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	<title>Pablo Capistrano //////////////</title>
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		<title>Krisnamurti</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Mar 2010 22:40:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia e Pensamento]]></category>

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		<title>Carnaval por Dentro</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 13:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
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Domingo de carnaval fui até Baía Formosa, uma das últimas praias do Rio Grande do Norte, já perto da fronteira com a Paraíba. Minha intenção era encontrar um lugar mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="200" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.medlac.net/Minhas%20Imagens/Imagens%20Mitologia/7%20Mit%20Apo%201.jpg" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="200" height="300" src="http://www.medlac.net/Minhas%20Imagens/Imagens%20Mitologia/7%20Mit%20Apo%201.jpg"></embed></object></p>
<p>Domingo de carnaval fui até Baía Formosa, uma das últimas praias do Rio Grande do Norte, já perto da fronteira com a Paraíba. Minha intenção era encontrar um lugar mais ou menos calmo para tomar um banho de mar com as a crianças.</p>
<p>A maré estava cheia, os bares lotados, e a praia acossada por aquela procissão de idiotas com seus carros ouvindo a toda altura um misto bizarro de <em>funk</em> com <em>axé </em>e música sertaneja que a rapaziada daqui por algum motivo misterioso chama de <em>Forró</em>. Já na hora da saída, quando nos preparávamos para pegar a estrada de volta à Natal, vi um senhor de idade avançada. Estava sozinho, completamente embriagado, com a cara pintada de branco e com uma sombrinha daquelas de frevo, dançando pelo meio da rua, como se estivesse em uma viagem de ácido ou como se viesse ainda chapado, de um antigo ritual religioso em homenagem as potências naturais.</p>
<p>Lembrei imediatamente de Jaadiel, um amigo que é professor de filosofia em Santa Cruz. Quando eu perguntei: “E ai velho? Vai curtir o carnaval em Natal?” – ele me respondeu: “Curtir não, vou descansar”. Emendando quis saber se ele não estava pensando em “cair na fuzaca” em alguma praia do litoral norte ou sul e ele me respondeu: “No carnaval o natalense vai para a beira da praia, fica olhando o mar, tomando cerveja e comendo peixe frito. Ele faz no carnaval, aquilo que faz todo fim de semana, não tem diferença”.</p>
<p>Pois é amigo velho, já fui a alguns carnavais nessa vida: Salvador, Recife e muitos pelas praias do litoral potiguar. Sempre que o carnaval se aproxima minha vontade é de buscar um paraíso entre as dunas e o mar, perto de algum coqueiral para me chapar com qualquer coisa enquanto ouço ao longe, levado pelo vento, os ruídos de alguma troça fantasmagórica com seus metais espectrais e sua percussão primitiva a me lembrar que em algum lugar das eras arcaicas ocorre uma grande festa.</p>
<p>Não adianta. O modo como o potiguar encara o carnaval é absolutamente diferente do modo como o pernambucano e o baiano encaram. Mesmo onde há alguma concentração de pessoas (Touros, Macau, Caicó, Pirangi, Redinha), mesmo nesses locais, o carnaval não é, no nosso estado, um fenômeno de massas.</p>
<p>Quem já foi na Avenida 7 perto do Campo Grande em Salvador, ou mesmo nas ladeiras de Olinda ou no Recife Antigo, quem assistiu um desfile de escola de samba na Marquês de Sapucaí, ou mesmo correu atrás dos blocos de rua do Rio, sabe que um carnaval é um fenômeno de dissolução do ego, uma experiência selvagem de ruptura com o nosso princípio de individuação. Nosso <em>Eu</em> desaparece na turba alucinada, no deleite da exuberância estética, junto ao álcool, a música tribal e o cheiro de sexo e suor que corre pelos corpos das multidões. Onde há carnaval há um delírio dionisíaco que atravessa o imaginário, expandindo os desejos, ampliando as possibilidades do corpo até a exaustão, transformando a linguagem e construindo uma conexão poderosa, como se uma imensa suruba telepática pusesse uns dentro dos outros (em todos os sentidos).</p>
