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	<title>Pablo Capistrano ////////////// &#187; O Resultado do Futebol</title>
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	<description>Só mais um blog do WordPress</description>
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		<title>Uma questão cronológica</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 15:04:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Amigo velho, hoje, Domingo, dia 18 de Dezembro de 2011, eu fiquei puto com o tempo. Não vale a pena esse tipo de irritação; Vou logo avisando que é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.pablocapistrano.com.br/2011/12/20/uma-questao-cronologica/santos-1963/" rel="attachment wp-att-1642"><img class="aligncenter size-full wp-image-1642" title="santos-1963" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2011/12/santos-1963.jpg" alt="" width="531" height="348" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Amigo velho, hoje, Domingo, dia 18 de Dezembro de 2011, eu fiquei puto com o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não vale a pena esse tipo de irritação; Vou logo avisando que é inútil e perigoso ficar de mal com o tempo, porque, como questionava Heráclito de Éfeso na velha Grécia: “contra aquilo que nunca se esconde, como pode alguém permanecer oculto?”.  E hoje, no mundo do futebol, ninguém pode permanecer oculto diante da absoluta evidência do futebol do Barcelona.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Muito se cantou no Brasil desse ano que o jogo final do mundial interclubes da Fifa seria “o jogo do ano”. Santos, com a tradição de Pelé contra o maravilhoso Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta, Puyol, Fabregas e tantos nomes que parecem não se conter de tão bons.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Acordamos cedo, escovamos a boca, banhamos o rosto para não perder tempo com banhos demorados e nos sentamos na frente das televisões do Brasil para ver o Santos de Pelé contra esse Barcelona, que muitos consideram o time a ser copiado pelo futuro do futebol.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas o tempo, amigo velho, é esse assassino silencioso dos sonhos humanos, esse rei em permanência constante de guerra, esse mestre do mundo, que constrói com seus acasos as farsas e as tragédias de nossas vidas.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">O tempo não quis que essa partida acontecesse.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não era esse Santos que deveria ter jogado hoje com o Barcelona. Não era o Santos de Neymar, Ganso e Edu Dracena. Não o Santos de Alan Kardeck, de Arouca, de Borges. Esse Santos, como o futebol brasileiro desses anos, nunca teve reais condições de enfrentar um time como o Barcelona.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Os mais lúcidos sabiam disso. Mas os sonhos, amigo velho, nos seduzem porque são assim mesmo, sem sentido, sem direção, sem fundamento.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Se o tempo fosse um senhor piedoso, aliado dos sonhos dos homens, teria subvertido seu próprio curso, redimensionado sua própria lógica, reconstruído sua própria arquitetura para que aquele Santos de Pelé, daquele futebol que um dia foi brasileiro, pudesse nos brindar com o confronto do século. A grande luta antropofágica entre um Santos dos sonhos contra esse Barcelona barroco, que insiste em, anacronicamente nos lembrar que futebol se joga com a bola nos pés, como um dia os brasileiros acostumaram a ensinar ao mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Mas essas gambiarras quânticas não parecem ser possíveis nesse tedioso mundo newtoniano em que nós vivemos. Esse mundo onde o passado aparece pra gente como ruina da memória e o futuro como uma ansiosa planície de auspícios nebulosos.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não assistimos o jogo do Santos contra o Barcelona, porque o tempo não deixou. Não conseguimos assistir esse jogo porque, na academia da bola, hoje, o futebol fala catalão.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Só nos restou a inveja e o maravilhamento, cortado pela nostalgia de um tempo caprichoso em que o futebol, essa linguagem do mundo, falava português.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Futebol, mito e poesia</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2011/12/07/futebol-mito-e-poesia/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Dec 2011 14:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; Os velhos gregos sabiam que nem todas as palavras eram iguais. Algumas, por mais semelhantes que fossem, guardavam profundas distinções de seus símiles. Mas não eram apenas as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.pablocapistrano.com.br/2011/12/07/futebol-mito-e-poesia/socrates-corintiano/" rel="attachment wp-att-1628"><img class="aligncenter size-full wp-image-1628" title="Sócrates Corintiano" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Sócrates-Corintiano.jpg" alt="" width="413" height="550" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Os velhos gregos sabiam que nem todas as palavras eram iguais. Algumas, por mais semelhantes que fossem, guardavam profundas distinções de seus símiles. Mas não eram apenas as palavras, objeto dessa decomposição de significados. O próprio discurso, a própria fala que constrói a rede de linguagem que cria o mundo dos homens, não é igual.