologica.</p>
<p>Um dia foi o vento, outro as alturas das montanhas nevadas&#8230; um dia qualquer será o frio, o calor, o campo, a grama, a torcida&#8230; espero que esse ano não seja a bola. Seria uma profunda descortesia para com aquela que, sendo bem tratada, tanta alegria e prazer deu aos brasileiros.</p>
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		<title>Um futebol sem fronteiras.</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:09:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[A Inter de Milão foi campeã da Europa com todos os méritos. Venceu dois dos maiores times do mundo, o Barcelona e o Chelsea e não apenas provou que seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-631" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/05/26/um-futebol-sem-fronteiras/inter/"><img class="aligncenter size-full wp-image-631" title="Inter" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Inter.jpg" alt="" width="680" height="510" /></a></p>
<p>A Inter de Milão foi campeã da Europa com todos os méritos. Venceu dois dos maiores times do mundo, o Barcelona e o Chelsea e não apenas provou que seu estilo de jogo funciona  apenas em competições de pontos corridos, mas também tem efeito no sistema mata-mata.</p>
<p>Eu, particularmente, preferia que o Barcelona tivesse ganho esse título. Gosto de pensar que um time que guarda algo do velho futebol ofensivo, vistoso, com refino, técnica e habilidade possa também ganhar campeonatos e troféus.</p>
<p>Muita gente gosta de matar o futebol arte sempre que times como o da Inter ganham campeonatos importantes como a copa dos campeões da UEFA. Essa é uma estranha compulsão daqueles que insistem na tecla de que o futebol é apenas um esporte, como Vôlei, Rúgbi, Tiro ao Alvo ou <em>Ping Pong</em>.</p>
<p>Eu não discordo que o futebol nos últimos vinte anos vem se tornando cada vez mais físico e tático, com hordas e hordas de mastodontes bombados correndo 100 metros rasos para cá e para lá pelo campo. Cada vez mais o futebol se aproxima do Rúgbi (seu irmão Gêmeo menos famoso – ao menos no Brasil). Se aproxima também do Vôlei Ball e de sua mecânica tática absoluta e sua avassaladora tediosidade estatística.</p>
<p>No futebol o aspecto tático e físico limitam a imprevisibilidade da técnica de modo a que, cada dia que passa, o gol esteja se tornando um vaga impossibilidade. Times como a Inter de José Mourinho, ou a Inter de Helenio Herrera (da década de 1960) buscam em seus fundamentos não permitir o jogo alheio. Sua estratégia fundamental é a da redução dos espaços do campo, o da limitação dos movimentos dos oponentes. O jogo da Inter, seguindo seu DNA, é muito parecido com o funcionalismo da Bauhaus ou do minimalismo de Mondrian. Um jogo que prima pela exatidão e pela objetividade. Pela mecânica funcionalista da arte moderna contra um barroco tropical de times como o Brasil de 58.</p>
<p>Até ai não existe nenhuma novidade. Não foi esse time interista a inventar essa tradição no mundo da bola. A questão é que esse time montou esse esquema funcional, europeu, objetivo e minimalista, baseado na retranca e no contra ataque certeiro com jogadores brasileiros, argentinos, holandeses, croatas, ganeses&#8230;</p>
<p>A Internazionale de Milão foi o primeiro time a ganhar  Liga dos Campeões sem um jogadorzinho sequer do próprio pais do time campeão (a entrada de Materazzi aos 46 do segundo não muda muito esse quadro).</p>
<p>Com uma defesa completamente sul americana a Inter foi campeã no melhor estilo da retranca italiana. Esse dado transcultural mostra que algo aconteceu ao futebol nas últimas décadas.</p>
<p>O futebol não ficou imune ao colapso cultural dos Estados-nacionais depois da segunda guerra mundial. Se o Estado-nação ainda é uma realidade política longe de ser superada levando em conta que as utopias federalistas do iluminismo ainda não se materializou, do ponto de vista das expressões culturais o mundo está cada vez mais misturado. O futebol mostra isso.</p>
<p>Não há mais identidade em campo. Os velhos perfis psicológicos que separavam os povos e que se expressavam através dos estilos de jogo caiu quando Brasil e França foram eliminados na copa de 1982 e depois, na copa do México, a Argentina de Maradona foi campeã com um 3-5-2 típico de times europeus.</p>
<p>O futebol anda sacrificando os aspectos mais românticos e peculiares de sua história no altar pragmático do esporte. Isso é um fato.</p>
<p>Mas não vamos nos lamentar pela vitória da Inter.</p>
<p>A alegria dos torcedores, perseguidos pelo fascismo de Mussolini nos anos trinta, depois de quarenta e cinco anos de fila, perdoam esses desvios estéticos que vez ou outra alucinam os apreciadores da grande arte.</p>