<p>O potiguar, por mais que tente, não nasceu para esse tipo de coisa. Sua viagem é interna, seu devaneio é privado, sua loucura é particular. Nas casas de praia, nas barracas do litoral ou nos balneários na beira dos açudes, o potiguar enlouquece solitariamente, contemplativamente. As fuzacas e as fuleragens típicas do carnaval são experimentadas em família, ou em pequenas troças que só de muito longe lembram as incontestáveis multidões das metrópoles dominadas pela influência do rei louco.</p>
<p>Somos, especialmente em Natal, uma nação de sertanejos que moram diante do mar. Um povo que se esconde. Que passa o ano todo disfarçado. Em uma terra de marranos, tararius e quilombolas acostumados a camuflagem e ao esconderijo das identidades, os abismos sempre são profundos e estreitos. Até o nosso <em>Carnatal</em> (o momento Bahia do natalense) por mais que tente, não consegue se aproximar da força catártica do original (quem foi a Salvador sabe o que eu digo). Por isso eu adoro passar o carnaval no Rio Grande do Norte.</p>
<p> Nós, os apolíneos, curtimos mesmo é essa inviolável solidão. Esse poderoso êxtase de reter nossa loucura. Esse devaneio de dissolver-se sem explodir. Aqui o carnaval acontece por dentro, na psicodélica e violenta troça de nossa imaginação.</p>
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		<title>Letras Germânicas</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 13:20:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esvaziando a estante]]></category>
		<category><![CDATA[Anatol Rosenfeld]]></category>
		<category><![CDATA[Letras Germânicas]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Mann]]></category>

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LIVRO: Letras Germânicas.
AUTOR: Anatol Rosenfeld.
EDITORA: Edusp/Unicamp/Perspectiva
ANO: 1993.
Há uma geração de intelectuais europeus que migrou para o Brasil no tempo da segunda guerra mundial e que contribuiu de modo significativo para [...]]]></description>
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<p><strong>LIVRO: Letras Germânicas.</strong></p>
<p><strong>AUTOR: Anatol Rosenfeld.</strong></p>
<p><strong>EDITORA: Edusp/Unicamp/Perspectiva</strong></p>
<p><strong>ANO: 1993.</strong></p>
<p>Há uma geração de intelectuais europeus que migrou para o Brasil no tempo da segunda guerra mundial e que contribuiu de modo significativo para uma abertura de horizontes do país em um tempo sem internet nem TV à cabo.</p>
<p>Anatol Rosenfeld foi um desses sujeitos que ajudou a aproximar o Brasil de um universo cultural muito discrepante de nossa tropicalidade. Sua primeira vantagem é a de escrever os textos que compõem seu livro, em português, o que nos livra das dificuldades que são inerentes a qualquer tradução do Alemão.</p>
<p>Costumo a dizer que, para um falante de Português, Alemão é uma língua sem escoras. Francês, Italiano, Espanhol e até Inglês tem uma quantidade confortável de palavras de origem latina, que permitem um apoio aqui, outro ali, mas no Alemão essas palavras rareiam. Isso faz com que a literatura de língua alemã permaneça ao menos para o nosso público, refém dos tradutores. Uma vez o Alex de Souza se queixou disso comigo. Ele me falou que não conseguia ler um cara como Hölderlin porque não podia captar nada do tão falado lirismo do autor dos <em>Hinos</em>. Como reter a acústica do alemão em uma tradução, se as escoras não estão lá?</p>
<p>Rosenfeld escreveu uma série de textos curtos sobre autores alemães. Ele, judeu asquenazita, obviamente oferece uma leitura derivada de uma outra perspectiva cultural alemã, diferente da perspectiva de um germanismo nórdico. Sua leitura não se esconde de suas origens hebraicas e muitas vezes o crítico põe seu olhar sobre as letras germânicas a partir da herança da cultura Iídiche da qual fez parte.</p>