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Existe o <em>logos </em>uma fala exata, racional, cortante e mental, articulada em estruturas gramaticais que induzem os grandes saltos do pensamento e as perigosas construções que usamos para compreender nosso entorno e desmontar o véu ilusório das ideologias sociais. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Mas existe também outra fala, outro discurso, outro verbo que constrói também seus paraísos e seus deleites narcóticos. O <em>mitos </em>é a palavra sagrada que evoca a memória dos heróis mortos. O verbo poético que nos encanta e enlouquece com sua beleza simbólica, com seu furor entusiasmado que nos arrebata até esferas de emoção. A poesia que nos leva ao delírio do riso ou ao universo encantado das lágrimas libertadoras.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">O Sócrates grego era um mestre no primeiro tipo de discurso. Um craque das praças abertas da velha Atenas de Péricles. Seu combate, seu confronto mais intenso, se deu na arena do <em>logos, </em>no campo da política e do pensamento, que, em sua selvageria contida, desconstruía as crenças preguiçosas dos velhos atenienses.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">O Sócrates brasileiro também era muito bom na arte de seu xará ateniense. Nascido dentro de uma biblioteca (como disse em uma palestra dias antes de morrer), herdou o nome do velho mártir da filosofia pela paixão de seu pai pelas letras. Foi pelas páginas do mais conhecido livro de Platão, A República, que seu Raimundo, um autodidata nascido nos sertões do Ceará, achou o nome de seu filho.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Em um tempo em que ter coragem e postura era um imperativo dos justos, o Sócrates brasileiro reconstruiu, na pequena ágora corintiana, a experiência radical da democracia dos gregos. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Mas o Sócrates brasileiro não se destacou apenas pela suas qualidades intelectuais, pela sua coragem de postular e seguir uma ideologia, como Johan Cruyff na Holanda e Breitner na Alemanha também fizeram nos sombrios anos setenta. O Sócrates brasileiro também dominava outro discurso, outra narrativa, outro verbo poético que o seu homônimo grego nunca imaginaria ser possível.  </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Na poesia da bola, nosso Sócrates construiu uma narrativa mitológica que cristalizou na memória estética do mundo a ideia de um futebol arte, que não se subordinava a lógica produtivista da vitória. Sua luta não era a luta dos iguais, dos que se contentavam com a banalidade do mesmo, com a redutiva isonomia do comum.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Quer na poesia mítica do futebol arte, ou nos rigores lógicos da razão política, que desmanchava as alucinações ideológicas de um sistema que instituiu a vitória como assassina da beleza e que insiste no descabimento de transformar o futebol em um esporte, Sócrates era uma dissidência. Um único. Um significante e imprevisível poeta da bola, que dominava como poucos a técnica do pensamento na arena política e a arte poética das trajetórias imprevistas, no campo de futebol.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-family: Calibri;">Se o Sócrates dos Gregos assumia que só sabia que nada sabia do mundo das ideias, o Sócrates brasileiro, no mundo da bola, foi um dos nossos mais importantes sábios. Como disse Haroldo Soares, técnico do time infantil do Marista ao ver seu alto, magro e desengonçado aluno jogar naqueles anos setenta: “O Sócrates é um desses jogadores que a gente não precisa ensinar nada. Ele já nasceu sabendo”.</span></p>
