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	<title>Pablo Capistrano //////////////</title>
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	<description>Só mais um blog do WordPress</description>
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		<title>Lançamento Quinta &#8211; Cinema Cult</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 17:16:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[Pessoal, quem estiver pela SBPC ou adjacências dia 29 de Julho a pedida é confirir o lançamento do livro 80 Cult Movies Essenciais organizado pelo Nelson Marques, o Gianfranco Marchi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pessoal, quem estiver pela SBPC ou adjacências dia 29 de Julho a pedida é confirir o lançamento do livro <strong>80 Cult Movies Essenciais</strong> organizado pelo Nelson Marques, o Gianfranco Marchi e o Rodrigo Hammer.</p>
<p>Tem um texto meu sobre um dos meus cineastas prediletos: Werner Herzog.</p>
<p>vai ser na cooperativa universitária as 17:oo. &#8211; lá no centro de convivência da UFRN.</p>
<p><object width="480" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7yHrAA6-11U&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/7yHrAA6-11U&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1?rel=0" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"></embed></object></p>
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		<title>Eleições 2010.</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 18:56:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>

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		<description><![CDATA[  Acabou o circo da copa, mas os que se animam com os grandes festivais públicos não precisam se desesperar, o circo das eleições já está na rua. Nesse ano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-740" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/07/19/eleicoes-2010/voto/"><img class="alignleft size-full wp-image-740" title="Voto" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Voto.jpg" alt="" width="200" height="200" /></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: right;">Acabou o circo da copa, mas os que se animam com os grandes festivais públicos não precisam se desesperar, o circo das eleições já está na rua. Nesse ano esse circo deve ter (ao menos aqui no RN) um componente interessante. Não sei se você percebeu, mas desde 1982 todos os governadores eleitos nesse estado têm ou tiveram em algum momento sua base política fincada na grande Natal. José Agripino foi prefeito da capital, assim como Garibaldi Alves e Wilma de Faria. Geraldo Melo nunca governou a cidade dos reis, mas teve sua base política fincada e formada no chão doce do vale do Ceará Mirim.</p>
<p>Se retomarmos a história do nosso estado no século que passou, desde o momento em que os últimos suspiros da oligarquia dos Albuquerque Maranhão foram registrados nas crônicas políticas da nação, apenas o Seridó conseguiu encampar uma linhagem política tão duradoura na esfera do poder estadual. Dinarte Mariz, José Augusto Bezerra de Medeiros, Juvenal Lamartine de Faria e até o cigano Aluísio Alves tiveram seu histórico político construído à Leste do vale do Açu.</p>
<p>Hoje, pela primeira vez, desde que Dix-sept Rosado morreu em um trágico acidente aéreo, um candidato que tem sua base construída na cidade de Mossoró, tem chances reais de chegar ao poder.</p>
<p>Algumas pessoas podem argumentar, com muita razão, que isso não é motivo de esperança, afinal oligarquia por oligarquia o RN continua seguindo sua sina, sem avançar para o nível da moralidade pública, ainda agarrado ao estágio de uma sociedade familiar, como os gregos dos tempos homéricos (diagnosticados por Hegel como vivendo um pouco acima das hordas no quadro da evolução política da humanidade). Também não é preciso ser um mestre em genealogia para retomar a linha que unem Rosados e Maias em uma Paraíba cristã nova, povoada de marranos descendentes de Ambrósio Vieira (Conforme cita Paulo Valadares em seu livro <em>A Presença Oculta </em>a partir do brilhante trabalho do professor Marcos Filgueira).</p>
<p>Por isso o único efeito realmente transformador em uma provável eleição de Rosalba seria geopolítico. Pela primeira vez em muitas décadas Mossoró poderia superar Natal como pólo protagonista de uma eleição no estado, e isso se daria, vale salientar, muito mais pela incapacidade de Natal, nessa eleição, projetar uma liderança de alcance estadual do que pelo brilho próprio da ex-prefeita de Mossoró.</p>