<p>Dá para sentir isso, por exemplo, quando ele destroça psicologicamente Heine classificando-o como um “judeu marginal” e apontando para toda a ambigüidade do autor de <em>O Rabi de Bracherah</em> que oscilava em função de sua própria condição de judeu alemão. Rosenfeld caracteriza-o como se padecesse de um certo “nervosismo judaico” que seria provocado pelos confrontos e conflitos mentais que a tentativa de assimilação à cultura germânica o impunha. Uma outra figura do Cânone intelectual germânico que Rosenfeld faz referência é Martin Heidegger. O pensador, que foi membro do partido nazista e que saudou Hitler entusiasticamente nos anos de 1930 leva uma pancada segura. Quando fala sobre os críticos de Georg Trakl (junto com Rilke um dos continuadores da tradição poética de Hölderlin) Rosenfeld escreveu: “Nenhuma interpretação das inúmeras já apresentadas é satisfatória e menos do que todas, a de Heidegger que, estilhaçando a vidraça mencionada por Rilke, mutila o “mistério azul” dessa poesia reclusa”. </p>
<div id="attachment_416" class="wp-caption alignright" style="width: 278px"><a rel="attachment wp-att-416" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/02/22/letras-germanicas/thomas-mann-1-2/"><img class="size-full wp-image-416" title="thomas-mann-1" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/thomas-mann-11.jpg" alt="" width="268" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Thomas Mann - Uma presênça marcante no livro de Rosenfeld.</p></div>
<p>Classificações sócio religiosas aparecem em diversos pedaços do livro, como quando ele analisa a poetiza Else Lasker-Schüler e a identifica como uma “baronesa católica”, em contraste com Getrud Komar, uma “judia metropolitana” e Emily Dickinson, uma “calvinista americana”.</p>
<p>Eu particularmente acho biograficamente relevante essas classificações, até para que a gente possa compreender um bocado sobre os abismos psicológicos dos nossos heróis literários, mas não sei se do ponto de vista de uma crítica literária forte isso tenha alguma relevância, ao menos para uma compreensão dos textos (Bloom explica).</p>
<p>Há pelo menos uma tese recorrente em todo o livro, a de que o romance alemão tem uma discrepância essencial com a escola francesa. Enquanto a segunda é mais ”sociológica”, presa a contextualização e a caracterização das forças sociais que compõe a tessitura das narrativas, o romance alemão teria como elemento central o isolamento subjetivo. Tanto que, para Rosenfeld, o tropo fundamental de todo romance germânico é a da formação do caráter e dos conflitos e vicissitudes que alguém tem de passar até se integrar no mundo, ou isolar-se definitivamente dele.</p>
<p>Ai o Rosenfeld joga Goethe no centro do Cânone alemão (afinal não foi o Goethe que escreveu <em>Wilhelm Meister</em>, um protótipo fundamental do romance de formação moderno?). Apesar dessa reverência ao autor de <em>Fausto</em> e de <em>Os sofrimentos do jovem werter</em>, curiosamente Rosenfeld não dedica nenhum capítulo desse livro a estudar a obra do cara. Talvez ele considerasse Goethe grande demais para um livro de textos tão curtos, vai saber&#8230;</p>
<p>Se Goethe é a ausência mais significativa do livro, Thomas Mann é a presença mais perceptível. Vez ou outra o Rosenfeld cita Thomas Mann, isso também é um sintoma curioso da “goethenização” do sujeito, porque, como já observou Bloom, Mann é um fiel acompanhante de Goethe e a angústia da influência afeta não apenas romancistas e poetas, mas também críticos e filósofos.</p>
</div>
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		<title>A volta dos que não foram</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 13:03:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Milan]]></category>
