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  • Pablo Capistrano
  • 20 de julho de 2011, as 7h07

 

Nauseados.

 

Essa talvez seja a palavra que melhor retrata do humor dos norte americanos nesses tempos de crise econômica. Depois de assistir Inside Jobs, o documentário que fala sobre os bastidores da crise de 2008 fui receber meu sogro que voltou de viagem dos EUA.

 

Ele me falou sobre o centro de Miami com as lojas fechadas e o cheiro de decadência econômica que toma conta das ruas vazias. Me falou sobre a invasão de produtos chineses e indianos nas prateleiras norte americanas deixando claro as dificuldades da indústria doméstica. Me falou sobre o arriscado clima de apocalipse, que parece alimentar a direita fundamentalista do Tea Party.

 

Pois é, amigo velho, o grau anda alto por aquelas bandas. A sensação que a população tem é a de que o sistema financeiro simplesmente virou as costas para a sociedade norte americana.

 

E não foi esse mesmo sistema, alimentado pela ideologia que afirma haver algum tipo de racionalidade no mercado, que corrompeu o sistema político e cooptou a academia, comprando os especialistas das mais respeitadas universidades, pagos a preço de ouro para vender a ilusão de que tudo estava bem, no país das maravilhas?

 

Não foi justamente essa ordem, construída há muitos anos, com base nas crenças liberais, descontrolada após o colapso da ameaça vermelha, que virou as costas para a população e jogou a economia global no buraco?

 

Hoje, os governos, construídos a partir do financiamento dessa mesma ordem, pagos pelos avatares do mercado para justificar moralmente as escolhas econômicas que mais beneficiam aqueles que estão no topo da cadeia alimentar das finanças, precisam forçar a sociedade a pagar a conta do roubo institucional patrocinado pelas organizações financeiras.

 

O que mais fere o orgulho norte americano, não é o empobrecimento de sua gente, ou mesmo o fato de que, pela primeira vez na sua história, uma geração de cidadãos norte americanos tem menos educação, menos acesso a saúde e menos dinheiro que seus país e avós.

 

O que fere o orgulho ianque esses dias é essa náusea, amigo velho, de ter descoberto que seu governo, eleito by the people, from the people, for the people funcionou todas essas décadas como um braço político de um sistema que estava se lixando para o bem estar social, baseado em uma lógica predatória que vendia a ilusão de que mercados financeiros funcionam com base em um misterioso e transcendente controle moral. Até mesmo Obama, eleito com a promessa de fazer cumprir as promessas políticas dos pais fundadores de América democrática se rendeu ao imperativo do sistema que deveria combater.

 

Agora, nossos irmãos do norte sentem a náusea de descobrir, na própria carne, essa verdade inconveniente que a gente aqui no Brasil conhece há muito tempo. A verdade de que os governos, a despeito de serem ou não eleitos, na grande maioria das vezes, vivem com as costas para o povo que os elegeu.

 

Pois é amigo velho, é triste para quem passou boa parte dos últimos duzentos anos no lado direito das utopias iluministas ter que concordar com a frase do profeta do comunismo: “capitalistas não fazem sapatos por amor aos pés da humanidadeâ€. A proposito, em qual estante eu deixei mesmo aqueles livros velhos de Marx?

 

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  • Pablo Capistrano
  • 13 de julho de 2011, as 9h09

Tem danos que vem com a ausência. Tem outros que chegam mesmo na presença. Lembro de ter ouvido uma história em Santa Cruz, sobre uma aluna recém concluinte do ensino médio que chorou diante de uma prova de vestibular da UFRN.

 

Quando ela abriu a prova de Física entrou em pânico. Nada daquele vasto universo de conceitos exóticos e intrincadas ideias, transmutáveis em fórmulas matemáticas, fazia sentido para ela. A garota havia passado todo o ensino médio regularmente matriculada na rede pública de ensino do estado do Rio Grande do Norte e havia estudado apenas um assunto da disciplina de Física.