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		<title>A pedagogia da derrota</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2011/08/22/a-pedagogia-da-derrota/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 17:37:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos do mês de Agosto de 2011 e o time do Flamengo amargou sua segunda derrota no ano. Se mergulhamos no mundo das quantidades, na dimensão das estatísticas, no universo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Estamos do mês de Agosto de 2011 e o time do Flamengo amargou sua segunda derrota no ano. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Se mergulhamos no mundo das quantidades, na dimensão das estatísticas, no universo numérico dos que analisam os tediosos padrões matemáticos da natureza, poderíamos pensar que esse seria o indicio de que esse ano, o Clube de Regatas do Flamengo, mais querido do Brasil, será heptacampeão. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Mas o futebol tem sempre essa teimosia quântica de perturbar as certezas estatísticas. A mística da irracionalidade futebolista sempre rivalizou com aqueles que tentam impor, aos seus meandros, algum tipo de regularidade natural.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Por isso as vitórias e as derrotas devem ter outra interpretação. Mais qualitativa. Mais pedagógica do que matemática. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Na política, por exemplo, costuma-se a dizer que um aspirante a cargo eletivo só atinge a maioridade eleitoral quando consegue deglutir a experiência pedagógica da derrota. A derrota pode ser uma grande professora, porque, como cantou em versos Willian Blake: a maldição move; a benção: relaxa. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Não perder é muito arriscado. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Como uma presença ameaçadora, uma derrota não sentida, adiada por várias e várias rodadas de um campeonato de futebol longo como o brasileiro, pode se tornar um espectro monstruoso para um time de futebol. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Na minha opinião de torcedor, que as vezes, pela raiva, acaba congelando a paixão para ser possuído pela frieza cirúrgica do filósofo o Flamengo chegou no ponto central da sua história no campeonato brasileiro desse ano.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Deglutir a vexatória derrota por quatro a um contra um time sem tradição na série A como o Atlético Goaniense é um passo importante no aprendizado de uma equipe que quer ser campeã.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">O ponto positivo para o torcedor é que agora, o Flamengo está livre do peso da sua própria inexpugnabilidade. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">O time está liberto da necessidade de bater algum tipo de recorde, de marcar a história dos campeonatos de pontos corridos com alguma estatística de invencibilidade.   Está livre para perder e para ganhar e para pensar em um objetivo muito mais saboroso para a sua torcida: o hepta campeonato. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Se não entender o sentido pedagógico da derrota o Flamengo pode, no segundo turno desse campeonato, inverter o curso de sua trajetória como outros times já inverteram na história desse campeonato brasileiro. Para a infelicidade geral da nação.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"> </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong> </strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"><strong>ps.: o texto acima foi escrito na quinta feira, antes do jogo contra o Internacional. Devido a questões cronológicas e problemas de conexão não pude publica-lo no calor da derrota, mas a reflexão fica. Apesar dos sinais parecerem reforçar, com o empate de Ontem no Beira Rio, a leitura de que as coisas voltaram a ordem natural desse campeonato – empates, empates, empates.</strong> </span></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Dialetica da Bola</title>
		<link>http://www.pablocapistrano.com.br/2011/07/20/a-dialetica-da-bola/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 14:28:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[No Sábado passado a seleção brasileira foi desclassificada da Copa América após uma bizarra sequencia de pênaltis perdidos. Jogando contra um Paraguai aferrolhado, no melhor estilo do catenaccio italiano, com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">No Sábado passado a seleção brasileira foi desclassificada da Copa América após uma bizarra sequencia de pênaltis perdidos. Jogando contra um Paraguai aferrolhado, no melhor estilo do catenaccio italiano, com um goleiro fazendo aquelas defesas testiculares anatomicamente imponderáveis, os paraguaios passaram o jogo todo (incluindo ai a prorrogação) sem conseguir construir mais do que dois chutes a gol. O Brasil por sua vez, teve mais de dezesseis finalizações sem conseguir meter uma bola pra dentro do gol (#saudadesderonaldobolinha). </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Hoje a Venezuela joga contra o mesmo Paraguai, carrasco do Brasil, para definir uma vaga na final contra o Uruguai, que derrotou o Peru (carrasco da Colombia, que já foi campeã da América, e um dia, no começo da década de 90 tinha um time que prometia reinventar o futebol sul americano).