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		<title>A Chave e o ferrolho</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 18:41:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Gol]]></category>
		<category><![CDATA[Inter]]></category>
		<category><![CDATA[Santos]]></category>

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		<description><![CDATA[Sim&#8230; o Santos foi campeão paulista. Confesso que eu, como quase todo o Brasil, desejou em alguma periferia da razão, em algum instante do jogo do último Domingo, que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a rel="attachment wp-att-581" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/05/04/a-chave-e-o-ferrolho/bola-na-trave1/"><img class="alignleft size-full wp-image-581" title="bola na trave1" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/05/bola-na-trave1.jpg" alt="" width="400" height="284" /></a></p>
<p style="text-align: right;">Sim&#8230; o Santos foi campeão paulista.</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">Confesso que eu, como quase todo o Brasil, desejou em alguma periferia da razão, em algum instante do jogo do último Domingo, que o Santo André fosse campeão.</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">Seria uma boa história para se contar aos nossos netos. Uma boa lembrança das imponderabilidades do futebol em suas partidas épicas.</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: right;">Mas em um jogo existem caprichos que são inexpugnáveis.</p>
<p style="text-align: right;">
<p>A trave, a deusa Fortuna dos gramados, costuma nos presentear, bem rente aos limites do campo, com aquela sensação de fatalidade cósmica que envolve os dramas humanos.</p>
<p>A trave salvou o Santos no antepenúltimo minuto, na última trajetória da bola rumo ao gol, na derradeira jogada do ataque inimigo. A trave fechou, com seu ferrolho trágico, os sonhos do time do Santo Andre.</p>
<p>Isso só aconteceu porque o Santos não teve receio de assumir o risco como um elemento inerente de todo grande acontecimento.</p>
<p>Uma constatação técnica repetida pela boca dos <em>schollars</em> do futebol é a de que: “o time (do Santos) é maravilhoso com a bola nos pés, mas sem a posse de bola deixa a desejar, se expõe muito, se arrisca”.</p>
<p>Parece a mesma crítica levantada contra a seleção de 82.</p>
<p>A mesma ingenuidade ofensiva, a mesma compulsão pelo gol, a mesma insistência em fazer com que o futebol seja algo mais do que um simples jogo.</p>
<p>A final do campeonato paulista deste ano, nas duas partidas, foi uma das melhores coisas que eu assisti na TV nesse semestre.</p>
<p>Não há nem como estabelecer um parâmetro de comparação em relação a semifinal da liga dos campeões envolvendo a Inter e o Barcelona.</p>
<p>Me arrependi amargamente de ver aquele jogo.</p>
<p>A Inter conseguiu manchar o futebol com um tipo muito pernicioso de náusea estética, um atentado contra a sensibilidade dos amantes da bola, uma amostra da redução absoluta da arte a um sistema simplificado, mecânico e funcional.</p>
<p>Na sua segunda partida contra o Barcelona, a Inter de Milão abdicou do jogo. Com a vantagem de perder por um gol de diferença, José Mourinho (técnico da equipe italiana) recuou seu time a ponto de construir dois muros de quatro zagueiros. Desde os 27 minutos do primeiro tempo, quando Thiago Mota foi expulso o estilo da Inter que era nove zagueiros e um homem perdido na frente, passou a ser nove defensores e um goleiro.</p>
<p>Dizem as enciclopédias do futebol que a última vez que a Inter foi campeã da Europa jogou esse mesmo estilo com o técnico Helenio Herrera construindo uma das retrancas mais famosas da história contemporânea da bola.</p>
<p>Para quem não torce pela Inter de Milão o jogo contra o Barcelona em <em>Camp Nou</em> pode ser entendido como um intervalo equivocado no curso natural da vida. Aquela foi uma das partidas para ser registradas na desciclopedia do futebol como um atestado de falência do bom senso estético que ainda sobra aqui e acolá no esporte contemporâneo.</p>
<p>A final do paulistão não.</p>
<p>Jogando aberto no primeiro tempo o Santos ensinou aos “Helenitos Herreiras” e aos “Josés Mourinhos” do Brasil que um título é só uma lembrança numérica sem sentido na memória obsessiva dos colecionadores de estatística. No futebol o que permanece, mais do que o resultado de um jogo, é a emoção, que nos arrebata, nos transcende e nos lembra sempre que a vida não basta.</p>
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