		<category><![CDATA[Ronaldinho Gaúcho]]></category>

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Ano de copa do mundo é sempre assim. As presenças dos nomes de jogadores na seleção parecem causar menos impacto do que as ausências. Quer seja pela boa atuação da [...]]]></description>
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<div id="attachment_404" class="wp-caption aligncenter" style="width: 587px"><a rel="attachment wp-att-404" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/02/22/a-volta-dos-que-nao-foram/ronaldinho-gaucho-3/"><img class="size-full wp-image-404" title="Ronaldinho Gaúcho" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/Ronaldinho-Gaúcho2.jpg" alt="" width="577" height="399" /></a><p class="wp-caption-text">Será que ele vai para a copa? - Em um time de &quot;idosos&quot; e sem laterais como o Milan só a criatividade de Ronaldinho Gaúcho salva.</p></div>
</div>
</div>
<p> </p>
<p>Ano de copa do mundo é sempre assim. As presenças dos nomes de jogadores na seleção parecem causar menos impacto do que as ausências. Quer seja pela boa atuação da assessoria de imprensa, pela popularidade ou pelas qualidades futebolísticas inerentes aos ausentes o fato é que o tópico que mobiliza o bate papo de mesa de bar é sempre o nome daquele craque que não entrou na lista.</p>
<p>O caso mais significativo dessa obsessão brasileira foi Romário. O baixinho acabou se tornando o homem de uma copa só, porque em 1998 se indispôs com Zico e Zagalo e ficou de fora da seleção que foi para França quando ainda estava no auge do seu futebol. Em 2002, a nação encheu o saco de Felipão para que Romário fosse escalado. Houve manifestações de rua, tentativas de suicídio, automutilação, lágrimas, desespero entre os jornalistas esportivos que faziam parte da folha de pagamento do baixinho e uma imensa quantidade de despachos nas encruzilhadas do Brasil para que Romário fosse à copa de 2002.</p>
<p>Felipão não deu a mínima. Armou um time com Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho e ganhou a copa do mundo.</p>
<p>Agora, nesse tempo de <em>dungafilia</em> nacional a questão volta à tona.</p>
<p>Eu, que não sou um entusiasta da Seleção Brasileira desde a tragédia de Sarriá em 1982, prometi a mim mesmo que não iria comentar sobre a possível não escalação de Ronaldinho Gaúcho e todas as implicações tectônicas desse fato previsto pelos analistas.</p>
<p>Deveria manter-me fiel a esse voto de silêncio, mas a partida pelas oitavas de final da liga dos campeões da Europa entre Milan e Manchester United me fez mudar de ideia.</p>
<p>Ronaldinho fez miséria até os quarenta minutos do primeiro tempo, depois passou uma hora sem jogar e quando voltou a fazer alguma coisa deu um passe exato para Seedorf fazer um belíssimo gol de letra.</p>
<p>Infelizmente o Manchester ganhou o jogo. Não tenho nada contra o time inglês, mas ganhar um jogo com um gol de canela e dois gols de cabeça é foda.</p>
<p>Não gosto de gols feios. Acho que todo gol feio deveria ser invalidado. Deveria haver na regra do futebol algum dispositivo de anulação de gol feio. Sabe como é&#8230; sou brasileiro, aprendi a viver em uma terra onde o princípio de justiça sempre cedeu espaço, sem muitos constrangimentos, ao princípio de prazer.</p>
<p>É justamente esse egoísmo estético, essa falta de vergonha cósmica, esse descaramento sagrado que faz o brasileiro não se importar com o time que joga “melhor” e sim com o que joga “bem”. </p>
<p>E “bem”, para nós, seres tropicantes, é sinônimo de “belo”.</p>
<p>Adoro ver alguém jogar bonito e o Ronaldinho Gaúcho, mais do que o Romário, mas do que o Ronaldo, mas do que o Adriano (Ave César! A nação rubro negra te saúda!), joga bonito. Hoje, em um time lento como o Milan, feito de jogadores na média dos trinta e poucos anos, sem um avanço lateral descente (mas com uma boa defesa) a dependência da criatividade de Ronaldinho é cada vez mais explícita.</p>