</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;"> Talvez alguém no Brasil tenha se espantado com os resultados da seleção nos últimos jogos, mas o fato, amigo velho, é que nós, brasileiros, somos constantemente vítimas de um desconcertante delírio metafísico que apregoa a máxima: “tudo vai ser amanhã, como foi ontem”.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Essa crença na continuidade dos fatos, na permanência dos acontecimentos, na tediosa ordem natural das coisas, sempre presenteou os humanos com a impressão confortável de eternidade que nos deixa certos de que os fatos não mudarão. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Os brasileiros são assim com o futebol. Criaturas a-históricas, metafísicas, profundamente arraigadas a impressão de que o tempo é só um detalhe.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Antes de 1958 achávamos estar fadados a eterna permanência na fila de espera dos grandes campeões, para sempre comprimidos no corredor de acesso ao panteão de glória dos heróis do futebol. Vira-latas que éramos em um mundo onde os uruguaios eram os reis da América, nos acostumamos a regurgitar nossa própria coadjuvância.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Cinco títulos mundiais e algumas das mais incríveis seleções que já pisaram nos gramados da humanidade depois aqui estamos nós, com a mesma velha doença da eternidade, sem se tocar que até o futebol é vitima da dialética sem fim do tempo. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Sim, amigo velho, é a dialética, aquela palavrinha que você ouvia nas reuniões da TPOR nos anos 90, ou nas conversas com a turma do Correio dos Trabalhadores no pátio da ETFRN. A tal da dialética, que Marx tomou emprestado de Hegel, que, por sua vez, pegou sem avisar de Heráclito, o velho obscuro de Éfeso. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Tudo passa, tudo flui. Tudo se transforma em seu contrário e o contrário já mora em potencia, no idêntico. Como amantes indissociáveis em um balé contínuo que atravessa o tempo mudando tudo, derrubando império, reconstruindo velhas civilizações obscurecidas pelo mofo. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Aquele que um dia está em cima: desce. Quem está em baixo: sobe.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Hoje, o grande time da América é o Uruguai.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Até um dia desses os uruguaios não conseguiam ganhar uma partida sequer de copa do mundo. Nosso vizinhos do sul entraram numas depois de 1970 e da derrota para a Holanda de 1974. Parece que eles acreditaram que deveriam esquecer o talento de seus jogadores (marca do Uruguai, inclusive nos anos quarenta e cinquenta) e assumir o estereótipo de um time que funcionava a base da porrada e da “garra” (um eufemismo futebolístico para a falta de talento vitoriosa). </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Eles entraram numas de achar que brasileiros e argentinos é que eram os talentosos, os sul americanos, os habilidosos, os que ganhavam jogos como se estivessem dançando balé em toques rápidos de um contagiante de bola ou mesmo com a genialidade romântica de algum herói de plantão. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Mas tudo carrega em si o seu contrário e em uma copa em que brasileiros jogaram o futebol carne crua de Dunga e os argentinos o futebol porra louca do Maradona, os Uruguaios, recuperaram as velhas marcas de seu futebol e agora tem a possibilidade de ganhar a copa América, deixando no rastro os “eternos” favoritos Argentina e Brasil.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">É a dialética, amigo velho, mexendo com as coisas do tempo, transformando as formas da vida e empurrando para cima o que está em baixo e para baixo o que se pensa sempre viver lá por cima. A velha imagem da roda da fortuna também faz seus estragos nos campos da bola. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"> </span></p>
<p><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">Só falta agora nós, brasileiros, amigos das eternidades virtuais, admitirmos nossa entressafra, e aprendermos a compreender o fluxo das coisas, para que a onda do tempo não nos afogue, como afogou o futebol uruguaio por trinta anos.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;"> </span></p>
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		<title>A ordem natural das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 31 May 2011 12:20:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[  Foi Sêneca que comparou nossa condição humana a de um cão, amarrado pelo pescoço, correndo atrás de uma carroça. O cão tem uma certa liberdade de ir um pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> <a rel="attachment wp-att-1310" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2011/05/31/a-ordem-natural-das-coisas/ferguson/"><img class="alignleft size-full wp-image-1310" title="Ferguson" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2011/05/Ferguson.jpg" alt="" width="415" height="275" /></a></strong></p>
