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  • Pablo Capistrano
  • 07 de novembro de 2011, as 13h13

Semana passada o mundo assistiu meio abestalhadamente mais um capítulo da nova crise mundial do capitalismo. O premiê grego anunciou que convocaria um referendo para consultar sua população sobre a aceitação ou não de um pacote fiscal para “salvar a Grécia do calote†e mantê-la na zona do Euro. Antes da semana acabar ele voltou atrás, pressionado pelos governos da França e da Alemanha,  acossado pela fúria desesperada dos mercados.

 

O que é mais sintomático dessa história é que agora a crise começa a pôr em questão mais um dos pilares de sustentação da ordem liberal: a fé na democracia.

 

Quando um referendo, instrumento de democracia direta, usado como mecanismo de consulta pública pelos governos que precisam de apoio popular para propor reformas polêmicas, se torna um problema, há um indicio desconcertante de um perigoso descolamento, que separa a estrutura econômica e a ordem política.

 

Se compararmos antigas turbulências nos mercados como 1873 ou 1929, o que se torna muito evidente na tormenta global dessa época é que nosso sistema padece hoje de um sintomático transcendentalismo de mercado. Um descolamento do sistema financeiro do mundo real da economia que fez com que alguns teóricos já passem a chamar o atual estado da economia global de “capitalismo com dominância financeiraâ€.

 

Entre 2003 e 2007, por exemplo, os CDS (Credit Default Swaps), formas de seguro em caso de inadimplência de créditos bancários de alto risco norte americanos passaram de 2,2 trilhões de dólares para 54,6 trilhões. Os ativos financeiros do planeta atingiram, em 2008, 600 trilhões de dólares, dez vezes mais do que a soma de toda riqueza real do planeta (estimada naquele ano em 60 trilhões) conforme dados do Le Monde Diplomatique.

 

Ao contrario de 1873 e 1929, a crise hoje marca um momento em que todos os recantos do planeta estão vinculados, direta ou indiretamente, aos tais mercados. Hoje, vivemos em um mundo em que o dinheiro passou a ser a mais rentável mercadoria, um mundo no qual se ganha mais dinheiro vendendo dinheiro do que produzindo bens de consumo, um mundo no qual os estados nacionais não tem mais como sustentar suas políticas econômicas e que os governos não conseguem ministrar tratamento ambulatorial para o surto desses mercados.

 

Se a confiança uma suposta crença hegemônica na racionalidade do mercado ruiu em 2008, o que parece que ameaça ruir agora, a julgar pelo modo como as decisões econômicas estão postas na Europa, é a crença na funcionalidade da democracia.

 

Pois é amigo velho, quando os mercados se tornam maiores do que os Estados e a democracia, que antes justificava o sistema econômico, se torna um problema a sensação é de que aquilo que é crise está, a passos rápidos, se transformando em surto. Um longo surto planetário, capaz de desmascarar as mais cômodas fantasias políticas, como aquela que diz que o poder é feito pelo povo, para o povo, a partir do povo.

1 Comentário
  • Pablo Capistrano
  • 31 de outubro de 2011, as 6h06

Amigos dia 03 de Novembro vamos receber o Professor Nathan Wachtel CCollège ge France) na UFRN, um dos grandes especialistas na questão da presença judaica no nordeste do Brasil, vale a pena conferir

Data:
03/11/2011
Local: Auditório da Escola de Ciências e Tecnologia, UFRN, Natal,
RN
Programação

09h às 10h:   Inscrição e credenciamento
10h às
11h30: Mostra de video
11h30 às 14h: Almoço
14h às 15h:   Apresentação de
dados documentais;
15h às 16h30: Conferência com o Prof. Nathan
Wachtel
16h30 às 17h: Coffee Break
17h às 18h:   Mesa redonda
18h:
Encerramento

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  • Pablo Capistrano
  • 23 de outubro de 2011, as 12h12

Amigos tenho mais um lançamento de livro essa semana e queria convidar todos vocês

especialmente meus ex-alunos de filosofia do direito

Trata-se de um resumo para concursos da área jurídica com minhas aulas de filosofia do direito que ministrei na FARN por sete anos.