 

Um único, inexpugnável, irredutível, tema. Uma única e absoluta problemática. Uma só grande questão desde que Galileu, Copernico, Newton e Heisenberg pisaram sobre a terra. Um mesmo tópico, alçado a tal categoria de abrangência, que parecia resumir tudo o que os físicos construíram em quase três mil anos de ciência ocidental. A garota havia passado o ensino médio estudando Movimento Retilíneo Uniforme e Movimento Uniformemente Variado, nada mais, nada menos.

 

Um ex-aluno, também recém formado no ensino médio, fazia as vezes de professor, ocupando um espaço vago na sala de aula, tentando, com seu esforço pessoal, suprir as carências daquela turma. Como o rapaz, sem perspectiva de uma graduação na área de Física, só dominava esse tema, só tinha condições de ensinar esse único tópico.

 

A despeito de ter ou não acontecido desta forma, essa surrealista história nos alerta para um dado muito evidente: o dano pedagógico não se cristaliza apenas quando a escola está fechada, com seus servidores mobilizados por uma greve.

 

O dano pedagógico também se processa quando as portas da escola estão abertas e se manifesta costumeiramente em uma carência, em uma ausência, em uma desconcertante ilusão: a ideia de que o fato de o aluno estar em sala de aula é razão necessária e suficiente para que a qualidade do ensino se manifeste.

 

Esse delírio ontológico nos faz pensar que só o fato do aluno estar diante de um professor já exime o Estado de suas responsabilidades em empreender políticas reais, efetivas de valorização da educação.

 

Faz tempo que o Estado potiguar se auto alforriou da obrigação de implementar uma política educacional de qualidade. Faz tempo que não há interesse, por parte do poder público em pôr em uma mesma sala de aula o filho do juiz e o filho da empregada doméstica. Faz muito tempo, que setores mais influentes da sociedade brasileira, se acostumaram a pensar que o espaço da escola pública é um espaço de uma educação pobre para o povo pobre.

 

Esse é um modo perverso de manter aquela velha ordem aristocrática de poder social, na qual filhos de famílias bem dotadas economicamente tem a concorrência por posições sociais diminuída em função do desnível, do descompasso, entre a educação que lhes é oferecida e a educação que se oferece para os filhos dos empregados de seus pais.

 

Não é a greve, amigo velho, que produz o verdadeiro dano ao aluno da escola pública potiguar. Não são os professores, cansados de serem tratados como cidadãos de segunda classe, lançados pela lógica da exclusão na base da cadeia alimentar das profissões, que criam o dano real aos alunos desse estado. É essa sede, amigo velho, essa carência de cuidado, que nasce da omissão de uma sociedade que parece não estar muito a fim de levar a sério a educação de seus filhos. Uma sociedade que elege a muitas décadas governos produtores de greves, sucateadores de sonhos, moedores das esperanças de gerações e gerações de alunos potiguares.

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  • Pablo Capistrano
  • 06 de julho de 2011, as 9h09

