Filósofo alemão, nascido na cidade de Röcken, na Saxônia no ano de 1844. Quando morreu no dia 25 de agosto de 1900, devido a uma infecção pulmonar, foi registrado na capela de sua cidade Natal “morreu o anticristo”.
Talvez seja Nietzsche um dos pensadores, ao lado de Karl Marx, Ludwig Wittgenstein e Martin Heidegger que mais influência produziu no século XX.
As linhas de interpretação de seu pensamento oscilam, de visões que o ligam ao movimento nazista até interpretações libertárias que o vinculam aos movimentos da revolução cultural que assolou o ocidente nos anos sessenta e setenta.
Mas Nietzsche morreu desconhecido em seu tempo e seu país. Ao contrário de Hegel, que conheceu ainda em vida a glória como pensador, as idéias de Nietzsche não tiveram grande repercussão na Europa do século XIX.
Apenas em 1939, com os cursos ministrados pelo professor Martin Heidegger na universidade de Freiburg (publicados apenas em 1961) o ocidente passou a conhecer de modo mais aproximado o pensamento do tal “anticristo”.
James Ramsey (mentor do Projeto Zaratustra) parece ter tido contato com a obra de Nietzsche apenas depois de ter desistido da filosofia profissional e buscado uma formação na área médica. O ambiente filosófico da Inglaterra dos anos trinta e quarenta estava em demasia preenchido pelo “fenômeno Wittgenstein” e pelas discussões acerca de temas lógico-epistemológicos. Uma nova concepção acerca do papel da linguagem na construção daquilo que chamamos de realidade dava início ao que posteriormente viria se chamar de filosofia analítica e a Inglaterra, como sempre uma ilha, procurava afastar-se da influência que emergia de um continente em decomposição (que era a Europa da época).
Ramsey, de acordo com informações daqueles que lhe são próximos, travou contato com um texto de Nietzsche numa de suas idas ao continente, na década de sessenta e ficou terrivelmente impressionado.
O cunho demolidor, o estilo grandiloquente e afetado, a força poética do texto e a absoluta coragem das idéias de Nitezsche fizeram Ramsey acreditar nas possibilidades da revolução.
Ao se deparar com a idéia do sobre-humano (Übermensch) no Assim Falava Zaratustra (uma das obras mais conhecidas do filósofo de Röcken), Ramsey percebeu que ali se encontrava uma filosofia para futuro. Uma indicação de um campo aberto de possibilidades que iria levar o homem para mais além.
Não seria o homem um ser completo.
Não seria essa a sua natureza definitiva. O homem é uma corda atada sobre um abismo. A travessia é perigosa, mas inevitável. Aquilo que nos constitui hoje será amanhã, apenas sombra.
Foi Nietzsche, muito mais do que as outras referencias, muito mais até do que Darwin e Mendel, do que Wittgenstein ou Isaac de Luria, que fez Ramsey imaginar seu projeto de construção do novo homem.
Talvez essa tenha sido uma interpretação equivocada das idéias do filósofo.
Mas quem se importa com isso.
As palavras de um homem são presentes entregues ao vento e a força de seus efeitos, podem instituir estranhas e selvagens tempestades.
(Para saber mais sobre a influência de Nietzsche na cabeça de James Ramsey, leia o livro Pequenas Catástrofes de Pablo Capistrano, a disposição nas melhores casas do ramo a partir de Abril. Publicado pela Editora Rocco).
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