O Projeto Zaratustra começou na Inglaterra no início dos anos noventa. Na verdade sua gênese ideal parece remontar aos anos sessenta.
O projeto surgiu a partir de um encontro entre James Ramsey (ex aluno de Wittgenstein em Cambridge no final da década de 40 e que havia desistido da filosofia para se formar em medicina com especialidade em neurologia) e Timothy Lery, durante um simpósio sobre as estruturas da percepção sensorial em meados de 1967.
Ramsey parece ter ficado muito impressionado com Lery e após algumas experiências com mescalina e LSD teve uma espécie de presságio.
Haveria uma chave bioquímica para se acessar a divindade.
Seria possível fazer com que algumas pessoas deixassem de ser pessoas, mediante um processo de reengenharia genética. A evolução da tecnologia de manipulação dos genes humanos era fantástica, mas incompleta. O homem estava descobrindo um poderoso instrumento, no entanto não tinha uma visão exata de seu potencial, devido ao fato de estar ainda fascinado com seu mecanismo.
Ramsey se empenhou em dedicar a vida à pesquisa de um método que pudesse viabilizar a utopia de Nietzsche. Esse método estaria nas drogas psicotrópicas que supostamente reconfigurariam o DNA humano criando uma raça dentro da raça. Mais aguçada ao que está além do olho. Mais atenta ao que está além do humus do mundo.
Sem recursos estatais, nem nenhuma empresa interessada pelo assunto, passou os trinta anos seguintes criando seitas esotéricas e milenaristas a fim de angariar fundos para sua pesquisa e selecionar pessoas para implementar seu projeto. Fundou e findou, de 1968 até meados dos anos oitenta, três grupos esotéricos: A Ordem Cabalista da Santa Aurora Dourada; A Irmandade do Duomo e a República do Ramo de Ouro; todas preocupadas em divulgar idéias estranhas sobre Nova Era, alienígenas, evolução espiritual da raça mediante manipulação genética e energização holística. Faziam publicações, davam palestras e workshops acerca de temas os mais díspares como holoecologia e meditação aiurvédica.
Montou um laboratório clandestino em South London onde pesquisava a constituição de plantas alucinógenas. Chegou a trabalhar no Acre nos anos oitenta, no Céu do Mapiá, onde os discípulos do padrinho Irineu Serra utilizavam o Santo Daime. Conseguiu contrabandear para a Inglaterra amostras de Banisteriopsis Caapi, uma trepadeira tropical de onde os acreanos retiravam a base do Daime. A partir de experiências com essa planta e com amostras de Peiote, Ramsey conseguiu isolar uma substância, denominada telepatina, um alcalóide cristalino que seria responsável por aquilo que os acreanos chamam de “miração”. Em suas pesquisas acabou descobrindo que esse alcalóide era muito semelhante à harmina retirada do Peganum Harmala, arbusto bastante comum no oriente próximo e muito conhecido por suas propriedades alucinógenas.
Os alcalóides naturais foram o impulso que faltava para Ramsey desenvolver o seu tetrapharmakon. Isolando essas substâncias e identificando os procedimentos do preparo tradicional ele conseguiu fazer a ponte que faltava entre os rituais dionisíacos do século sexto antes de cristo e as práticas indígenas da Amazônia. O caminho da panacéia estava em formar uma droga limpa, com base no procedimento dos acreanos.
Potencializar o efeito psicotrópico minorando o máximo possível os efeitos colaterais e acrescentando tecnologia genética de ponta, a fim de produzir uma raiz híbrida.
Na verdade, por volta do verão de 1991, surgiram no mercado uma série de comprimidos experimentais que faziam a cabeça do povo das raves em Londres. O ecstasy tornou-se a mais popular delas. Vários jovens cientistas recém saídos das universidades inglesas quebravam a cabeça para produzir drogas mais poderosas e limpas que pudessem fazer a onda do povo das pistas.
A polícia, preocupada em reprimir as raves, começou a achar conexões entre a febre das festas de música eletrônica e alguns laboratórios clandestinos como o de James Ramsey em South London.
Ramsey teve de deixar o país com Gilbert Nilson, um farmacologista que o acompanhava desde de 1986. Na Inglaterra deixou para trás alguns anos de pesquisa, mas levou a fórmula do tetrapharmakon.
Em Rodhes, na Grécia, fundou o primeiro núcleo do projeto e começou os trabalhos para a implementação de sua revolução.
Hoje o projeto Zaratustra já se espalha em diversas cidades do mundo Patmos, Milão, Londres, Frankfurt, Roma, Jerusalém, Nova York, Los Angeles, São Francisco, Cairo, Kiev, Sidney, Manchester, Buenos Aires, Águas Callientes nas proximidades de Machu Pichu, Barcelona, Atenas e Tokyo.
Correm boatos de que alguns agentes do projeto estão tentando implantar uma sede do projeto no Brasil, mas não se tem ainda idéia exata do local. Fala-se na Ilha de Boipeba, próximo de Morro de São Paulo na Bahia, ou na praia de Sagi, no Rio Grande do Norte.
(Para saber mais sobre o Projeto Zaratustra, leia o livro Pequenas Catástrofes de Pablo Capistrano, a disposição nas melhores casas do ramo a partir de Abril. Publicado pela Editora Rocco).
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