<p> Além do mais uma das imagens que nunca sairá da minha mente foi aquela de uma madrugada perdida em 2002 quando, no jogo do Brasil contra a Inglaterra, Ronaldinho Gaúcho bateu uma falta fisicamente impossível, em uma trajetória quântica que contradisse a geometria euclidiana, a mecânica clássica, a ideia de relatividade geral e fez um gol contra o time da rainha que vai ficar guardado na memória dos momentos sublimes do futebol. A nostalgia daquele gol me faz querer ver todos os jogos do Ronaldinho, mesmo quando ele não está na melhor fase.</p>
<p> Não sei se a beleza vai triunfar algum dia sobre a fria mecânica do jogo utilitário que insiste em colecionar copas e campeonatos. Não sei se a arte, por si só, em seu triunfo instantâneo, em sua desconstrução estética do momento um dia vai valer mais do que mil gols de canela, do que mil vitórias burocráticas que o Manchester coleciona. Pois é amigo velho, existem gols que deveriam valer por dois.</p>
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		<title>Kabbalah and criticism</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 15:31:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esvaziando a estante]]></category>
		<category><![CDATA[Árvore da vida]]></category>
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		<category><![CDATA[Madona]]></category>
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Livro: Kabbalah and Criticism
Autor: Harold Bloom 
Editora: Continuum – New York.
Ano: 1993.
Existem livros que começam muito bem, mas terminam com certo rastro de frustração.
Kabbalah and Criticism (traduzido no Brasil com o [...]]]></description>
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<div class="mceTemp" style="text-align: left;">
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_395" class="wp-caption alignleft" style="width: 228px"><a rel="attachment wp-att-395" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/02/10/kabblah-and-criticism/arvore-da-vida-3-4/"><img class="size-full wp-image-395" title="árvore da vida 3" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/02/árvore-da-vida-33.jpg" alt="" width="218" height="283" /></a><p class="wp-caption-text">árvore da vida com suas esferas seria a transfiguração da influência poética</p></div>
</div>
</div>
<p style="text-align: left;"><strong>Livro: <em>Kabbalah and Criticism</em></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Autor: Harold Bloom</strong><strong> </strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Editora: Continuum – New York.</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>Ano: 1993.</strong></p>
<p style="text-align: left;">Existem livros que começam muito bem, mas terminam com certo rastro de frustração.</p>
<p style="text-align: left;"><em>Kabbalah and Criticism</em> (traduzido no Brasil com o nome de <em>Cabala e Crítica</em>) é um desses livros que deixam a sensação de que não se completam, ou que, quando terminam, não cumprem as expectativas que iniciaram no começo da leitura.</p>
<p style="text-align: left;">Bem, sei que você deve ter ouvido falar sobre <em>Kabbalah</em> esses dias. Depois que a Madona aderiu a alguma versão pop da tradição mística judaica o mundo da grande mídia global passou a consumir a <em>Kabbalah </em>como mais um tipo de auto ajuda esotérica. Talvez por isso você fique espantado em saber que um crítico literário do porte do Harold Bloom tenha se dedicado a estudar a <em>Kabbalah</em> em 1975. </p>
<p style="text-align: left;">Bem, Bloom não apenas estudou <em>Kabbalah,</em> ele afirma que extraiu sua teoria da influência dos textos cabalistas e que não apenas ele, mas também Freud teria sido influenciado por essa tradição.</p>
