A palavra Pharmakon é de origem grega e, de acordo com o texto de Platão “Fedro” (Entendido por Diógenes Laércio e Schleiermacher como um diálogo “juvenil e mal formado”), guardaria em si um sentido quádruplo: (1) Um remédio capaz de curar males da alma ou do corpo; (2) uma porção mágica capaz de alterar a apreensão estética do mundo; (3) Uma droga capaz de viciar a vontade dos homens; (4) um veneno que mata o corpo e torna a alma amorfa.

Foi Epicuro, no entanto, que elevou o termo Tetrapharmakon a níveis de grande importância filosófica ao descrever o que veio a chamar de “quádruplo remédio para os males da alma”.

A proposta epicurista da felicidade viável não se baseava apenas numa construção abstrata, mas num mecanismo prático de construção de uma vida feliz, baseada na reiteração constante e na absorção intelectual de quatro argumentos básicos:

I – Quem é feliz e eterno (os deuses) não tem preocupações nem perturba os demais; por isso está isento de impulsos de cólera ou de benevolência, já que tudo isso é próprio de quem tem fraquezas.

II – A morte nada é para nós. Com efeito, aquilo que está decomposto é insensível e a insensibilidade é o nada para nós (Enquanto estamos presentes, a morte está ausente, quando ela se apresenta, já não mais estamos).

III – A intensidade suprema dos prazeres é a máxima redução de todas as dores.

IV- A dor não dura ininterruptamente na carne, ao contrário, quando é extrema, ela dura pouco tempo.

(In. Epicuro – as luzes da ética. João Quantim de Moraes. Ed. Moderna)

O Thetrapharmakon responderia assim a cada uma das quatro principais causas da infelicidade humana – (1) temer a cólera dos deuses; (2) apavorar-se diante da morte; (3) escolher mal os objetos do desejo; (4) angustiar-se diante do sofrimento.

(Para saber mais sobre o Tetrapharmakon, leia o livro Pequenas Catástrofes de Pablo Capistrano, a disposição nas melhores casas do ramo a partir de Abril. Publicado pela Editora Rocco).

 


 

 

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