Também vai estar sendo lançado junto com os livros da professora Sara Andrade, Ana Paula Cacho, Alba de Azevedo e Leandro Cardenas

Quem foi meu aluno vai reconhecer e lembrar alguma de nossas aulas no livro

conto com vcs lá

um abraço

 

2 Comentários
  • Pablo Capistrano
  • 19 de outubro de 2011, as 7h07

 

No inverno de 1992 eu estava sentado nos bancos da pedra da ETFRN em frente ao ginásio quando um amigo paulista cabeludo que parecia curtir metal chegou para falar sobre música. Ele disse: “Você sabe o que tá rolando em Seattle?â€.

 

Eu nunca tinha prestado atenção nisso. Sempre me senti meio anacrônico, e naquele tempo eu preferia ouvir Velvet Underground, The Doors e Joy Division a tentar me atualizar nas novidades pop. Naquele tempo As coisas também não chegavam rápido na província. Não havia internet e os vinis demoravam a atravessar o atlântico.

 

Alguns meses depois comecei a ouvir Mudhoney, Flop, Soundgarden, Alice in Chains, Melvins, Pearl Jam e Nirvana. Naquele tempo aquilo era a coisa mais barulhenta, pesada e absurda que havia aparecido. O som dos caras não era só rápido como o punk, ou apenas pesado como do Metal dos anos 80. Eles faziam uma inflexão a partir do punk, com não mais do que dois ou três acordes por música, mas reduziam a velocidade, dando as suas canções uma densidade que eu nunca tinha ouvido.

 

Havia algo de expressionista naquilo. Toda aquela panfletagem do Hard Core dos anos oitenta e todo aquele niilismo militante dos punks ingleses, defendendo uma bandeira fashion apocalíptica de fim de mundo parecia coisa do passado. Eles eram meio bregas, meio matutos, meio nerds, mas tinham um lirismo cru que jogava na cara da minha geração raiva e amargura, travestida de um sentimento de abandono e rejeição. Mas havia também uma pegada de humor, certo desleixo com os cânones do bom gosto Pop, uma sujeira inocente, quase romântica, que nos oferecia um eco, um canal, uma porta de passagem para as assombrações interiores que trucidavam nossas almas juvenis.

 

Vinte anos depois eu volto a pensar no grunge após assistir de novo o documentário “Hype!†de Doug Pray, lançado em 1996 sobre a cena de Seattle. Volto àquelas imagens dos 90 e penso comigo mesmo: o que sobrou daquilo tudo?

 

A narrativa do que a indústria convencionou a chamar de grunge é a mesma de todas as revoltas culturais da juventude no século XX. Jovens em suas vizinhaças constroem em suas garagens, sótãos e porões um padrão alternativo para se distinguir da massa desinteressante e são descobertos por algum jornalista inglês fascinado por padrões estéticos exóticos. Depois a indústria chega e transforma tudo aquilo em moda, clichês, gírias virtuais, conceitos embalados em papel pop, comodites culturais lançadas no mercado da consciência planetária como produtos do espírito de uma geração e então a revolta vira capital para engordar o bolso de um punhado de espertalhões.

 

Eu acho que o grunge foi sem dúvida o canto de cisne do rock como fenômeno cultural. Hoje, vinte anos depois, muitas bandas ainda se espalham pelo mundo. A utopia alternativa se realizou com o barateamento da tecnologia de gravação e as redes sociais que estabelecem uma comunicação direta entre o produtor da música e o consumidor. Muita coisa mudou, mas aquelas imagens velhas ainda fedem com o espírito adolescente que manteve o rock como vanguarda dos sentimentos da juventude por mais de cinquenta anos.

 

Hoje, vivemos em um mundo sem fanzines de papel, sem compilações em fita cassete vendidas em lojas de vinil, fitas VHS com shows obscuros contrabandeadas de coleções particulares rodando nos videocassetes. Hoje está tudo na rede. Tudo a mão. Tudo com a distância de uma sinapse.  Talvez, em alguma dessas janelas, em alguns desses ícones, em algum desses perfis de redes sócias, se esconda a velha pulsão de rebelião, cheirando, como sempre, com o odor embriagado dos novos adolescentes do milênio.