<p style="text-align: right;">Foi Sêneca que comparou nossa condição humana a de um cão, amarrado pelo pescoço, correndo atrás de uma carroça. O cão tem uma certa liberdade de ir um pouco mais para a direita ou para esquerda, mas não pode parar de correr.</p>
<p style="text-align: right;">Se o cão se revoltar com o curso da carroça, morrerá sufocado. Sua única opção é o de ser arrastado pela força do veículo. Ele precisa entender a ordem natural das coisas. Precisa saber que sua coleira o prende aquela carroça e que ele tem que seguir o curso que é imposto pelo carroceiro. Do mesmo modo somos nós, diante da ordem natural das coisas. Da mesma forma foi Sir Alex Ferguson, com uma rosa vermelha na lapela do paletó, na noite de Sábado em Wembbley.</p>
<p style="text-align: right;">Fergueson, um dos mais bem sucedidos técnicos da história do futebol, viu o seu Manchester, campeão inglês, um dos melhores times do mundo, completamente batido diante da ordem natural das coisas que, naquela noite, se chamava Barcelona.</p>
<p style="text-align: justify;">O time inglês só tinha duas opções. Ou se revoltava contra o curso natural de um futebol impecável e tomava uma goleada, ou seguia a carroça barcelonista e perdia de 3 à 1.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas até que a derrota não foi vexatória.</p>
<p style="text-align: justify;">O Manchester fez um gol. Com a marca da urgência, da pressa, da velocidade e da precisão quase germânica de um futebol que não se permite o erro. Aos 33 do primeiro tempo, marcação sobre pressão na cobrança do lateral, bem na lateral direita área do Barcelona. O Manchester rouba a bola e em dois ou três passes rápidos Rooney encontra o espaço na entrada da área para chutar e empatar.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas foi só uma brecha, só um detalhe no curso natural e transparente de uma partida que parecia já estar decidida desde os quinze primeiro minutos, quando o jogo do Barcelona começou a aparecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Com um ataque leve e baixo, acostumado a ter a paciência de tocar a bola até que o espaço do gol surja diante de Pedro, David Villa, Messi, Xabi, Iniesta ou Daniel Alves (um dos raros brasileiros desse time genial), o Barcelona não joga bola.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele dança uma dança cósmica que em muito se assemelha aos velhos ritmos naturais esquecidos por essa civilização de técnica, acostumada a correr neuroticamente direção a seus resultados.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa civilização precisa de um time como o Barcelona. Andamos muito acostumados com a cantilena industrial de um tempo de urgência. Esquecemos o sentido fundamental da contemplação. Somos escravos de nossa própria objetividade, vítimas da necessidade de resolvermos as coisas no tempo do relógio, na desmedida louca de nossa própria pressa e de nossa própria correria.</p>
<p style="text-align: justify;">    O Barcelona joga como um time velho. Ele gira, espera, contempla. Como se fossem monges zens sustentando o arco, cada um desses jogadores geniais mantem a seta retesada em completa imobilidade circular, dando ao time uma inquietante lentidão de toques pelo meio de campo. Tudo permanece assim até que, em um vislumbre, em uma estocada, em um momento de êxtase, um segundo de iluminação, um Messi, meio herói e meio santo, sai driblando com a bola grudada no pé, puxando o time adversário com a perna esquerda até achar uma brecha, um espaço de milimétrica exatidão para chutar da entrada da área e marcar um gol.</p>
<p style="text-align: justify;">A imagem fundamental dessa partida que decidiu o mais importante campeonato interclubes da Europa foi a de Sir Alex Ferguson, aos vinte e poucos minutos do segundo tempo, movimentando nervosamente os dedos, mascando agitadamente seu chiclete, observando em um desespero resignado as impossibilidades daquela partida. Paralisado diante de um impasse mortal (abrir o jogo e ser massacrado, manter-se fechado e sofrer a derrota inevitável) o Manchester só conseguiu, no segundo tempo, chutar uma bola a gol na altura dos quarenta minutos. O resto foi só aquela dança, aquele giro, aquele imperativo circular dos mestres sufi que põe o mundo pra rodar enquanto permanecem equilibrados sobre o próprio eixo, focados no único ponto de estabilidade em meio o giro das coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">No sábado, em Wembbley, o Barcelona foi a carroça e o pobre cão inglês, preso pela coleira do futebol, teve que seguir seu curso. Sentado em sua cadeira de campeão inglês, o Manchester de Alex Ferguson teve que absorver a dolorosa pedagogia futebolística que nos mostra que não podemos lutar contra aquilo que não podemos mudar.</p>
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