<p>Carlos Eduardo poderia ser naturalmente essa liderança que como ex-prefeito da capital potiguar, carregaria o estandarte da tradição que reza ser o palácio Felipe Camarão um estágio preparatório para a governadoria. Mas Carlos Eduardo fez uma aposta que não lhe rendeu frutos. Ele pensou ser possível afastar-se de Wilma, inviabilizar a projeção de Rogério Marinho e contar com o apoio do PT para se lançar candidato. A aposta de Carlos Eduardo foi corajosa, como corajosa foram muitas de suas posições no tempo em que era prefeito da capital. Mas ele não contava com o sentido pouco firme da história e com a fragilidade do sentimento de gratidão em tempos de disputa pelo poder. O mesmo PT que recebeu de presente a candidatura de Fátima Bezerra para prefeita de Natal depois que Carlos Eduardo (de dentro do PSB) deu sua sinuca de bico em Rogério e Wilma, o abandonou de forma desconcertante.</p>
<p>Hoje, Carlos Eduardo, o ex-prefeito de Natal, não conta com o apoio do wilmismo que o levou a prefeitura da capital e tem que lutar sozinho, como um dia Wilma lutou. Hoje, mais do que nunca, Mossoró, a terra da resistência à lampião pode realizar sua destinação mítica de se tornar também, ao menos por alguns anos, a capital política do Rio Grande Norte. Resta saber se o eleitor de Natal vai concordar com essa articulação.</p>
<p><strong>“dá-me mazal, echa-me a La mar”</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>Compreender Plotino e Proclo.</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 00:33:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esvaziando a estante]]></category>

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		<description><![CDATA[LIVRO: COMPREENDER PLOTINO E PROCLO AUTOR: CÍCERO CUNHA BEZERRA EDITORA: VOZES ANO: 2006 Se você tinha mais de quinze anos e morava em Natal no final dos anos noventa talvez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-727" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/07/16/compreender-plotino-e-proclo/plotinus/"></a></p>
<p><strong>LIVRO: COMPREENDER PLOTINO E PROCLO</strong></p>
<p><strong>AUTOR: CÍCERO CUNHA BEZERRA</strong></p>
<p><strong>EDITORA: VOZES</strong></p>
<p><strong>ANO: 2006</strong></p>
<p>Se você tinha mais de quinze anos e morava em Natal no final dos anos noventa talvez se lembre do Cícero Cunha. Ele tocava violoncelo no grupo Brebote. Para quem não viveu aqueles anos, o Brebote foi um acontecimento musical que mexeu com a cidade entre 1996 e 1998 e o Cícero estava lá, trazendo um pedaço da tradição musical do ocidente para se misturar com o teatro popular, com os ritmos nordestinos e com a performance inspirada de um Isaac Galvão em pleno furor criativo.</p>
<p>E se a viagem era a tradição musical do ocidente nada mais justo do que reencontrar Cícero, anos depois, através de um livro que retoma um capítulo fundamental da história do pensamento ocidental.</p>
<p>Para quem não sabe, além da música, Cícero dedicou-se ao estudo da filosofia antiga. Primeiro aqui na UFRN depois em Salamanca, Barcelona e Milão. Hoje ele é professor de filosofia Antiga e Medieval na Federal de Sergipe.</p>
<p>E foi com justiça que a editora Vozes chamou Cícero para escrever o Capítulo sobre Plotino e Proclo da série <em>Compreender</em>. Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre esses caras porque eles passam um pouco longe da fama de Sócrates, Platão ou Aristóteles. Se os filósofos fossem músicos de rock a gente poderia imaginar Sócrates como Bob Dylan e Platão e Aristóteles como os Beatles e os Stones da filosofia (respectivamente), tal é a sua popularidade extra-muros acadêmicos. Se assim fosse Proclo poderia ser o MC5 e o Plotino estria mais para um Iron Butterfly ou um Tim Buckley. Quando se fala em filosofia esses pensadores do platonismo tardio estão para o universo do pensamento como os filmes de Werner Hezog ou Reinner Werner Fassbinder para o mundo do cinema <em>cult</em>.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-730" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/07/16/compreender-plotino-e-proclo/plotinus-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-730" title="Plotinus" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Plotinus1.jpg" alt="" width="366" height="501" /></a></p>
<p style="text-align: right;">Cícero explora com muita firmeza a filiação do neo-platonismo desses autores as chamadas doutrinas não escritas de Platão. Não sei se você sabe, mas existe um fla-flu filosófico acerca de Platão. Parte dos estudiosos de filosofia antiga admite que Platão teria ensinado alguma espécie de doutrina não escrita aos alunos de sua Academia e que essa doutrina teria sido preservada por quase mil anos até que autores como Plotino e Proclo teriam resolvido registrá-la de forma escrita. O neoplatonismo seria assim uma filosofia herdeira da tradição de Platão e não uma invenção da antiguidade tardia que teria criado uma doutrina nova sobre o cadáver dos antigos mestres de Atenas.</p>
<p>Se Proclo e Plotino eram mesmo herdeiros dessa doutrina eu não sei, mas parece que a impressão que eles deixaram na sua época foi bem forte. Porfírio costumava a descrever Plotino como um homem de um olhar tão intenso que era capaz de perscrutar a consciência alheia. Muito se falava também do seu poder de concentração e segundo os relatos antigos ele ordenava todo o pensamento antes de escrever, de uma tacada só, suas ideias.</p>