Tudo passa

Amigo velho, esses dias me pegou esse vento frio, com gosto de chuva e eu resolvi me mudar.
Não aconteceu porque minha alma entediou com os onze anos que passei suspenso à dez andares do solo, em um apartamento em Ponta Negra. Não cansei de olhar para aquele velho morro e para aquele resto de mar que sempre me lembrava do sal dos dias de Domingo. Não me mudei porque Ponta Negra mudou.
E como ela mudou! Já não existe mais, por aquelas esquinas, um certo cheiro de praia do interior. Não tem mais o barulho das ondas subindo as ladeiras da vila e entrando, sem cerimônia, por dentro das casas de veraneio. Não está mais lá a solidão daquelas noites que umedeciam as almas mais duras, junto com a lama de junho escorrendo pelas ruas barrentas. Não há mais aquele odor de antigos lagos temporários, ocultos do mundo sobre o calçamento de uma cidade tímida, que parecia não querer avançar sobre as delicadezas daquela praia.
Mesmo assim, não foi por causa de Ponta Negra que eu me mudei. Foi a biblioteca, amigo velho, que pesou. Foi o espaço que parece ter diminuído a medida que a família cresceu e minha loucura por livros me empurrou em busca de espaços mais amplos, paredes mais vazias, prateleiras mais robustas.
Não foi por causa da violência dos prédios que nos cercam com seu mal gosto arquitetônico, sua grandiloquência atabalhoada, seu desregramento funcional. Não foi o barulho das gentes de outras esquinas que repentinamente chegaram pela beira mar com seus sotaques estranhos, seus sonhos sonhados em outros mundos, seus desejos tão insondáveis e tão diversos dos nossos.
Não me mudei de Ponta Negra por causa dos carros. Esses assassinos do silêncio do mar não me irritam tanto assim. Apesar dos engarrafamentos, do cheiro camuflado de borracharia que tomou conta da vizinhança, da sensação de sujeira que se guarda nos cantos da casa, com aquela nuvem invisível de fuligem que serpenteia as ruas dia e noite.

Tudo Flui

Não me afastei por causa do mar, já sem tanta cor nesses invernos de línguas negras que descem pelos dutos subterrâneos, esgotos mal cheirosos, substratos de um desordenamento urbano temperado pelo desejo fausticida dos homens de poder e dinheiro.
Foi aquela biblioteca, amigo velho. Cheia de tantas obras que não vou ler. Comprimidas por palavras, frases, longos parágrafos que boiam pelas folhas brancas do papel. Frases que um dia, talvez, sejam minhas, transmutadas pela vontade que eu tenho de preencher minhas próprias páginas.
Foi a demanda do tempo, amigo velho, que não deixa a permanência ficar e que só nos empurra para cá e para lá nessa cidade-duna acostumada a apagar as marcas do passado com a falta de cerimonia dos psicóticos.
Talvez tenha sido mesmo meu coração, cansado de não saber mais onde eu estou. Atormentado pelo volume do mundo que sempre parece me cercar toda vez que algum ponto a mais dessa cidade delirante avançava sobre meu refúgio.
Quem sabe um dia, essa cidade possa finalmente me alcançar, como uma vez, não faz muito tempo, alcançou aquela praia, guardada em algum desses invernos da memória.
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  • Pablo Capistrano
  • 28 de junho de 2011, as 13h13
Freud ensinou que os sonhos são um estranho território onde as pulsões são rainhas do corpo

 

Quando se tem filhos pequenos não se pode errar.

 

Não se tem duas chances para acertar uma saída sábado à noite. Ou se negocia ou não se sai. Nesse caso, contamos sempre com a piedade das avós, a disponibilidade das sogras, aquela mãozinha desinteressada das cunhadas. O fundamental, na verdade, é uma boa dica dos amigos, porque, afinal, sair sábado à noite quando se tem filhos pequenos é como pilotar um carro de fórmula um: tem que ser exato, tem que ser preciso. Um erro e você se espatifa na volta de apresentação.

 

Por isso agradeço ao meu amigo Henrique Fontes a dica para o espetáculo Rio Cor de Rosa na casa da Ribeira, sábado passado. Não sou um especialista em dança. Chego mesmo a dizer que só comecei a prestar atenção a esse universo quando minha filha Helena (sete anos) entrou para o balé.

 

Mas não é preciso ser um especialista, ou aficionado, para se sentir que o trabalho da Cia. De Dança do Teatro Alberto Maranhão (premiado em diversos festivais, inclusive em Berlin) contém os melhores elementos da grande arte.