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  • Pablo Capistrano
  • 28 de setembro de 2011, as 8h08

filosofia



e alegria

 

10 anos do PPGFIL – XXI Semana de Filosofia – II EPOF

 

4 a 7 de outubro de 2011

 

Dia 4, terça – Auditório da Biblioteca

9:30Conferência de abertura:

A noção de alegria no mito e na tragédia grega

Prof. Dr. JAA TORRANO (USP)

14:00 às 17:00 – GTs – 3 simultâneos – Cf. epof@cchla.ufrn.br

19:00 às 22:00 – Conferências:

Alegria e Entusiasmo – Foucault e a emoção política

Prof. Dr. José Câmara Leite (Universidade Nova de Lisboa)

Castoriadis, Foucault e os paradoxos do afeto na política

Prof. Dr. Sérgio Dela-Sávia

 


Dia 5, quarta

14:00 às 17:00 – GTs – 3 simultâneos – Cf. epof@cchla.ufrn.br

19:00 às 22:00 – Aud. da Biblioteca – Mesa redonda:

A alegria de fazer lógica: métodos lúdicos para o ensino de lógica
Profa. Dra. Maria da Paz Nunes de Medeiros
Prof. Dr. José Eduardo Moura
Prof. Jaime Biela
Prof. Dr. Bruno Rafaelo Lopes Vaz
Prof. Dr. João Marcos de Almeida
Prof. Dr. Daniel Durante Pereira Alves

 


Dia 6, quinta – Auditorio D  – CCHLA

8:30 às 10:00 – Censo dos 10 anos do PPGFIL

Profa. Dra. Cinara  Leite Nahra (coordenadora do ppgfil)

CONVIDADOS: Magnifica Reitora da UFRN  Prof. Dra  Ângela Maria Paiva Cruz e Profa. Edna Maria da Silva, Pro reitora de pos graduação da UFRN



10:00 às 11:30 – Mesa redonda de mestres, ex-alunos do PPGFIL

Kant e a felicidade

Maria José  Vidal  (Prof. subst./DFIL)

A alegria da filosofia na saúde

Sônia Soares (DNUT/UFRN)

Filosofia Comparada: estruturas e métodos

Luiz Fernando Fontes  Teixeira (Prof. subst./DFIL)


14:00 às 17:00 – GTs – 3 simultâneos – Cf. epof@cchla.ufrn.br

17:30 às 18:30 – Auditorio B (CHLA) Fundadores do PPGFIL

Conferência: O fim da filosofia

Prof. Dr. Glenn W. Ericksons


19:00 às 22:00 – Auditório da Biblioteca

Mesa redonda: ética e alegria

Alegria geral: o dia que a morte morrerá

Profa. Dra. Cinara Leite Nahra

A vida –  é  justa ou injusta?

Prof. Dra  Fernanda Bulhões

Celebração da biopolítica

Prof. Dr. Antonio  Basílio Novaes Thomaz de Menezes

 



Dia 7,  sexta – Auditorio D  – CCHLA

9:00 às 11:30Mesa redonda de doutores, ex-alunos do PPGFIL

Busca e exercício da alegria na filosofia de Epicuro

Prof. Dr. Everton da Silva Rocha (FARN)

Koinonía da alegria: perspectivas a partir da imagem do jardim epicúreo

Prof. Dr. Rodrigo Vidal (IFRN)

Algumas considerações sobre o riso e o ridículo

Dr. Edrisi Fernandes

Humor: uma resposta ao trágico

Prof. Dr. Pablo Capistrano (IFRN)


14:00 às 17:00 – GTs – 3 simultâneos – Cf. epof@cchla.ufrn.br

17:30- 18:30– Auditorio B (CCHLA) Fundadores do PPGFIL

Conferência: O páthos da alegria

Markus Figueira


19:00 às 22:00 – Auditório da Biblioteca

Conferências de encerramento:

Alegria em Richard Wagner e Soren Kierkgaard

Ãlvaro Valls (UNISINOS/ ex-presidente da ANPOF))

Nietzsche: o trágico e o eterno retorno da alegria

Miguel Angel Barrenechea (UNIRIO)

 

Comissão organizadora:

Fernanda Bulhões

Eduardo Pellejero

Sérgio Dela Sávia

 

Informações:

defil@cchla.ufrn.br

epof@cchla.ufrn.br

3215-3566

evento gratuito – emite certificado –  matrícula na hora

Realização: DFIL/ PPGFIL/ UFRN

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