<p>Uma das linhas de interpretação da filosofia neoplatonica é a de que ela reteria o aspecto místico do platonismo, que algumas vezes poderia passar batido para algum leitor apressado dos <em>Diálogos</em>. A ideia de Uno, que vincularia todas as coisas particulares em um “nada que tudo é” estaria presente de modo latente nos diálogos de Platão bem como a imagem do regresso das formas múltiplas dos entes em direção ao Uno. Nesse sentido o conceito de <em>emanação</em> que de uma tacada só salvaguardaria a unidade do cosmos, diluiria as fronteiras entre espírito (visto como uma forma mais sutil de matéria) e corpo e de quebra ajudaria a descrever aquilo que se entende por “vida espiritual” seria a grande contribuição do neoplatonismo para o ocidente. Tudo isso embalado por uma noção de exílio da alma no mundo da multiplicidade das coisas.</p>
<p>Homero foi o cara que melhor cantou aquilo que os gregos chamavam de nostalgia <em>(nostos </em>– lar; <em>algos</em> – dor). Uma dor pelo lar abandonado transpassava o coração de Ulisses perdido pelo mar antigo, longe de sua casa em Ítaca. Do mesmo modo, os pensadores neoplatonicos entendiam a condição do homem como a de um doloroso exílio. Um afastamento do nosso lar original, de nossa unidade perdida pela consciência que ganhamos ao mergulhar no mundo múltiplo das coisas.</p>
<p>Para escapar das misérias dessa dor poderíamos lutar pela recuperação de um bem perdido, em busca de uma presença divina, de uma estranha experiência de unidade que não se consegue transmitir pela linguagem e que não se encontra de modo ativo, mas com a paciência dos que sabem contemplar, como anunciou o próprio Plotino: “Por isso, não é necessário andar em sua busca, mas, aguardar serenamente até que apareça”.</p>
<p>Cícero aponta que muitos autores consideram Proclo como um dos pais da teologia na medida em que ele se espanta com a linguagem cifrada do Timeu (um dos mais estranhos diálogos de Platão) e passa a pensar em Deus não como um ente superpoderoso, uma espécie de senhor do mundo ou Rei do universo. Proclo abriu caminho para uma tradição medieval que identifica Deus com um principio imutável de ordenação do cosmo, que rompia com os velhos modos de se enxergar o divino no mundo antigo.</p>
<p>Há muito de neoplatonismo por ai hoje. Na Kabbalah, nas tradições teosoficas e esotéricas derivadas de gente como Madame Blavatsky, no misticismo cristão, na viagem bicho grilo da nova era, nas seitas espiritualistas que resgatam as velhas narrativas de exílio e as preenchem com uma pitada de ficção cientifica misturando velhos deuses à extraterrestres e cataclismos atlânticos.</p>
<p>  O legal de voltar aos antigos, especialmente pelo texto de pessoas como Cícero Cunha, que consegue fundir o sintético ao profundo, é que começamos a suspeitar que na verdade, na verdade, a gente nunca foi assim, tão modernos quanto pensamos ser.</p>
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		<title>Inoco</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 23:58:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia e Pensamento]]></category>

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		<description><![CDATA[ aquilo que não tem dentro dissolve o espaço surrupia o tempo  ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"> aquilo que não tem dentro</p>
<p style="text-align: center;">dissolve o espaço</p>
<p style="text-align: center;">surrupia o tempo</p>
<p style="text-align: center;"> </p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-717" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/07/15/inoco/pollock-grande/"><img class="aligncenter size-full wp-image-717" title="pollock grande" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/07/pollock-grande.jpg" alt="" width="487" height="567" /></a></p>
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		<title>No futebol do impossivel.</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 00:11:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pablo Capistrano</dc:creator>
				<category><![CDATA[O Resultado do Futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[  Entre as pessoas que resolvem passar algum tempo de suas vidas assistindo a uma partida de futebol, nos estádios ou diante da TV, existem aquelas que apenas torcem (uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-710" href="http://www.pablocapistrano.com.br/2010/07/13/no-futebol-do-impossivel/iniestagolo1-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-710" title="iniestagolo1" src="http://www.pablocapistrano.com.br/wp-content/uploads/2010/07/iniestagolo11.jpg" alt="" width="554" height="369" /></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Entre as pessoas que resolvem passar algum tempo de suas vidas assistindo a uma partida de futebol, nos estádios ou diante da TV, existem aquelas que apenas torcem (uma ampla maioria), as que gostam de verdade de futebol (uma parte bem menor) e os que realmente entendem o jogo (uma minoria).</p>