 

Quando a cortina se abre estamos no estranho universo do sonho. Um mundo onde o fluxo invertido dos acontecimentos e a ordem da linguagem estão submetidos às estranhas pulsões do inconsciente. E são aqueles corpos, desconstruídos, despossuídos, desprovidos de uma ordem racional que, em sua repetição automática e neurótica, mostram o lugar em que estamos.

 

Como se nos transportassem para as sequências intrusas de imagens que vez ou outra invadem os filmes de David Lynch ou de Werner Herzog, os bailarinos da companhia potiguar nos levam pela mão em uma viagem de sinais absolutamente pessoais. Um corte pelo universo freudiano, cheio de pulsões, medos, ansiedades e desejos reprimidos que extravasam em movimentos seriados, quase impossíveis de se pensar. Movimentos densos e tensos, mas ao mesmo tempo cercados por um tipo muito misterioso de emoção.

 

Uma emoção que nasce quando desarmamos nosso filtro racional e nos entregamos às marcas da madrugada, as linhas oníricas dos pesadelos noturnos, dos sinais mais profundos de nossas mais arriscadas fantasias.

 

Henrique me disse: “tem alguma coisa nesse espetáculo que mexeu comigoâ€. Realmente. Algo que não sabemos bem o nome. Algo que se guarda em caixas, sótãos, porões, abrigos ocultos de nossos olhos conscientes, adestrados para a reproduzir a normalidade social que nos sufoca sobre os escombros de uma imensa construção de desejos reprimidos.

 

Somos assim. Como aqueles bailarinos. Eles mostram, com seus corpos, a dança de nossos deuses pessoais. A assombração particular de um mundo forte o suficiente para desmontar nossa ordem física. Um plano de assombrações e memórias recortadas que nos contém e nos define pelas entrelinhas dos sonhos, como Freud um dia profetizou.

 

Me sinto bem em saber que na minha cidade pode gestar um trabalho artístico dessa qualidade, mesmo sabendo que os órgãos públicos de fomento à cultura ainda durmam o seu sono dogmático para o que se produz de qualidade nesse estado, tenho fé que o alimento da alma desses artistas não vai permitir, a despeito de todas as dificuldades que essa cidade madrasta impõe a seus melhores filhos, que eles deixem o fogo apagar. Porque a arte é assim. Ela precisa nos alimentar. Injetar inquietação em nossas veias entupidas de porcarias midiáticas. Chacoalhar nossas certezas, para que a mediocridade sem fim desses tempos obscuros, finalmente, não nos destrua com seu tédio.

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  • Pablo Capistrano
  • 15 de junho de 2011, as 15h15

Hoje fui com colegas do IFRN à Câmara Municipal do Natal. Lá, há nove dias, um grupo de estudantes, artistas, ativistas políticos, membros de movimentos sociais, está acampado no pátio do prédio para pressionar os vereadores de Natal à implantar uma CEI para investigar a gestão da Prefeita do PV, Micarla de Sousa.
o que eu vi na Câmara foi um movimento supra partidário, plural, horizontal e coletivo. Baseada em princípios políticos de autogestão e em uma dinâmica de construção em rede. A prefeita de Natal, a julgar pelas suas últimas entrevistas não captou essa mensagem. Ela ainda pensa, como muitos agentes públicos dessa cidade, com categorias políticas do século XX. Aquebei me inspirando e escrevi o texto que segue para tentar entender a situação

O que as borboletas não sabem

Em uma entrevista disponibilizada no portal youtube

o pensador alemão Peter Sloterdijk dá um diagnóstico certeiro sobre o atual estado de animo na banda ocidental da terra: “os partidos políticos não conseguem mais dar vasão ao ódio socialâ€.

Se há uma função importante na política é a de evitar a guerra. Sempre que as instituições e os mecanismos que dão conta das práticas políticas em uma sociedade entram em decadência o diálogo sucumbe e a violência se torna uma perspectiva real.

