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  • Pablo Capistrano
  • 01 de abril de 2020, as 1h01

Minha bisavó paterna, Dona Joana Fernandes de Macedo, contava que durante o surto de gripe espanhola entre 1918 e 1919 morria-se tanta gente em Natal, mas tanta gente, que não se tinha tempo de se preparar nenhum funeral.

Ela dizia a meu pai que via as carroças passarem recolhendo os corpos em casa (naquela época se morria em casa) enrolados em panos brancos, onde eram levados para o pé do Morro Branco (suspeito que seria onde hoje é o cemitério de Bom Pastor) para serem enterrados em covas coletivas.

 

Faz cem anos que a humanidade não presenciava uma catástrofe desse tipo, onde a morte coletiva se torna uma experiência anônima e solitária.

O mais grave é que a velocidade de propagação desse vírus é equivalente a velocidade das conexões em uma sociedade de mercado globalizada e digitalizada. Afinal, vivemos naquilo que McLuhan previu nos anos 60, uma imensa aldeia global interconectada, que permitiu que em menos de 3 meses uma epidemia que eclodiu do outro lado do mundo, desse uma volta no globo e viesse nos atingir em cheio aqui.

 

Se a gripe espanhola chegou em Natal de navio, vindo na lentidão das rotas marinhas, a COVID-19 desembarcou aqui pelo aeroporto. Na velocidade dos grandes aviões. No futuro, a pandemia de Corona Vírus será conhecida como a primeira grande pandemia da era digital. Talvez, o marco que tenha encerrado realmente, o século XX.

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  • Pablo Capistrano
  • 01 de abril de 2020, as 1h01

Meu problema maior com o quadro atual é minha dificuldade de focar em mim e apenas em mim.

Numa tipologia junguiano talvez meu tipo psicológico fosse um daqueles cuja energia psíquica  vem de fora pra dentro. O mundo sempre parece me sugar, e esse hábito que eu cultivo desde a infância de olhar para o mundo, hoje, me esgota.

 

por isso, a grande tarefa diária que me impus é a de olhar para dentro e esquecer o mundo. Mesmo sabendo que até mesmo uma experiência de introspecção, num momento como esse é uma experiência coletiva.

Soube notícias de amigos na suíça, na Alemanha, Irlanda e Australia. Todos em maior ou menos grau estão passando por uma sensação semelhante. Com um único adendo, é claro… eles não são governados por um sujeito como Bolsonaro

A aposta definitiva dessa criatura que foi posta no Planalto em 2018 é a de minimizar a pandemia e puxar a defesa da economia apostando que as medidas de contenção tomadas mais cedo surtam efeito e se consiga achatar a curva, de maneira que se possa contabilizar poucas mortes e que ele possa por a culpa da crise econômica e da quebradeira que vai se seguir nas costas dos outros.

Mas vejam só… lá vou tentando olhar de novo para o mundo.

 

queria ter um umbigo mais profundo que pudesse me fazer sair do mundo nunca hora dessas.

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  • Pablo Capistrano
  • 28 de março de 2020, as 7h07

5º dia de quarentena 

Hoje meu filho Arthur faz dez meses e eu percebo meus ciclos da seguinte forma.

Não consigo dormir de madrugada, acordo por volta das 2:00 da manhã ansioso e só volto a dormir umas 4:00.

Mesmo assim não fico muito tempo na cama. 7:00 Arthur acorda para tomar mamadeira.

Melhoro no final da tarde e fico com sono muito cedo durante a noite.

O que melhorou meu animo ontem a tarde foi a benção do Papa Francisco “Urbi et Orbi” que possibilitou a “Indulgencia Plenária” para 1,3 Bilhão de católicos no mundo todo. Algo histórico, que ficará na memória das gerações futuras quando alguém falar sobre a grande pandemia de 2020.

 

A imagem do Papa sozinho em frente a basílica de São Pedro concedendo um perdão coletivo a todos os católicos tem algo de fúnebre e triste mas também de  cinematográfico.  A cena foi posta como se fosse cinema.

Em mim tocou a ideia de uma conexão coletiva, de uma egrégora profunda que dá alguma esperança pra quem está sofrendo nesse momento de doença e desespero.

O caminho para suportar esses momentos é sempre o de manter o foco no aqui e no agora, vivendo um dia de cada vez e buscando se afastar um pouco da razão, que costuma a ser muito seca e fria, o que não é muito indicado para momentos de sofrimento psicológico coletivo.