<p>Eu, humildemente me situo no segundo grupo. Não sou muito de torcer, a não ser pelas minhas obsessões (o Flamengo e o América de Natal), por isso, quando a partida final da copa do mundo de 2010 começou não tinha preferências definidas. Poderia dar Holanda, por uma questão de justiça histórica (afinal, não foram os holandeses as vitimas de um dos mais covardes futebocídios da história dos mundiais em 1974?), mas poderia também dar Espanha, pelo futebol jogado durante esse mundial.</p>
<p>Não consegui chegar aos trinta minutos do primeiro tempo com essa atitude contemplativa. Antes que o juiz pudesse sinalizar o intervalo eu já estava praguejando e pulando no sofá. A Holanda me ajudou a torcer com toda força pela vitória da Espanha.</p>
<p>É realmente triste perceber que essa Holanda, com seu joguinho Caratê Kid, abriu mão do futebol na última partida da copa. Teve receio de perder o jogo e não ser campeã mundial mais uma vez. Muito se comparou o time holandês a Seleção brasileira de 1994. Os adeptos da equação que afirmava ser impossível ganhar como em 1982 ou perder como em 1994 devem ter torcido muito pela Holanda nessa final.</p>
<p>Mais preocupada em não deixar a Espanha jogar do que em colocar em campo seu próprio futebol, a Holanda das tradições de Cruyff, Johan Neeskens, Resenbrink, Marco Van Basten e Rudi Gullit fez feio na final. As velhas seleções holandesas que jogavam um futebol articulado, de toque de bola e de habilidade técnica poucas vezes vistas na história das copas foram substituídas por uma Holanda que batia, travava o jogo, fechava os espaços e rifava a bola em cronta-ataques.</p>
<p>O objetivo da seleção de Bert van Marwijk parecia ser o de segurar o zero a zero e levar a decisão para os pênaltis para repetir o jogo que consagrou o Brasil de Parreira, Dunga e Romário em 1994. O problema é que a Holanda não notou que a história já havia produzido, no mundo do futebol, mais uma de suas viradas.</p>
<p>Na EURO de 2008 a Espanha havia sido campeã jogando um futebol ofensivo, que privilegiava o toque refinado, a posse da bola e o ritmo da partida, como nos bons e velhos combates das seleções brasileiras até 1986. A Holanda não entendeu que a longa noite da bola, iniciada em 1990 e estendida aos trancos e barrancos até 2006 (onde uma Itália e França coroaram na final uma copa muito pouco vistosa), estava encerrada.</p>
<p>A Argentina, a Alemanha, o México, o Chile, o Uruguai e, fundamentalmente a Espanha, cada um a sua maneira, com o material humano que tinham a disposição, apontaram para um retorno de um futebol mais ofensivo, mais aberto, mais jogado. Um futebol que traz de volta, segundo alguns entendidos, o 433 das velhas batalhas românticas de um tempo em que o jogo de bola se parecia mais com arte.</p>
<p>A história foi cruel com a Holanda: derrotada com glórias quando deveria ganhar, derrotada para si mesma quando deveria perder.</p>
<p>Ironicamente foram Johan Cruyff e Linus Mitchel (respectivamente o gênio e o técnico da seleção holandesa de 1974) que levaram para o Barcelona a ideologia do futebol refinado, da primazia da técnica. Um futebol que cresce com a compulsão quase rococó do toque de bola no meio de campo, do domínio do jogo, da mentalidade estranha de um time que pensa que gols são feitos para transcendência e de que jogadas feias não se justificam, não importando o resultado que oferecem.</p>
<p>As estatísticas enganam. O fato da Espanha ter sido campeã com o menor número de gols da histórias das copas não explica o futebol da Fúria. A Espanha finalizou muito nessa copa, teve o domínio do jogo na maioria das partidas. Destruiu a Alemanha em uma partida em que os germânicos, avassaladores em sua fúria ofensiva e sua objetividade minimalista passaram 26 minutos sem conseguir dominar uma bola ou articular uma jogada decente.</p>
<p>O futebol da Espanha é Barroco, redondo, floreado sem a objetividade neurótica dos times covardes, obcecado pela perfeição de uma jogada que nunca pode se completar. È um time romântico e aparentemente inviável, jogando um futebol impossível.</p>
<p>Cruyff, que criticou o Brasil de Dunga bem como a Holanda de Van Marwijk, ensinou o Barcelona a importância de um meio de campo habilidoso e de se jogar com classe. Foi justamente essa classe e esse meio de campo que fecharam o caixão da Holanda na única partida em que a laranja (já não tão mecânica e muito pouco mágica) perdeu nessa copa. Espero, sinceramente, pelo bem do futebol, que essa vitória espanhola ponha também um prego no caixão daqueles que acham que qualidade e beleza não criam campeões. Pelo bem do futebol e pela esperança de que a arte ainda possa prevalecer sobre a lógica seca e sem vida dos burocratas do esporte.</p>
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