Se há algo, nesse inverno potiguar de 2011, que as borboletas não sabem (a julgar pelas últimas entrevistas da prefeita de Natal) é que Peter Sloterdijk muito provavelmente está certo. E mais certo ele estaria se conhecesse a fundo o Rio Grande do Norte.

Parece que as borboletas não sabem que, nesse Estado, vivemos um desconcertante paradoxo. Nós assumimos com voracidade uma moral capitalista, mas continuamos, espantosamente, a manter as velhas instituições da política aristocrática. Continuamos atrelados a um modelo antigo, arcaico, rural e familiar de poder. Um modelo no qual as instituições políticas, jurídicas e econômicas, vinculadas por misteriosas interconexões genealógicas, se fundem sob o pano de fundo de uma casta que mantém vivo o nauseante absurdo de termos aceitado uma economia de mercado, mantendo uma política feudal.

Essas borboletas não entendem que existe uma estranha náusea perpassando nossas instituições políticas. Uma náusea que tem a ver com a percepção da contradição, que monta um discurso de liberdade, justiça e isonomia para esconder tradicionais práticas de exclusão e de distanciamento das ruas que marcavam as velhas monarquias do antigo regime.

Ali estão os homens da lei, com seus diplomas. Estão os netos dos velhos fazendeiros do couro e do algodão, os filhos dos antigos comerciantes das cidades do interior que controlavam à bala, no tempo de Jesuíno Brilhante, a política desses sertões. Ali está a imprensa, com seus compromissos, suas conexões, suas dependências. Ali estão os representantes do povo, eleitos por trás das bandeiras dos velhos partidos, símbolos mortos que hoje perdem cada vez mais seu significado, incapazes de desmascarar a náusea de um estado que sabe não ser aquilo que dizem que ele é.

As borboletas não sabem, mas em algum lugar está o povo (essa abstração sem forma que o romantismo alemão inventou) observando o cenário com sua letargia cotidiana, com seu rancor histórico concentrado, com sua fome de justiça entorpecida pela novidade do consumo, que chega as classes mais baixas do abecedário. O povo. Esse detalhe, que não acredita mais nas instituições.

Eles sabem que essas instituições não os representam. Que elas não mais conseguem ser porta vozes de suas demandas. As ruas já sabem há muito tempo, da estranha náusea moral que esse regime tenta esconder.

Talvez, apenas as borboletas não saibam, mas o movimento #ForaMicarla não nasceu de uma rixa pessoal, de uma antipatia política particular ou de uma manobra tradicional dos mesmos velhos senhores feudais de nossa terra. Ele já estava guardado em potência, por muito tempo, antes mesmo da eleição de 2008, nas entrelinhas cotidianas dessas massas de anônimos que se apertam entre porres de cachaça, forró e futebol, zonzos com o milenarismo eletrônico das seitas pós-modernas e com a loucura consumista desses tempos fraturados. Retido, no coração no coração do povo potiguar.

Nós sabemos.
Sim, nós sabemos, mesmo que intuitivamente, desses paradoxos.
Sentimos essa náusea, que é um pouco a náusea de outros brasileiros, que é um pouco a desesperança desses anos em que a utopia foi enterrada na cova rasa do pragmatismo político.

Por isso, por favor, não mexam no que sobrou desse velho desejo de mudança. Não fechem as portas para que o que resta de nossas crenças políticas. Não permitam que nossos nacos de utopia venham a padecer no balcão das negociações eleitorais.

Porque quando a política morre, o que sobra é a guerra, e na guerra, ninguém, nem os servos nem os senhores, são felizes.
Sloterdijk, o velho pensador alemão, conterrâneo de Marx, Hegel e Heidegger foi perguntado pela entrevistadora estrangeira: “o senhor acredita na revolução?â€.

Ele respondeu: “a vida é uma permanente revoluçãoâ€. Isto, com certeza, as borboletas não sabem. Ao menos em Natal.

 

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2007 ® Pablo Capistrano

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