<p style="text-align: left;">O ponto forte do livro são as duas primeiras partes (<em>Kabbalah</em> e <em>Kabbalah and Criticism</em>), nelas Bloom identifica a presença de um vínculo estreito envolvendo tendências gnósticas e neo-platonistas na formação da tradição mística judaica. Segundo ele, a <em>Kabbalah </em>dança entre a influência de Plotino (neo platônico) e de Valentino (gnóstico). Essa tradição estaria marcada por uma oscilação ambígua entre uma ideia de unidade radical do Criador e um dualismo gnóstico que opõe Deus e criação, espírito e matéria, corpo e alma, bem e mal. Curiosamente esse dualismo gnóstico é profundamente anti-semita e rompe com um dos aspectos centrais da tradição hebraica: a unidade e radical transcendência de Deus.</p>
<p style="text-align: left;">Essa ambigüidade doutrinária se manifesta especialmente no <em>Ma´aseh Breshit </em>(Trabalho da Criação – relacionado ao livro de Gênesis), que junto ao <em>Ma´aseh Merkabah</em> (Trabalho da Carruagem – relacionado com o primeiro capítulo do livro do profeta Ezequiel) compõe as duas bases da <em>Kabbalah</em>.</p>
<p style="text-align: left;">O Livro do Esplendor (<em>Sepher ha Zohar</em>) escrito por Moisés de Leon entre 1280 e 1286, seria, na visão de Bloom, um exemplo de desleitura do Gênesis Bíblico, presente através do <em>Ma´aseh Breshit</em>. Bloom defende a leitura das <em>Sephirot</em> (As esferas da árvore da vida) como poemas e não como personificações alegóricas de Deus. Nesse sentido a <em>Kabbalah</em> é interpretada como a própria teoria da influência transfigurada na árvore da vida. A angústia da influência estaria marcada de modo intenso no trabalho de Moises Cordoveiro que divida cada uma das dez <em>Sephirot</em> (esferas da árvore de vida) em seis fases onde cada esfera se manifesta como um modo de influência poética. Essas fases (chamadas de <em>behinot</em>) são mecanismos psicoretóricos de defesa que se apresentam como áreas de imagens poéticas ou tropos retóricos.</p>
<p style="text-align: left;">Moises de Leon, Moises Cordoveiro e Isaac de Luria (responsáveis pela produção, escritura ou edição das principais obras da <em>Kabbalah</em> no fim da Idade Média na Espanha e em Safed) teriam apresentado à Bloom as bases de sua descrição das razões revisionárias que pautam sua teoria da influência poética. A influência se manifesta a partir dessa equação de pertencimento, desse romance familiar que liga poetas vivos e mortos, jovens efebos e antigos pais poéticos através de mecanismos de reação, repressão, desvio, distorção e complementaridade presentes no interior dos textos. </p>
<p style="text-align: left;">Os judeus medievais teriam materializado na <em>Kabbalah</em> sua própria desleitura dos escritos da religião oficial. Eles teriam composto um poderoso mecanismo de defesa psíquica contra o seu próprio estado sociocultural de abandono e desespero em face de uma época de dispersão e exílio.</p>
<p style="text-align: left;">Por tudo isso a primeira parte do livro do Bloom é fascinante. O problema é que ele não avança quando tenta na parte três <em>The Necessity of misreading</em> fechar o texto com a elucidação detalhada das conexões entre as <em>Sephirot</em> e suas razões revisionárias. Parece que há um recuo, uma estranha sensação de que algum segredo, algum tipo privado de verdade que não poderia ser posta estava a ponto de ser explicitada nas páginas de um livro de grande tiragem. Bloom acaba desperdiçando o final do seu livro explicando sua própria ideia de desleitura e tentando ajustar alguns pontos de sua própria teoria sem mergulhar nos detalhes profundos da <em>Kabbalah</em>. Essa frustração acaba deixando aquela sensação de coito interrompido que mata a animação de qualquer um.</p>
<p style="text-align: left;">Bem, fora esse detalhe ejaculatório se você gosta de crítica literária ou de misticismo judaico (ou dos dois, como eu) não dá para não ler esse livro.</p>
<p style="text-align: left;">Pois amigo velho, depois do livro do Bloom a gente tem que gritar: pede pra sair Madona!</p>
</div>
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