 

Em horas como essa a razão é uma maldição porque ela sempre aparece diante de nós com esse pessimismo gelado que o ceticismo cultiva em tempos de ordem e que torna quase insuportável experimentar em tempos  de incerteza.

 

Nesse sentido, parece uma grande contradição para alguém que se dedica a mais de 20 anos a estudar profissionalmente filosofia, encontrar tranqüilidade longe da razão.

Hoje, pela primeira vez em muitos anos, encontrei alegria em não pensar.

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  • Pablo Capistrano
  • 26 de março de 2020, as 9h09

Hoje foi um dia particularmente difícil, muita ansiedade e angústia.

Tenho um defeito terrível de aquariano, sou muito ansioso.

O ansioso é aquele sujeito que é preso no futuro, que imagina o futuro chegando e se impacienta com isso. Aliás. essa quarentena está me fazendo revisitar algumas coisas como meus velhos livros de astrologia. Coisa curiosa é que a doença eclodiu entre Dezembro e Janeiro, quando tivemos uma conjunção tripla envolvendo Jupiter-Saturno-Plutão e de quebra um eclipse lunar. Tem gente já identificando essa conjunção com o mesmo aspecto Jupiter-saturno que teria ocorrido no inicio da peste negra na Europa no século XIV.

 

O curioso é que a peste negra começou na China, mas foi espalhada para a Europa a partir da Itália, pela chamada “Rota da Seda”.

 

Agora, ao se confirmar que a epidemia tenha se originado na China e migrado pra Itália e de lá se espalhado pelo mundo, é de espantar a coincidência. Ainda mais no período em que a China anuncia sua nova “rota da seda”

 

O fato é que, se esse aspecto for mesmo correlato ao do século XIV, que acompanhou a eclosão da peste, então podemos já concluir que Olavo de Carnvalho não é charlatão só na Filosofia, mas também na astrologia, o que já seria bem razoável pensar tendo em vista ele ter defendido a pouco a “não existência” de nenhuma morte confirmada por “corona vírus”.

 

Minha aposta é que ele é, como falso messias que chegou a presidência do Brasil e agora ameaça o mundo, um puro e simples sociopata, que de dentro de sua casa na Virgínia  procura tocar o caos no Brasil e jogar os brasileiros na escuridão mais profunda.

 

O que a gente sabe é que a peste no Século XIV destruiu o que ainda sobrava da idade média e abriu caminho para a construção da moderna sociedade de mercado liberal capitalista que essa peste de 2020 ameaça destruir.

 

Vou me aprofundar mais nesse assunto para entender melhor.

Pensar nessas coisa me faz aliviar a tensão.

Coisas de aquariano.

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  • Pablo Capistrano
  • 25 de março de 2020, as 4h04

Não comi nada de ontem pra hoje. Sinto uma descarga de adrenalina no peito que bloqueia meu estômago e me tira a fome.

Mesmo tendo corrido e feito e exercícios e praticado Yoga diariamente, não consigo ainda ter vontade de comer. Sou um sujeito ansioso. Herança da família da minha mãe. Fico brincando de criar jogos mentais que me possibilitem imaginar os cenários que podem surgir nos próximos meses e anos.

Foi assim que me meti a escrever sobre política nos jornais ou em programas de TV.

Em condições normais esse é um jogo bem interessante.

Na condição atual é fatal.

por isso deixei de ver telejornais e desliguei o celular por cinco dias.

A gota d’água foi saber que o psicopata que ocupa a presidência da República fez um pronunciamento xingando os governadores e instigando o povo a voltar para a rua.

 

Fico imaginando os médicos que votaram em massa nesse louco para “tirar o PT” vedo agora ele expor os profissionais de saúde a um tsunami de doentes, sem estrutura nenhuma para receber essa demanda.

 

Será um Abril muito sinistro esse de 2020 se alguém não tomar uma atitude contra esse assassino.

Ontem sonhei que ele era deposto por uma junta de generais.

A situação é tão terrível, que até um regime militar, para meu inconsciente, parece melhor do que essa desgraça que colocaram no palácio do Planalto.

Hoje, o pior inimigo do brasileiro é seu próprio presidente.

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2007 ® Pablo Capistrano

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